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:: ‘justiça’

Tortura com banheiras de gelo contra mulheres choca em investigação sobre o CV

As investigações que levaram à megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, revelaram métodos de punição brutais impostos por integrantes do Comando Vermelho (CV) contra moradores das comunidades.

Entre as práticas, chama a atenção uma nova forma de castigo aplicada a mulheres envolvidas em brigas durante bailes funk. Segundo as investigações da Polícia Civil, elas são colocadas em banheiras de gelo.

Pra brigona que gosta de arrumar confusão no baile, paizão não quer bater em morador. Aí a melhor forma será essa”, diz uma das mensagens interceptadas, acompanhada de uma mulher recebendo a punição (foto em destaque).De acordo com a TV Globo, os chefes da facção criaram grupos em aplicativos de mensagem para tratar de assuntos que vão desde a escala de seguranças de pontos de drogas até ordens de tortura e execuções. As mensagens interceptadas mostram que as punições incluem sessões de espancamento, homicídios e torturas cruéis.

Os traficantes atuam sob ordens de Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, apontado como comandante da quadrilha na região. Ainda não se sabe se Doca está preso, foragido ou foi morto na operação que resultou na morte de 121 pessoas.

Contrato de aluguel de veiculos é investigado em município da Bahia Câmara Municipal de Jequié teria gasto meio milhão de reais em locação de automóveis zero

Supostas irregularidades em um contrato de locação de 12 veículos zero quilômetro, no valor de R$ 574.356,24 estão sendo investigadas na Câmara Municipal de Jequié, vale do Jiquiriçá, na responsabilidade do presidente da Casa, Emanuel Campos Silva, conhecido como Tinho (PDT).

A denúncia foi apresentada ao Ministério Público da Bahia pelo advogado Abdijalili Belchote.O contrato foi firmado com a empresa ‘Servel Serviços e Veículos Ltda’., com sede em Vitória-ES. A empresa teria sido incluída como terceira interessada no processo e vai ter 20 dias para apresentar defesa e encaminhar documentos que comprovem a regularidade da contratação e da execução do contrato.A justificativa da Casa Legislativa para a locação, foi a necessidade de realizar visitas e fiscalizações presenciais em diversos órgãos, setores, distritos e também na Zona Rural do município.

O procedimento tem objetivo de verificar se a licitação observou as normas legais e os princípios da administração pública, incluindo transparência, economicidade e impessoalidade.

Candidaturas fantasmas

Ano passado, a Justiça eleitoral de Jequié, apurou um pedido de indeferimento do registro de candidatura, cassação do diploma, bem como o mandato de parlamentares, que foram candidatos nas últimas eleições municipais. O motivo que se alega é de que teria havido fraude com participação feminina na chapa de vereadores de diversos partidos como o PT, PV, MDB, Solidariedade, Cidadania e PSDB.

Ainda de acordo com a denúncia, configurou-se casos de candidatura fictícias ou fantasmas, com o objetivo de apenas preencher a cota de gênero e possibilitar a participação de partidos investigados na eleição, os quais possam ter desrespeitado o percentual mínimo de 30% de candidaturas femininas.

De acordo com a Justiça, as candidatas apontadas nos processos, descumpriram a Súmula nº 73 do Tribunal Superior Eleitoral.

Um dos casos curiosos foi o de uma candidata que, de acordo com uma certidão anexada ao processo, não teria comparecido ao último pleito, o que configurou-se que o pedido de registro poderia ter servido para “burlar” a legislação eleitoral. Esta candidata teria obtido apenas 8 votos e teve a Prestação de Contas Eleitoral “zerada”.

Existiram ainda denúncias de que outras candidatas, que preencheram a cota de 30%, apresentaram irregularidades na campanha que contrariam a Lei, quando no curso do período eleitoral, não se pratica atos de campanha, como participação em comícios, caminhadas, atos públicos, produção de material gráfico, como cartazes, santinhos, placas, adesivos, e tão pouco presença eleitoral de campanha nas redes sociais, fato comprovado por meio de Atas Notariais que acompanharam o processo.

Esposa de prefeito da Bahia declarou mais de R$ 1 mi em bens e recebeu Bolsa Família

Márcia Novais, esposa do prefeito de Cordeiros, Devani Pereira (PDT), foi por mais de 10 anos beneficiária do programa Bolsa Família. Conforme reportagem de O Globo, a primeira-dama do município localizado no sudoeste da Bahia constava na lista do programa  desde 2013 e recebeu, no ano passado, R$ 800 mensais. Os repasses foram suspensos pelo governo federal em janeiro, após o início do mandato.

Devani, que adotou o lema “o vaqueiro virou prefeito” depois de se eleger, declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 1,2 milhão em bens no início da campanha eleitoral de 2024. A lista inclui “animais de grande porte” avaliados em R$ 250 mil — o que equivale, por exemplo, ao valor de 60 cabeças de boi —, seis propriedades rurais e R$ 20 mil em espécie.

Em vídeos recentes publicados nas redes sociais, o prefeito aparece em um local semelhante a um rancho, conduzindo dezenas de bois, vacas e cavalos. Procurados, o prefeito e a primeira-dama não responderam.Dificuldade de fiscalização

Especialista em direito previdenciário e também mestre em direito político e econômico, a advogada Camila Pellegrino afirmou que, diferentemente do que ocorre com benefícios previdenciários, a concessão do Bolsa Família não prevê análise dos bens da pessoa.

“É um programa eficiente para distribuição de renda, mas a gente sabe que fraudes existem e que algumas pessoas mentem ou omitem informações. Em geral, a fiscalização ocorre quando há denúncias, seja ao governo federal ou aos órgãos municipais e estaduais de assistência social, por exemplo”, apontou.

Pente-fino

O Bolsa Família é voltado para pessoas cuja renda mensal é de até R$ 218, o que configura situação de pobreza. O cálculo leva em conta toda a remuneração, dividida pelo número de pessoas que compõem uma mesma “unidade familiar”: uma família de sete pessoas que tenha como renda total apenas um salário mínimo (R$ 1.518), por exemplo, se enquadra no programa.

O beneficiário do programa precisa manter atualizados os nomes de outras pessoas com as quais divide a residência. Em janeiro, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) suspendeu o benefício das famílias que tinham, em sua composição, algum candidato eleito em 2024, considerando que o salário de prefeito, vice ou vereador excede os parâmetros do programa.

Ao todo, segundo o MDS, cerca de 1,1 mil vereadores, 19 vice-prefeitos e sete prefeitos foram excluídos. Os nomes dos candidatos afetados só vieram à tona, porém, em outubro, após um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) da agência Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública.

Pau Brasil: vereador Nego Elder perde o mandato após ser cassado pelo TSE; Câmara já acionou suplente para assumir vaga

O vereador Elder Almeida, o famoso Nego Elder, de Pau Brasil, no sul da Bahia, acabou perdendo o mandato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a decisão do TRE-BA, que ainda em março já havia determinado a cassação por conta de uma condenação criminal que se tornou definitiva.

Com isso, Nego Elder deixa a cadeira na Câmara e não poderá disputar ou ocupar nenhum cargo público enquanto durar a inelegibilidade. A Justiça Eleitoral já avisou oficialmente à Câmara e o presidente da Câmara já convocou o suplente para garantir que o trabalho legislativo siga sem interrupções.

STF forma maioria para manter nomeações de parentes a cargos políticos

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta quinta-feira (23) maioria de votos para permitir que parentes sejam nomeados para cargos políticos. Cinco magistrados seguiram o entendimento do relator, ministro Luiz Fux, e formaram seis votos contra um voto do ministro Flávio Dino.

A Corte entendeu que a nomeação de parentes para cargos de natureza política não configura nepotismo. O julgamento foi suspenso e será retomado na próxima quarta-feira (29).

Em 2008, o Supremo editou uma súmula vinculante para proibir o nepotismo. De acordo com o texto da decisão, a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente até terceiro grau para cargos públicos viola a Constituição. Meses depois, entretanto, a Corte reconheceu que a restrição não vale para cargos de natureza política, como secretários de Estado.O caso voltou ao Supremo por meio de um recurso para derrubar uma lei de Tupã (SP), de 2013, que proibiu a contratação de parentes do prefeito, vice-prefeito, secretários e vereadores na gestão municipal. A norma contrariou o entendimento da Corte que validou as nomeações para funções políticas.

O relator da matéria, Luiz Fux, apontou que o chefe do Executivo tem a prerrogativa de escolher seus secretários, considerando os critérios de qualificação técnica e a proibição de nepotismo cruzado. “A mensagem do Supremo é que a regra é a possibilidade, a exceção é a impossibilidade. Não é uma carta de alforria para nomear quem quer que seja”, afirmou Fux.

O voto do relator foi seguido por Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Na divergência, Flávio Dino disse que “legalidade e afeto não se combinam”. Dino complementou: “Legalidades e afetos não se combinam. Uma reunião de governo não pode ser um almoço de domingo. Uma reunião de governo não pode ser uma ceia de Natal”, afirmou.

PF deflagra 7ª fase da Operação Overclean e afasta prefeitos na Bahia em investigação sobre corrupção e fraudes em contratos públicos

7ª fase da Operação Overclean, deflagrada em 16 de outubro de 2025, resultou no afastamento do prefeito de Riacho de Santana, Dr. João Vítor (PSD), e na prisão do prefeito de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parisio (MDB), durante ação da Polícia Federal em parceria com a CGU e a Receita Federal, supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16/10/2025) a sétima fase da Operação Overclean, desdobramento de um inquérito instaurado em dezembro de 2024, para apurar um esquema de desvio de recursos públicos federais, fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares destinadas a obras e serviços municipais.

A ação, deflagrada simultaneamente nos estados da Bahia e do Rio de Janeiro, foi executada em 16 de outubro de 2025, sob autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que supervisiona a investigação devido à presença de autoridades com foro por prerrogativa de função, entre elas o deputado federal Dal Barreto (União Brasil-BA).

Nesta fase, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, uma medida cautelar de afastamento de agente público do cargo e o bloqueio judicial de valores obtidos de forma ilícita. As ordens foram cumpridas nas cidades de Salvador, Riacho de Santana, Wenceslau Guimarães (BA) e Arraial do Cabo (RJ), com o apoio de auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB).

Prefeitos de Riacho de Santana e Wenceslau Guimarães estão entre os alvos da PF

O prefeito de Riacho de Santana, Dr. João Vítor (PSD), foi afastado do cargo por decisão do STF, após a PF identificar indícios de direcionamento de contratos e superfaturamento de obras executadas com recursos federais repassados ao município entre 2022 e 2023.

Já o prefeito de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parisio (MDB), foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de mandado de busca em sua residência, também em 16 de outubro de 2025. A PF apreendeu armas sem registro, dispositivos eletrônicos, planilhas contábeis e documentos de contratos públicos supostamente utilizados para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Ambos os prefeitos são investigados por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro, com base em indícios de participação em um núcleo político que operava em conluio com empresários e intermediários financeiros.

Deputado Dal Barreto teve celular e veículos apreendidos na 6ª fase da operação

Dois dias antes, em 14 de outubro de 2025, a sexta fase da Overclean teve como principal alvo o deputado federal Dal Barreto, flagrado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Salvador enquanto tentava embarcar para Brasília. A abordagem, que durou menos de 30 segundos, resultou na apreensão de seu celular e de dispositivos de comunicação, sob mandado expedido pelo ministro do STF Cristiano Zanin, relator do inquérito.

Em 15 de outubro, agentes federais cumpriram oito mandados de busca e apreensão em Salvador, Amargosa (BA) e Brasília (DF), além de realizar o sequestro de bens e veículos de luxo vinculados ao parlamentar. Entre os alvos estavam Ubaldo Neto e Danilton Oliveira, apontados como operadores financeiros e laranjas do deputado, responsáveis por movimentar valores desviados por meio de empresas de fachada.

Segundo investigações, Dal Barreto teria intermediado, entre 2021 e 2024, emendas parlamentares destinadas a obras municipais, cujos contratos foram direcionados a empresas vinculadas ao grupo criminoso. O parlamentar nega envolvimento e declarou que “as provas demonstrarão a verdade no momento oportuno”.

Histórico da Operação Overclean: fraudes milionárias e uso de “laranjas”

A Operação Overclean foi deflagrada pela primeira vez em 12 de dezembro de 2024, quando a PF cumpriu mandados em Feira de Santana, Amargosa e Salvador (BA), dando início à apuração de um esquema de corrupção envolvendo mais de R$ 80 milhões em recursos públicos.

Ao longo de sete fases, a investigação revelou a existência de núcleos interligados de atuação política, empresarial e contábil, responsáveis por direcionar licitações, emitir notas fiscais falsas e simular concorrência entre empresas em obras de infraestrutura, coleta de lixo e fornecimento de materiais escolares.

Entre janeiro e agosto de 2025, a PF executou cinco fases anteriores que resultaram na apreensão de planilhas com mais de 100 nomes e codinomes, contratos superfaturados e transferências bancárias irregulares realizadas por meio de contas controladas por intermediários.

Os agentes identificaram ainda a participação de empresários de médio porte, assessores parlamentares e consultores contábeis, que recebiam percentuais sobre o valor dos contratos em troca de facilitação de repasses federais.

Empresário “Rei do Lixo” é apontado como articulador político do esquema

As investigações da PF, com base em relatórios da CGU e da Receita Federal, apontam o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, como articulador político e financeiro do grupo.

Entre 2021 e 2023, Moura teria utilizado empresas de limpeza urbana e construção civil para firmar contratos fraudulentos com prefeituras, mediante pagamento de propinas e repasses ilícitos. Ele já havia sido alvo da quarta fase da Overclean, deflagrada em junho de 2025, quando teve R$ 12 milhões bloqueados judicialmente.

De acordo com os investigadores, Moura atuava como elo entre prefeitos, parlamentares e empresários, coordenando licitações combinadas e repasses de valores para campanhas eleitorais.

Materiais apreendidos serão periciados pela PF

A PF informou que todos os materiais recolhidos nesta sétima fase — incluindo computadores, celulares, pendrives, contratos, planilhas e documentos fiscais — serão encaminhados ao Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Brasília, para rastrear o fluxo financeiro dos contratos investigados.

A análise buscará identificar beneficiários finais dos desvios e reconstituir as transações financeiras realizadas em contas de empresas controladas por laranjas e assessores parlamentares.

O relatório conclusivo será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre denúncias formais e novas quebras de sigilo bancário e fiscal.

Impacto político e desafios institucionais

A Operação Overclean tornou-se um dos principais marcos do combate à corrupção municipal na Bahia, pela dimensão dos valores envolvidos e pela conexão direta entre prefeitos, empresários e parlamentares federais. Atingindo simultaneamente poderes locais e instâncias com foro privilegiado, a operação revela o avanço da fiscalização sobre emendas parlamentares, especialmente após o escândalo das chamadas “emendas de relator” (RP9).

A amplitude territorial — alcançando Bahia, Rio de Janeiro e Distrito Federal — indica coordenação interestadual do esquema, com repasses mascarados por contratos administrativos. O envolvimento de figuras públicas de diferentes partidos (PSD, MDB e União Brasil) reforça o caráter suprapartidário da corrupção estrutural no sistema político brasileiro.

A continuidade das investigações sob relatoria do ministro Cristiano Zanin no STF também testa os limites institucionais do combate à corrupção em um ambiente de crescente polarização política e de questionamentos sobre a seletividade das ações penais. Com informações do G1.

Prefeitura de Salvador é alvo de investigação por supostas irregularidades no Fundeb

A Prefeitura de Salvador, sob a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil), está sendo alvo de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas de irregularidades na movimentação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). A abertura do inquérito foi publicada nesta quinta-feira (14).

O Fundeb tem como objetivos principais o financiamento da educação básica da creche ao ensino médio e, a valorização dos profissionais da área. Segundo o MPF, o município de Salvador pode estar em desacordo com a Portaria FNDE nº 807/2022, que estabelece normas para o uso dos recursos, como a exigência de uma conta bancária única e exclusiva, gerida pela Secretaria Municipal de Educação.

A investigação teve início com base em informações enviadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI-FUNDEF/FUNDEB), que identificaram falhas no controle dos recursos em diversas cidades brasileiras. Em Salvador, as inconsistências foram detectadas por meio do Sistema Informatizado de Auditoria em Programas de Educação (Sinapse), do próprio TCU.O procurador da República Fábio Conrado Loula é o responsável pela condução do inquérito. A Prefeitura de Salvador será notificada para prestar esclarecimentos. Após o prazo de 60 dias, o caso será reavaliado para a definição dos próximos passos.

PF realiza operação na casa de prefeito de cidade baiana por suspeita de fraudes em licitações

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação em Wenceslau Guimarães (BA), na manhã desta quinta-feira (16), que tem como alvo o prefeito Gabriel de Parisio (MDB).

A operação investiga supostas fraudes em processos licitatórios realizados pela gestão

Segundo informações do Políticos do Sul, como não havia ninguém no imóvel, os agentes precisaram arrombar a porta para cumprir a diligência.Há suspeita de que Gabriel de Parisio mantém ligação com o deputado federal Dal Barreto (União Brasil), que foi alvo da sexta fase da Operação Overclean.

Prefeita baiana ameaçou exonerar servidores que não apoiassem reeleição Keinha (PDT), teria intimidado servidores comissionados e contratados em Araci

A prefeita do município de Araci, região sisaleira da Bahia, María Betivania Lima da Silva, conhecida como Keinha (PDT), foi condenada pela Justiça Eleitoral, por abuso de poder político, no período eleitoral do ano passado. A gestora ainda foi multada em R$ 150 mil reais.A coligação “Pra Cuidar da Nossa Gente”, responsável por mover a ação, apontou práticas de assédio eleitoral, exonerações e ameaças aos servidores públicos por questões políticas.Keinha foi acusada de ter usado a posição de prefeita e candidata à reeleição, para intimidar servidores com cargos comissionados e contratados, que não estivessem apoiando a candidatura. Durante um discurso na inauguração do comitê, Keinha teria ameaçado exonerar funcionários ligados a adversários Ameaça

Na fala, a prefeita afirmou que no evento, havia gente com “cargo de confiança e contratado, porém estaria vendo que caminhavam com vereador da oposição”.

E reforçou: “Não aceito. Estou vendo aqui uns quatro. Vou chamar de porta em porta e pedir para escolher a família 12 ou pega os panos e vaza’”. É bom lembrar que 12 foi o número da candidata, número usado pela sigla PDT.

Vale lembrar ainda, que durante o período eleitoral e até a posse para um eventual novo mandato, os postulantes que mantém cargos no Executivo não podem nomear, contratar, demitir sem justa causa, transferir ou exonerar

A exceção fica para os funcionários comissionados, ou seja, mesmo que a prática seja uma forma de ameaça e pressão política, a possível exoneração está dentro da lei.

A sentença determinou ainda, que nos próximos anos, seja proibida também a exigência de título de eleitor como critério de inscrição na Copa Rural de Araci, sob pena de multa. A decisão cabe recurso.

COP30: MPF fortalece a luta pela regularização fundiária de terras indígenas no sul da Bahia

Foto em close mostra os pés adornados com ornamentos indígenas

Foto Ilustrativa: Funai, com adaptações

Os primeiros a pisar nesta terra e os últimos a terem seus direitos reconhecidos. Há mais de 500 anos, quando os portugueses aportaram no litoral sul da Bahia, Pataxós e Tupinambás já habitavam aquelas margens, pescavam nos rios e conheciam cada pedaço da mata. Foi também ali que começou a história oficial do Brasil, e, junto dela, a história das invasões, violências e desrespeitos contra os povos originários.

Passados mais de cinco séculos, a luta pela demarcação e pela preservação de seus territórios continua. Hoje, ela ganha novos contornos, somando-se à pauta global por justiça climática. Um dos grandes aliados das lutas desses povos, o Ministério Público Federal (MPF) vem trabalhando para que o Estado brasileiro respeite e fortaleça os povos originários do sul da Bahia.

A proteção das terras indígenas é um instrumento fundamental para a conservação ambiental e um dos temas de discussão da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro de 2025 em Belém (PA).

Se o governo brasileiro cumprir suas responsabilidades na COP 30, além de corrigir uma injustiça histórica no sul da Bahia, beneficiará aproximadamente 9,5 mil indígenas das etnias Pataxó e Tupinambá. Permitirá, ainda, a regularização de cerca de 109,5 mil hectares de Mata Atlântica, um bioma com grande potencial para ajudar a mitigar os impactos das mudanças climáticas.

em compasso de espera e frustração

Apesar de sua importância, os processos de demarcação de três Terras Indígenas (TI) — Barra Velha do Monte Pascoal, Tupinambá de Olivença e Tupinambá de Belmonte — estão paralisados há mais de uma década. Os respectivos Relatórios Circunstanciados de Identificação e Delimitação (RCIDs), a primeira etapa para o reconhecimento de uma terra indígena, foram publicados em 2008, 2009 e 2013, e as contestações já estão superadas. Nenhuma pendência. Porém, o governo segue sem passar para a etapa seguinte, que é declarar oficialmente essas áreas, o que tem intensificado conflitos fundiários, grilagem, desmatamento, avanço do agronegócio e outras formas de degradação ambiental.

“Não há mais qualquer impedimento jurídico ou técnico que justifique o atraso na publicação das portarias. O que se observa é um verdadeiro quadro de omissão estatal, que viola frontalmente os direitos fundamentais dos povos indígenas, garantidos constitucional e internacionalmente”, afirma o procurador da República Ramiro Rockenbach.

A situação é praticamente a mesma na Terra Indígena Comexatibá. O Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) foi aprovado pela Presidência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2015. Em agosto deste ano, a Diretoria de Proteção Territorial (DPT) da Funai atestou a permanência das famílias indígenas pataxó no território delimitado desde antes da data de promulgação da Constituição de 1988, fato que afasta a aplicabilidade da tese do marco temporal para fins de caracterização da tradicionalidade da ocupação indígena. O território foi atacado mais uma vez no último dia 1º de outubro e dois indígenas foram feridos por disparos de arma de fogo.

“Até quando teremos que perder os nossos pelos que querem o que é nosso?”

O questionamento foi feito pela cacica Cátia Tupinambá de Belmonte, em audiência pública sobre a regularização de terras indígenas na Bahia, lembrando que os três territórios em questão são apenas uma pequena porção do que já lhes pertenceu e que, mesmo esse pouco, está ameaçado.

Ao lamentar a violência sofrida e a morosidade do Estado na demarcação dos territórios, Cátia Tupinambá reforçou que a luta não é apenas por terra, mas pela garantia da própria vida e dignidade dos povos originários. “Hoje mata-se um parente nosso sem nenhum receio por conta da certeza de impunidade. É uma luta desigual, uma guerra injusta, nós com bordunas e eles com pistola”, expôs.

Para cessar essas violações, o MPF tem promovido uma atuação contínua – com medidas judiciais, administrativas e articulação interinstitucional – voltada à regularização fundiária dessas terras tradicionalmente ocupadas, para a proteção dos modos de vida ancestrais e a conservação da Mata Atlântica.

arte de intertítulo

Nos últimos anos, o MPF tem reforçado sua atuação em defesa das populações indígenas por meio da realização e participação em audiências públicas, marcadas pela escuta ativa das lideranças e pelo diálogo com órgãos do Estado.

Em 11 de março de 2024, em Salvador, o MPF reuniu, em audiência pública, dezenas de caciques, cacicas e representantes da sociedade civil. Os relatos destacaram não apenas os conflitos fundiários, como os que atingem a TI Barra Velha do Monte Pascoal e a TI Comexatibá, mas também a precariedade no acesso à saúde e educação.

 

Marcas de balas permanecem na parede Foto: Funai
Marcas de balas permanecem na parede Foto: Funai

Lideranças denunciaram ameaças constantes e cobraram transparência e celeridade na investigação de crimes, lembrando que cerca de 80% das pessoas protegidas pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas na Bahia são indígenas.

“Nem mais uma gota de sangue na terra indígena na Bahia”. O forte apelo foi feito pela cacica Tupinambá Maria Valdelice durante a audiência pública.

Maria Valdelice destacou a luta do povo Tupinambá de Olivença pela reconquista do seu território. Segundo a anciã, atualmente 8 mil indígenas ocupam 47.376 hectares, vivendo de pequenas roças e com muita dificuldade, pois, sem estradas, os governos federais, estaduais e municipais não chegam à aldeia para implementar uma infraestrutura básica.

“Muito sangue foi derramado e ainda continuamos sem o território demarcado. A gente sente na alma que não estamos lutando mais para nós, estamos lutando para a próxima geração Tupinambá que está chegando”, constatou a cacica.

A cacica lamentou a invasão pelos grandes negócios, como hotelaria e mineração que, sem a conclusão dos processos de demarcação, seguem se apropriando da terra indígena.

Foto de auditório Um ano depois, em 11 de março de 2025, na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, o MPF e a Defensoria Pública da União (DPU) cobraram do governo federal explicações e prazos concretos sobre a demora na assinatura das portarias declaratórias das Terras Indígenas Barra Velha do Monte Pascoal, Tupinambá de Olivença e Tupinambá de Belmonte.

Durante a audiência, lideranças continuaram denunciando a permanência de violações de direitos e os riscos trazidos pela ausência de demarcação, como o aumento da violência, invasões e ameaças contra as comunidades.

Diante da gravidade, o MPF encaminhou ofício ao Ministério da Justiça cobrando esclarecimentos sobre entraves técnicos ou jurídicos que ainda impedem a conclusão dos procedimentos e reforçou que a regularização das terras é condição essencial para frear a violência e assegurar a sobrevivência cultural e física dos povos indígenas.

“A regularização das terras indígenas, é sabido, se arrasta indefinidamente. Sem seus territórios devidamente definidos, os povos indígenas seguem sofrendo toda espécie de afrontas e violações. É quase uma reprodução do período colonial, diante de promessas legais e constitucionais que nunca se cumprem. O governo brasileiro precisa dar exemplo na COP30 e declarar as terras indígenas onde o processo de colonização começou (e ainda não terminou). Tem que declarar as Terras Indígenas Barra Velha do Monte Pascoal, Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte e Comexatíbá”, ressaltou o procurador da República Ramiro Rockenbach.

Como desdobramento da audiência pública em Brasília, o MPF encaminhou ao Ministério da Justiça uma nota técnica assinada pelo Grupo de Trabalho de Demarcação da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais  do MPF e por procuradores da República na Bahia.

O documento reforça a obrigação constitucional do governo federal de assinar as portarias declaratórias das TIs Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte e Barra Velha do Monte Pascoal. E, agora, também a TI Comexatibá. Segundo o MPF, a demora viola direitos constitucionais, fragiliza a proteção socioambiental e pode gerar responsabilização internacional, já que o Brasil descumpre recomendações de organismos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Enquanto aguardam uma resposta do governo brasileiro sobre o destino de suas terras, os povos assistem o patrimônio natural ser dilapidado. “Nossas águas, matas, peixes, caças, pássaros e, junto, a nossa tranquilidade… já foi tudo devastado, foi tudo levado. O que resta é um pouco do nosso povo que, não tendo mais o que fazer ou o que perder, estamos perdendo a nossa vida, os nossos parentes. É o nosso povo, o nosso direito, o nosso território, o nosso sangue se esvaindo a cada dia”, alarmou o cacique Alvair Pataxó, vice-presidente do Conselho de Caciques do Território Indígena Barra Velha do Monte Pascoal. De acordo com a liderança, as mesmas dificuldades são enfrentadas nos três territórios.

“A gente sabe que existe um grande interesse nessas terras indígenas. A força truculenta do capitalismo, do agronegócio, tudo o que é ruim e não presta, vai trazendo a violência para o nosso povo, para o nosso território. Enquanto essas portarias não forem assinadas, a situação só irá piorar”, concluiu o cacique Alvair Pataxó.

Além das ações voltadas à demarcação de terras, o MPF atua em outras frentes para garantir os direitos dos povos e comunidades tradicionais. Em agosto de 2022, criou o Fórum em Defesa das Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais, resultado de reuniões com mais de 40 povos, órgãos públicos e entidades parceiras. O espaço, de caráter permanente, promove debates periódicos e organiza grupos de trabalho sobre temas como acesso à água, saúde, educação e a regularização de territórios.

Do Fórum também surgiu uma carta ao presidente da República, assinada por mais de 125 entidades, que reúne propostas e diagnósticos sobre a situação de indígenas, quilombolas, ciganos e povos de terreiro na Bahia. O documento denuncia o histórico de violência e conflitos e aponta que quase 94% das comunidades quilombolas certificadas no estado ainda não têm relatório técnico para titulação. Entre as medidas propostas, estão um plano de atuação com metas e prazos, a criação de força de segurança especializada para áreas de conflito, o mapeamento de terras públicas e a garantia do direito à consulta prévia, livre e informada.

retranca

Além das medidas administrativas, o MPF atua no campo judicial para assegurar a participação efetiva dos povos indígenas em decisões que impactam seus territórios. Um exemplo é o pedido de suspensão das licenças ambientais concedidas à Usina Hidrelétrica (UHE) de Itapebi, localizada no extremo sul da Bahia, por ausência de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas afetadas.

O objetivo é evitar a perpetuação dos impactos socioeconômicos prejudiciais causados pelo empreendimento, que alterou negativamente as condições ambientais necessárias à reprodução física e cultural dos povos das TIs Tupinambá de Belmonte e Encanto da Patioba, segundo seus usos, costumes e tradições. O MPF solicita a anulação de todas as licenças ambientais concedidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no licenciamento da UHE Itapebi e requer que a União, o Ibama, a Itapebi Geração de Energia e a Neoenergia sejam condenados a pagar indenização por danos morais coletivos de pelo menos R$ 5 milhões, valor que deverá ser revertido em políticas públicas voltadas às duas comunidades indígenas afetadas.

indígenas celebram
Foto: Funai

Em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o MPF e os povos tiveram importantes vitórias. Este ano, o Tribunal extinguiu duas ações propostas por particulares que exigiam a posse de duas fazendas na Terra Indígena Tupinambá de Olivença. Já em maio, o TRF1 revisou decisão de primeira instância e reconheceu o direito do povo Pataxó à posse da área da Fazenda Araponga, que integra a TI Barra Velha do Monte Pascoal,

A regularização formal dos territórios é apenas uma etapa no amplo processo de reconhecimento dos direitos desses povos. “Mais que declarar a posse dos indígenas sobre seus territórios tradicionais, é também fundamental a adoção de medidas planejadas para proteger as áreas e para reparar os danos socioambientais. É preciso assegurar as mais diversas políticas públicas do governo federal em favor dos povos originários para que possam viver e se desenvolver, com a adequada preservação ambiental, de forma a contribuir (como sempre contribuíram) com o equilíbrio ecológico na Bahia, no Brasil e no Planeta Terra”, conclui o procurador da República Marcos André Carneiro Silva.

Infográfico: Quais os passos para a demarcação de uma terra indígena?

Contagem regressiva – Até o dia 9 de novembro, véspera do início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, no Pará, serão publicadas 50 matérias sobre a atuação do Ministério Público Federal na proteção do meio ambiente, das populações mais vulneráveis e dos direitos humanos. A ação de comunicação faz parte da campanha MPF: Guardião do Futuro, Protetor de Direitos.