PGR chegou a pedir prisão de Witzel, mas STJ só autorizou o afastamento do governador:: ‘justiça’
Advogado e outras oito pessoas são presas por associação criminosa em Eunápolis; radialista está foragido
Com informações do site Radar64
Nove pessoas foram presas durante uma operação das polícias Civil e Militar, em Eunápolis, no início da manhã desta sexta-feira (04). O grupo, que era liderado por um advogado, é investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE), por extorsão, associações criminosas, fraude processual, dentre outros crimes. Os mandados de prisão preventiva e busca e apreensão foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Eunápolis.
A operação é um desdobramento de um inquérito iniciado em julho do ano passado, quando um grupo de trabalhadores rurais sem-terra atacou funcionários de uma empresa de segurança terceirizada pela Veracel em uma fazenda na zona rural de Eunápolis. Parte das pessoas presas na ação teve direito à liberdade provisória, mas deveriam cumprir medidas alternativas impostas pela Justiça. No entanto, eles desobedeceram as ordens judiciais e tiveram as prisões preventivas decretadas.
Um dos presos é o advogado Mário Júnior Pereira Amorim. A conduta do acusado motivou o nome da operação, que foi intitulada Rábula – termo utilizado para designar advogado inescrupuloso.
“O advogado tem como estratégia denunciar o Ministério Público, o Judiciário, as polícias, ou qualquer outra autoridade contrária à sua vontade particular. O grupo chegou até a criar um blog para montar material e disseminar fake news”, informou o coordenador da 23ª Coorpin, delegado Moisés Damasceno.
Outras três pessoas permanecem foragidas, dentre eles o radialista Jean Ramalho, que atuava na extinta 98 FM. A polícia tenta localizá-los.
Durante o cumprimento do mandado foram apreendidos eletroeletrônicos e documentos diretamente ligados à investigação.
Cinco vereadores de Mogi são presos em operação; investigação do MP aponta que empresários compravam apoio para aprovar leis
A Polícia Militar prendeu na manhã desta sexta-feira (4) cinco vereadores de Mogi das Cruzes e três empresários por suspeita de envolvimento em corrupção. A investigação aponta que os empresários compravam apoio para aprovar leis encomendadas por eles. A polícia ainda busca por um sexto vereador, dois empresários e um funcionário da Câmara. A reportagem procura pela defesa dos suspeitos.
Vereadores presos por suspeita de corrupção em Mogi das Cruzes — Foto: Rodrigo Niemeyer/Câmara de Mogi
A operação “Legis Easy” faz parte de uma investigação da Promotoria do Patrimônio Público e envolve, ao todo, 12 mandados de prisão, sendo que oito foram cumpridos durante a manhã. Policiais estão nas ruas na tentativa de cumprir outros quatro.
Os vereadores presos preventivamente são Carlos Evaristo da Silva (PSB), Diego de Amorim Martins (MDB) – o Diegão, Francisco Moacir Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB). Também foram presos, segundo a promotoria, Carlos César Claudino de Araújo, empresário e irmão de Mauro Araújo, que seria o operador financeiro do esquema; e os empresários Joel Leonel Zeferino e Willian Casanova, do ramo da construção civil, sendo que o último também é funcionário da Câmara.
Resumo
- Cinco vereadores de Mogi das Cruzes foram presos por suspeita de corrupção na Câmara e em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde e com o Semae
- São 12 mandados de prisão, 8 já cumpridos
- A polícia ainda procura por um sexto vereador, dois empresários e um funcionário da câmara que também tiveram a prisão decretada
- Três empresários foram presos na operação, dois deles do ramo da construção civil
- A investigação aponta compra de apoio de parlamentares para aprovar leis encomendadas pelos empresários
- De acordo com a Promotoria do Patrimônio Público, as empresas com contrato com a administração pública repassam dinheiro para empresas ligadas ao Mauro Araújo, que, depois, repassam para os vereadores em troca de apoio político
- O vereador Francisco Moacir Bezerra passou mal e foi levado para atendimento pelo Samu
Ainda segundo o Ministério Público, ao todo são 12 mandados de busca e apreensão, além dos 12 de prisão. A investigação é continuidade de uma operação realizada no gabinete do vereador Mauro Araújo em novembro de 2019, quando houve a apreensão de celulares e documentos. Também foi decretada a quebra de sigilo bancário.
Depois de preso, o vereador Francisco Moacir Bezerra passou mal e foi levado para atendimento pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
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Carlos Evaristo e Chico Bezerra, que precisou ser atendido pelo Samu ao passar mal após ser preso — Foto: Alessandro Batata/TV Diário
Além de empresário Willian Casanova também é consultor de assuntos governamentais da Câmara de Mogi das Cruzes. A folha de pagamento de maio, a última publicada pelo site do Legislativo, indica salário bruto de R$ 10.374,23.
A investigação
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Viaturas da Polícia Militar que participam de operação do Ministério Público em Mogi das Cruzes — Foto: Alessandro Batata/TV Diário
De acordo com a promotoria, a investigação aponta corrupção na Câmara e em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes e com o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae).
Por meio de cruzamentos de dados entre conversas de WhatsApp, documentos e quebra de sigilo bancário, a promotoria identificou três empresas usadas para lavar dinheiro e quem eram os beneficiados pelos repasses financeiros.
Segundo o MP, as empresas são a WA, de Mauro Araújo; a MLC do irmão dele, Carlos César Claudino de Araújo; e a Casanova Mix, uma empresa da área de materiais de construção de Willian Casanova. As empresas, então, segundo a investigação repassavam dinheiro para outros vereadores.
A verba, de acordo com o Ministério Público, servia para comprar apoio na Câmara para aprovar leis encomendadas pelos empresários. O esquema, de acordo com a Promotoria do Patrimônio Público, envolvia empresas com contrato com a administração pública, que repassam para empresas ligadas ao Mauro Araújo, que, depois, repassam para os vereadores em troca de apoio político
Você tem direito à usucapião rural?

A usucapião é um direito adquirido após o exercício contínuo da posse de um imóvel. Esse instituto é baseado no direito à moradia, bem como sua função social. Assim, se você mora em um imóvel há anos, não há contestação sobre o exercício da posse (por exemplo, você nem aluguel paga), pode ser que tenha direito à usucapião.
No Brasil, existem várias maneiras de adquirir um imóvel através dessa via, no entanto, aqui falaremos exclusivamente da modalidade rural da usucapião.
Esta é uma modalidade de usucapião que possui tempo mínimo de exercício da posse por 5 anos contínuos, sem contestação. No entanto, estes não são os únicos requisitos caso você queira usucapir um bem com base nessa modalidade.
A usucapião rural é exclusiva para imóveis e terras rurais, ou seja, se o imóvel que você deseja usucapir se encontra em área urbana, você não seguirá essa modalidade. Também é preciso lembrar que essa modalidade é regulada pelo Estatuto da Terra, pela Lei 6.969/81 e pela Constituição Federal, que garantem a função social da terra.
Assim, pessoas sem condições poderão ter uma moradia, garantir seus sustento e a movimentação da economia local através do uso da terra.
Em outras palavras, você terá direito à usucapião rural caso a terra que você tenha ocupado estivesse ociosa e você, ao exercer sua posse por 5 anos, garantiu que ela cumprisse sua função social.
Além disso, a propriedade não pode ter mais de 50 hectares e você não pode possuir nenhum outro imóvel, seja ele rural ou urbano.
Por fim, se você acredita que possui direito à usucapião, aconselhamos que procure um advogado especializado no tema para te auxiliar.
PGR fecha dez acordos de delações premiadas contra parlamentares e estados
Foto: Roberto Jayme/ Ascom /TSE
A Procuradoria Geral da República fechou dez acordos que dão um novo impulso à negociação de delações premiadas. As investigações podem atingir parlamentares do Congresso Nacional e esquemas de corrupção nos estados, incluindo o Poder Judiciário. As informações são do jornal O Globo.
Segundo a reportagem, nenhuma das novas delações é desdobramento das investigações da força-tarefa da Lava Jato. Nos últimos meses, o procurador Augusto Aras vem criticando os procuradores da operação em Curitiba, que encaram como incerta a prorrogação da atual estrutura da força-tarefa, até que se defina a transição para um novo modelo de trabalho.
Aras foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro e assumiu o cargo em setembro de 2019. Desde então, vem sendo cotado para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta dos acenos feitos ao chefe do Poder Executivo.
Avião de Dona Maria trazia cocaína duas vezes no mês para Vitória da Conquista Era trazido em média 200kg do entorpecente, o equivalente a R$ 6 milhões
Pelo menos duas vezes no mês, durante um ano e meio, o avião da traficante Jasiane Silva Teixeira, 31 anos, a “Dona Maria”, decolou de países que fazem fronteira com o Brasil, produtores da pasta base de cocaína, para abastecer o comércio da droga e também de armas nas regiões sudoeste e extremo sul da Bahia. A aeronave transportava em média 200kg do entorpecente, o equivalente a R$ 6 milhões.
O avião estará no segundo leilão da Polícia Civil, que será realizado na próxima segunda-feira (31). Além da aeronave, custodiada em Vitória da Conquista, mais 22 automóveis serão oferecidos. Apontada pela polícia como a maior traficante do estado, Jasiene foi capturada no dia 25 de setembro do ano passado, na cidade de São Paulo. Na ocasião, a Polícia Civil baiana informou que um avião apreendido em 2018, numa fazenda em Vitória da Conquista era da quadrilha de Josiane, o Bando do Neguido (BDN). Ela foi solta por habeas corpus expedido pelo Tribunal de Justiça da Bahia no dia 11 de fevereiro, antes do Carnaval.
A aeronave, um monomotor modelo Cessna Aircraft, prefixo PR-OIE, está avaliada em mais de R$ 1,5 milhão e cabe até oito pessoas. É o modelo usando constantemente para o tráfico internacional de drogas e armas. “Devido a facilidade de pouso em pistas clandestinas. No GPS periciado foi constatado que fazia pousos em pistas clandestinas pelo Brasil e no exterior. Não é à toa que esse modelo é usado também por garimpeiros em explorações ilegais no país”, declarou o titular da DTE/Vitória da Conquista, delegado Neuberto Costa Souza.
Segundo a investigação da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) de Vitória da Conquista, de 15 em 15 dias, a droga era trazida da Bolívia, Peru, Venezuela e Colômbia, países vizinhos do Brasil, produtores de cocaína. Antes de chegar à Bahia, o avião pousava no Pará para refinar a pasta base da droga. “Em Conquista, a cocaína era distribuída para o extremo sul, precisamente para Itabuna e Ilhéus. Uma média de 200 quilos por mês. O valor do kg varia entre R$ 20 mil e R$ 30 mil”, contou o titular da DTE/Vitória da Conquista, delegado Neuberto Costa Souza.
O avião foi apreendido no dia 20 de outubro de 2018 em uma pista clandestina, em uma fazenda, na região da Baixa do Cocá, distante 37 km de Conquista. Foram presos os paraenses Diogo Túlio Pereira Dionísio (piloto) e Francisco Cleiton Passos de Oliveira, além do baiano Lázaro Santos Sacerdote. O trio tinha acabado de distribuir uma carga e planeja retornar para uma outra viagem.
De acordo com a DTE de Conquista, os presos são uma cédula de uma organização criminosa que atuam no país inteiro. “Tanto que após essa prisão, outras da organização foram realizadas no país inteiro, principalmente no Pará”, disse o delegado Nauberto. Segundo ele, a cédula não exclusiva de uma facção ou quadrilha. “Nessa questão de tráfico internacional, distribuía para todo mundo. Não tinha essa de grupo A, B ou C”, disse.
A organização criminosa também atua em Salvador. “É mesmo grupo, mas só que utiliza outras aeronaves para Salvador, uma outra rota. Isso está sendo apurado em sigilo pela justiça federal, por se tratar de tráfico internacional”, declarou o delegado.
STJ afasta Witzel do cargo por suspeitas de irregularidades na saúde; vice é alvo de buscas
STJ afasta governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC); PF prende Pastor Everaldo
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, nesta sexta-feira (28), o afastamento imediato, inicialmente por seis meses, do governador Wilson Witzel (PSC) do cargo por irregularidades na saúde. O vice-governador, Cláudio Castro – que assume o cargo é alvo de mandado de busca.
O afastamento é uma das decisões da Operação Tris in Idem, que até a última atualização desta reportagem tinha prendido cinco pessoas — uma delas é o Pastor Everaldo.
A decisão ainda proíbe o acesso de Witzel às dependências do governo do estado e a sua comunicação com funcionários e utilização dos serviços.
O governador e outras oito pessoas, incluindo a primeira-dama Helena Witzel, também foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção.
As diligências foram autorizadas pelo ministro Benedito Gonçalves. A PGR pediu a prisão de Witzel, mas o STJ negou.
“O grupo criminoso agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em plena pandemia da Covid-19, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas, em total desprezo com o senso mínimo de humanidade e dignidade“, destacou o ministro do STJ na decisão.
A defesa de Witzel disse que “recebe com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade”.
“Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis”, diz a nota.
PGR chegou a pedir prisão de Witzel, mas STJ só autorizou o afastamento do governadorPastor Everaldo preso
Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC, foi preso na operação. O pastor foi candidato à Presidência da República em 2014 e também ao Senado em 2018.
Em nota, a defesa dele declarou que “o pastor sempre esteve à disposição de todas as autoridades e reitera sua confiança na Justiça”.

Pastor Everaldo é levado para a sede da Polícia Federal
No total, são 17 mandados de prisão, sendo seis preventivas e 11 temporárias, e 72 de busca e apreensão.
Mandados de prisão confirmados:
- Pastor Everaldo, presidente do PSC (preso);
- Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico;
- Sebastião Gothardo Netto, médico e ex-prefeito de Volta Redonda (preso);
- Filipe de Almeida Pereira, filho do pastor Everaldo (preso);
- Alessandro Duarte, empresário (preso);
- Cassiano Luiz, empresário (preso).
Mandados de busca e apreensão confirmados:
- contra a primeira-dama, Helena Witzel, no Palácio Laranjeiras;
- contra Cláudio Castro, vice-governador;
- contra André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa (Alerj);
- contra o desembargador do Trabalho Marcos Pinto da Cruz.
Os mandados estão sendo cumpridos também em outros endereços nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe, Piauí e no Distrito Federal.
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Pastor Everaldo Dias Pereira Presidente do Partido PSC foi preso na manha desta sexta-feira (28/08), em operacao Placebo da Policia Federal, no Rio de Janeiro. O STJ afastou do cargo o Governador Wilson Witzel, por irregularidades na Secretaria de Saude no estado. 28/08/2020 – Foto: — Foto: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
Witzel se tornou governador do Rio como esperança no combate à corrupção; veja histórico
Nove denunciados
A Procuradoria-Geral da República denunciou Witzel e mais oito pessoas por corrupção.
A acusação leva em conta pagamentos efetuados por empresas ligadas ao empresário Mário Peixoto ao escritório de advocacia de Helena Witzel, mulher do governador.
Também são objeto da denúncia pagamentos feitos por empresa da família de Gothardo Lopes Netto, médico e ex-prefeito de Volta Redonda, ao escritório da primeira-dama.
Conforme consta da acusação encaminhada ao STJ, a contratação do escritório de advocacia consistiu em artifício para permitir a transferência indireta de valores de Mário Peixoto e Gothardo Lopes Netto para Wilson Witzel.
Denunciados:
- Wilson Witzel
- Helena Witzel
- Lucas Tristão
- Mário Peixoto
- Alessandro Duarte
- Cassiano Luiz
- Juan Elias Neves de Paula
- João Marcos Borges Mattos
- Gothardo Lopes Netto.
Operação Tris in Idem
A operação, batizada de Tris in Idem, é um desdobramento da Operação Favorito e da Operação Placebo – ambas em maio, e da delação premiada de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde.
O nome é uma referência ao terceiro governador que, segundo os investigadores, faz uso de um esquema semelhante de corrupção – em menção oculta aos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta três níveis do esquema:
- A caixinha da propina;
- Os restos a pagar;
- Sobras de duodécimos.
Caixinha da propina
A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que foi criada uma “caixinha de propina”, abastecida pelo direcionamento de licitações de organizações sociais (OSs).
“Agentes políticos e servidores públicos da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro eram ilicitamente pagos de maneira mensal pela organização criminosa”, diz a PGR.
Uma das operações suspeitas objeto da operação é a contratação da OS Iabas para gerir os hospitais de campanha idealizados para o tratamento de pacientes da covid-19.
Restos a pagar
A PGR suspeita também que o Poder Judiciário possa ter sido utilizado para beneficiar agentes com vantagens indevidas.
Segundo os procuradores, um esquema arquitetado por um desembargador do Trabalho beneficiaria as OSs do grupo criminoso por meio do pagamento de dívidas trabalhistas judicializadas.
“Essas OSs, que tinham valores a receber do estado, a título de ‘restos a pagar’, tiveram a quitação das suas dívidas trabalhistas por meio de depósito judicial feito diretamente pelo governo do Rio”, afirmou a PGR.
“Para participar do esquema criminoso, as OSs teriam que contratar uma advogada ligada ao desembargador que, após receber seus honorários, retornaria os valores para os participantes do ilícito”, continuaram os procuradores.
A PGR explicou que “em geral é bastante dificultoso” receber esses restos a pagar, mas, mediante “um pagamento mensal estabelecido no plano”, entravam no Plano Especial de Execução na Justiça do Trabalho e obtinham a certidão negativa de débitos trabalhistas.
Sobras de duodécimos
A PGR apurou que “alguns deputados estaduais podem ter se beneficiado de dinheiro público desviado”.
Segundo a denúncia, a Alerj direcionava as sobras de seus duodécimos.
Por lei, o duodécimo é um repasse devido e obrigatório do Executivo ao Legislativo e ao Judiciário — poderes que não têm renda própria.
Ainda segundo a lei, o que sobra dessa “mesada” deve voltar aos cofres do Executivo. Mas, no esquema da Tris in Idem, o dinheiro não usado acabava embolsado pelos parlamentares, em uma sequência de repasses.
“Dessa conta única, os valores dos duodécimos ‘doados’ eram depositados na conta específica do Fundo Estadual de Saúde, de onde era repassado para os Fundos Municipais de Saúde de municípios indicados pelos deputados, que, por sua vez, recebiam de volta parte dos valores”, explicaram os procuradores.
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PF cumpriu mandados em cobertura onde mora o Pastor Everaldo — Foto: Reprodução/TV Globo
A Operação Placebo, 26 de maio
Em maio, Witzel e a mulher foram alvo de mandados de busca e apreensão da PF, expedidos pelo STJ.
A PF buscava provas de supostas irregularidades nos contratos para a pandemia. A Organização social Iabas foi contratada de forma emergencial pelo governo do RJ por R$ 835 milhões para construir e administrar sete hospitais de campanha.
A investigação, que também versou sobre os contratos da saúde, encontrou um “vínculo bastante estreito e suspeito” entre a primeira-dama e as “empresas de interesse de Mário Peixoto”.
A PGR afirma que o escritório de advocacia de Helena Witzel firmou um contrato de prestação de serviços com a DPAD Serviços Diagnósticos, que é ligada a Peixoto.
Documentos relacionados a pagamentos para a esposa do governador teriam sido encontrados no endereço eletrônico de dois homens apontados como operadores financeiros do empresário preso.
As empresas de Peixoto têm contrato com o governo desde a gestão de Sérgio Cabral (MDB) e os mantêm na de Witzel. Segundo o Ministério Público Federal, a manutenção dos acordos se deu por meio do pagamento de propina.
Operação Favorito, 14 de maio
O desdobramento da Lava Jato prendeu, entre outras pessoas, o ex-deputado estadual Paulo Melo e o empresário Mário Peixoto.
Peixoto e Melo, que já foram sócios, acabaram presos porque surgiram indícios de que o grupo do empresário estava interessado em negócios em hospitais de campanha.
O alvo seriam as unidades montadas pelo estado — com dinheiro público — no Maracanã, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos e Casimiro de Abreu.
Somente as duas primeiras foram abertas parcialmente, após sucessivos atrasos.
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Viaturas da PF na porta do Palácio Laranjeiras — Foto: Reprodução/TV Globo
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Witzel — Foto: Divulgação/Governo RJ
O que dizem os citados
Em nota, o governador Wilson Witzel afirma que recebeu com surpresa a decisão de afastamento do cargo, que considera que foi “tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade”. Os advogados dele aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis.
A assessoria do Pastor Everaldo informou que ele sempre esteve à disposição das autoridades e reitera sua confiança na Justiça.
O PSC informou que o ex-senador e ex-deputado Marcondes Gadelha, vice-presidente nacional da legenda, assume provisoriamente a presidência, com a prisão de Pastor Everaldo. O calendário eleitoral do partido segue sem alteração.
Íntegra da nota de Wilson Witzel
A defesa do governador Wilson Witzel recebe com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade. Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis.
Íntegra da nota de Pastor Everaldo
O Pastor Everaldo sempre esteve à disposição de todas as autoridades e reitera sua confiança na Justiça.
Íntegra da nota do PSC
O ex-senador e ex-deputado Marcondes Gadelha, vice-presidente nacional do PSC, assume provisoriamente a presidência da legenda.
O calendário eleitoral do partido nos municípios segue sem alteração.
O PSC reitera que confia na Justiça e no amplo direito de defesa de todos os cidadãos.
O Pastor Everaldo sempre esteve à disposição de todas as autoridades, assim como o governador Wilson Witzel.
CNJ afasta e processa sete magistrados do TJ-BA investigados em esquema de venda de decisões judiciais para grilagem de terras

Caso sejam condenados, os magistrados podem responder a seis penas. Conforme o CNJ, elas são, em ordem crescente de gravidade: advertência, censura, remoção compulsória, disponibilidade, aposentadoria compulsória (estas duas últimas acompanhadas de vencimentos proporcionais ao tempo de serviço) e demissão.
Ao longo da Operação Faroeste, foram presos:
- Maria do Socorro Barreto Santiago (desembargadora);
- Sérgio Humberto Sampaio (juiz de primeira instância);
- Adailton Maturino dos Santos (advogado que se apresenta como cônsul da Guiné-Bissau no Brasil);
- Antônio Roque do Nascimento Neves (advogado);
- Geciane Souza Maturino dos Santos (advogada e esposa de Adailton Maturino dos Santos);
- Márcio Duarte Miranda (advogado e genro da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago)
Além disso, foram afastados dos serviços no TJ-BA Maria do Socorro Barreto Santiago (desembargadora), Sérgio Humberto Sampaio (juiz de primeira instância), Gesivaldo Britto (desembargador presidente do TJ-BA), José Olegário Monção (desembargador do TJ-BA) Maria da Graça Osório (desembargadora e 2ª vice-presidente do TJ-BA) e Marivalda Moutinho (juíza de primeira instância).
Operação Faroeste
- A primeira fase da Operação Faroeste ocorreu em 19 de novembro, com a prisão de quatro advogados, o cumprimento de 40 mandados de busca e apreensão e o afastamento dos seis magistrados.
- No dia 20 de novembro, a Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) instaurou procedimento contra os magistrados do TJ-BA.
- Três dias depois, a Polícia Federal prendeu o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, da 5ª vara de Substituições da Comarca de Salvador, em um desdobramento da Operação Faroeste.
- Em 29 de novembro, a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), foi presa. Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), Maria do Socorro estaria destruindo provas e descumprindo a ordem de não manter contato com funcionários. Indícios sobre isso foram reunidos pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF).
- Em dezembro ocorreu outras fase batizada de Estrelas de Nêutrons, quando quatro mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de obter provas complementares da possível lavagem de ativos. Os alvos foram um joalheiro e e um advogado.
- Em março de 2020, ocorreu outra fase da operação. A desembargadora Sandra Inês foi presa na época.
- Em abril deste ano, a desembargadora Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo foi exonerada do cargo de Supervisora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).
- No início de maio, a Corte Especial do STJ decidiu tornar réus quatro desembargadores (Gesilvaldo Britto, Maria do Socorro Barreto Santiago, José Olegário Monção e Maria da Graça Osório) e três juízes (Marivalda Moutinho, Marcio Reinaldo Miranda Braga e Sérgio Humberto Sampaio) do TJ-BA alvos da Operação Faroeste.
- No dia 21 de maio, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago.
- No dia 17 de junho, o STJ rejeitou os recursos impetrados pela desembargadora Sandra Inês, o juiz Sérgio Humberto, e dos advogados Márcio Duarte, Geciane Souza Maturino dos Santos e Adailton Maturino dos Santos.
- Em 1° de julho, foi negado, nesta quarta-feira (1º), pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, o pedido de revogação da prisão preventiva de Antônio Roque do Nascimento Neves.
- Em 2 de julho, o MPF pediu manutenção da prisão preventiva dos investigados.
Maiquinique: Ex-prefeita Minininha é denunciada ao MPE
O Tribunal de Contas dos Municípios, na sessão desta quarta-feira (26/08), realizada por meio eletrônico, julgou procedente o termo de ocorrência formulado contra a ex-prefeita de Maiquinique, Maria Aparecida Lacerda Campos, em razão de irregularidades na remuneração dos agentes políticos, no exercício de 2016. O relator do processo, conselheiro Francisco Netto, determinou a formulação de representação ao Ministério Público Estadual para que seja apurada a prática de ato de improbidade administrativa.
Os conselheiros do TCM determinaram uma multa no valor de R$5 mil. Além disso, o ressarcimento, com recursos pessoais, no valor de R$642.396,21, devido à ausência de informações quanto aos valores pagos a título de subsídios à própria prefeita, ao vice-prefeito e aos secretários municipais, além da ausência de comprovação de adimplemento de numerosas despesas.
Segundo a relatoria, a ex-prefeita teve “uma conduta não condizente para um gestor de coisa pública”, uma vez que a mesma não apresentou os esperados esclarecimentos e a documentação comprobatória correspondente para rebater as irregularidades apontadas.
Foram apontadas ausência de comprovação de pagamento em relação a diversos processos de pagamento. Houve esclarecimento de apensas um dos processos apontados na denúncia, no valor de R$8.527,51. O conselheiro Francisco Netto ressaltou que a gestora não agiu com a devida cautela, como previsto na regra de competência.
Cabe recurso da decisão.
Desembargadora atende a liminar e ex-prefeito de Ribeira do Pombal pode concorrer à prefeitura
A desembargadora Regina Helena Ramos Reis, da Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), acatou pedido de liminar do ex-prefeito de Ribeira do Pombal, José Lourenço Morais da Silva Júnior, para suspender os efeitos do decreto da Câmara Municipal que o tornou inelegível.
O agravamento imposto pela defesa do pré-candidato à prefeitura nas eleições deste ano foi feito após ter o pedido negado inicialmente pelo Juiz Paulo Ramalho de Andrade Pessoa Campos Neto, da Primeira Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis, Comercial e Registro Público.
No pedido, José Lourenço questionou sua inelegibilidade imposta pelos vereadores, já que a decisão se baseou em suas contas reprovadas pelo Tribunal de Contas dos municípios (TCM-BA) em 2012, sendo que outros anos já foram julgados. A defesa enxergou motivação política no decreto, já que o ex-prefeito é pré-candidato novamente. BNews
Gilmar Mendes sobre Bolsonaro ameaçar bater em repórter: “Inadmissível”
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse neste domingo (23/8) ser “inadmissível censurar jornalistas pelo mero descontentamento com o conteúdo veiculado”.
A declaração do magistrado ocorre após ameaça feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a um repórter do jornal O Globo.
“A liberdade de imprensa é uma das bases da democracia. É inadmissível censurar jornalistas pelo mero descontentamento com o conteúdo veiculado. G. Orwell: ‘Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade’. #liberdadedeimprensa”, escreveu Gilmar em uma rede social.
Apesar de atribuir uma frase ao escritor e jornalista George Orwell, o trecho faz parte de uma declaração de William Randolph Hearst III, magnata que mudou os jornais no final do século XIX e os transformou em um entretenimento de massas.
Mais cedo, neste domingo, enquanto visitava a Catedral de Brasília, Bolsonaro foi questionado pelo jornalista sobre os depósitos feitos pelo ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro (entenda mais abaixo).
“Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?”, respondeu o presidente.
Após a reação de Bolsonaro, outros repórteres que estavam no local perguntaram ao chefe do Executivo se aquilo se tratava de uma ameaça. O presidente não respondeu aos questionamentos e deixou o local logo em seguida.
Entidades e políticos também repudiaram a atitude do presidente. O jornal O Globo afirmou que o chefe do Executivo “desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população”.
“O GLOBO repudia a agressão do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal que apenas exercia sua função, de forma totalmente profissional, neste domingo. […] Durante os governos de todos os presidentes, o GLOBO não se furtou a fazer as perguntas necessárias para cumprir o papel maior da imprensa, que é informar os cidadãos. E continuará a fazer as perguntas que precisarem ser feitas, neste e em todos os governos”, disse o jornal.










