:: 24/jul/2025 . 16:39
Ex-prefeita de Eunápolis tem contas rejeitadas e fica inelegível por 8 anos
A Câmara Municipal de Eunápolis votou, na última quarta-feira (18), a rejeição das contas da ex-prefeita Cordélia Torres, referentes ao exercício financeiro de sua gestão. A decisão — tomada por 13 votos contrários, três favoráveis e uma abstenção — contraria o parecer técnico emitido pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que havia recomendado a aprovação.
A votação foi secreta, mas não sem debate. durante a sessão, vereadores usaram a tribuna para justificar seus posicionamentos. A maioria apontou que os erros identificados pelo TCM não foram devidamente corrigidos ou esclarecidos pela ex-gestora. Entre as falhas destacadas, estão irregularidades na aplicação de recursos públicos, falta de transparência em processos administrativos e descumprimento de metas fiscais.
Com a rejeição das contas, Cordélia Torres, que governou o município com forte discurso de renovação política, entra na lista de inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa até 2033 — um golpe significativo caso planeje voltar à disputa eleitoral nos próximos anos.
“Nos bastidores, a avaliação é de que a ex-prefeita colhe agora o desgaste acumulado ao longo de sua gestão e a perda de apoio político, inclusive entre antigos aliados. A decisão da Câmara pode ter enterrado, ao menos por ora, qualquer plano de retorno à cena eleitoral da ex-chefe do Executivo municipal”,
Anuário da Segurança lista 5 cidades baianas entre as 10 mais violentas do país; Jequié sobe de 3ª para 2ª no ranking
Cinco cidades baianas estão entre as dez mais violentas do país, informou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 divulgado nesta quinta-feira (24). O estudo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, tem como base ocorrências registradas em 2024 e incluem homicídios dolosos, latrocínios [roubo seguido de morte], lesões corporais seguidas de morte e letalidade policial. As cidades pesquisadas têm 100 mil ou mais habitantes.
Conforme o estudo, a cidade mais violenta do país no último ano foi Maranguape (CE), na Região Metropolitana de Fortaleza. O município, de mais de 108 mil habitantes, contabilizou 87 mortes em 2024, atingindo taxa de 79,9 mortes por grupo de 100 mil habitantes. Assim como outras cidades do Ceará, o território reflete uma disputa sangrenta entre duas facções criminosas, o Comando Vermelho (CV) e os Guardiões do Estado (GDE), diz o Anuário.
Jequié, no Sudoeste baiano, que antes aparecia em terceiro lugar no ranking das cidades mais violentas do país do Anuário, assumiu a segunda colocação, com taxa de mortalidade de 77,6 por 100 mil habitantes. Embora tenha apresentado uma redução de 2,2% no número de mortes violentas intencionais entre 2023 e 2024, passando de 134 para 131 vítimas, a cidade permanece como uma das mais violentas do país.
O município consta ainda do ranking das maiores taxas de letalidade policial: das 131 mortes registradas pelas ações no último ano, 44 foram provocadas pelas polícias Militar e Civil, ou seja, 1 em cada 3 mortes na cidade foram provocadas por agentes estatais.
O terceiro lugar do ranking é de outro município baiano. Juazeiro, no Sertão do São Francisco, viu o número de mortes violentas intencionais crescer 9,6% no último ano e chegar a 194 vítimas, taxa de 76,2 por 100 mil. A percepção é que os casos refletem a interiorização da violência que tomou o Estado, em grande medida pela expansão de grupos criminosos.
Na cidade atuam ao menos duas facções que operam o narcotráfico segundo reportagens de imprensa: o Bonde dos Malucos (BDM) e uma dissidência deste grupo intitulada “Honda”34.
Na quarta posição entre as cidades mais violentas do país está Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A cidade, que tinha aparecido em segundo lugar no ranking do ano anterior, apresentou redução de 12,1% no número de vítimas de mortes violentas, passando de 272 mortos em 2023 para 239 em 2024.
Apesar da melhora, a taxa se mantém elevada, com 74,8 mortes por 100 mil. Depois das cidades pernambucanas de Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata, com 73,3 e 73 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente, Simões Filho, também na RMS, aparece em sétimo lugar como mais violenta do país com taxa de 71,4 mortes por 100 mil.
Foto: Divulgação / Anuário Brasileira de Segurança Pública 2025
O Anuário destaca que o “município que figura há anos entre os mais violentos do país tem sido alvo de disputas entre grupos criminosos como Bonde dos Malucos (BDM) e Comando Vermelho (CV). O oitavo e o nono lugar são ocupados pelas cidades cearenses de Caucaia e Maracanaú, com 68,7 e 68,5 mortes por 100 mil.
Feira de Santana finaliza a lista das dez violentas com taxa de 65,2 mortes por 100 mil. No ranking anterior, a segunda cidade mais populosa da Bahia, ocupava a sexta posição. Assim, mesmo com taxa ainda alta, a cidade apresentou redução de 6,5% no número de vítimas de mortes violentas intencionais.
No caso de Feira de Santana, o Anuário destacou a prisão em junho deste ano em São Paulo de uma liderança do narcotráfico vinculada à facção BDM. O fato ocorreu em uma operação conjunta da FICCO8 , o que evidencia vínculos entre a organização criminosa local e o PCC.
Anuário 2025: Bahia registra crescimento de 35% nos casos de tentativa de feminicídio
A Bahia registrou um crescimento de 35% nos casos de tentativa de feminicídios, entre 2023 a 2024. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, foram obtidas 184 situações do tipo no ano retrasado e 250 episódios no ano passado.
A quantidade de tentativas de homicídio (incluindo tentativas de feminicídio), subiu em 21% no estado, passando de 604 para 732.
De acordo com o levantamento, houve uma crescente também na proporção de feminicídios em relação aos homicídios de mulheres, entre os dois últimos anos Isso significa, que mais pessoas do sexo feminino morreram por feminicídio do que por homicídios.
A prática de feminicídio ocorre em casos de assassinato de mulher ou jovem do sexo feminino motivado por violência doméstica, ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Conforme o estudo, a proporção foi de 26,0% para 28,6% no mesmo período. Em números absolutos, de feminicídio, houve uma queda, que foi de 115 para 111 episódios do tipo.
Já a taxa desses casos se manteve em 1,5, e uma variação de -3,7% na mesma época.
Bahia é o 4º estado com mais crimes de violência sexual em 2024, aponta Anuário da Segurança Pública
A Bahia é o quarto estado com a maior quantidade de crimes de violência sexual ao longo de 2024, segundo dados do Anuário de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (24). Ao todo, o território baiano registrou 8.559 casos, representando um crescimento de 3.70% em relação a 2023, quando o anuário apontou 8.253 crimes de violência sexual.
Para o dado, a reportagem do Bahia Notícias somou os casos de assédio sexual, importunação sexual, estupro, tentativa de estupro, pornografia e exploração sexual.
Praticamente todos os crimes citados tiveram aumento na Bahia entre 2023 e 2023, com exceção dos casos de assédio sexual. Dentre as categorias, o que registrou o maior crescimento foi o “Favorecimento à Prostituição ou Outra Forma de Exploração Sexual”, com alta de 54,5%. Em seguida, o crime com maior expansão é a “Divulgação de Cena de Estupro ou de Cena de Estupro de Vulnerável, de Cena de Sexo ou de Pornografia”, com 33,8%.
Veja as estatísticas:
Tipo de crime / Casos absolutos em 2024:
- Assédio Sexual: 558 (-9,7%);
- Importunação Sexual 1.817 (+10,7%);
- Estupro e Estupro de Vulnerável: 5.323 (+1,2%);
- Tentativa de Estupro e Tentativa de Estupro de Vulnerável: 389 (+0,6%);
- Divulgação de Cena de Estupro ou de Cena de Estupro de Vulnerável, de Cena de Sexo ou de Pornografia: 455 (+33,6%);
- Favorecimento à Prostituição ou Outra Forma de Exploração Sexual: 17 (+54,3%).
O estado que liderou a estatísticas São Paulo (30.563), seguido de Minas Gerais (13.565) e Rio de Janeiro (10.428).
Ao todo, o Brasil registrou 141.573 crimes de violência sexual, sendo a maioria deles relacionados a estupro (87.545). Um detalhe é que as mulheres foram vítimas de 85% dos casos de estupro no país em 2024. Na Bahia, esse percentual sobe para 87%.
“Te dou um celular e R$ 100”: Professor tenta calar aluno após assédio sexual em escola na Bahia
Um professor da rede municipal de Guanambi, no sudoeste da Bahia, foi preso por suspeita de importunação sexual contra alunos adolescentes. A cidade está localizada a cerca de 676 km de Salvador. As informações são do portal G1.
A Polícia Civil confirmou a prisão nesta quarta-feira (23). Segundo a reportagem, o contrato do docente foi rescindido. Ele atuava na unidade de ensino desde dezembro de 2024.
O caso ocorreu na Escola Municipal Professor Celito Brito, situada no bairro Gurungas, na última segunda-feira (21). Um dos alunos, de 14 anos, relatou em juízo que o professor teria oferecido um celular, R$ 100 e uma chuteira para que ele não denunciasse a abordagem.Na terça-feira (22), o suspeito passou por audiência de custódia, na qual a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva.Em nota ao G1, a Secretaria Municipal de Educação de Guanambi informou que os fatos estão sendo “devidamente apurados pelas autoridades competentes” e que a escola já adotou as medidas legais cabíveis, incluindo a designação de um profissional qualificado para prestar apoio psicológico ao aluno e à sua família.A pasta também declarou que repudia qualquer forma de violência. “Atitudes inadequadas são inaceitáveis, pois contrariam os valores éticos fundamentais”, diz a nota.
Por fim, a secretaria afirmou que estão sendo implementadas ações para fortalecer o diálogo entre alunos, pais ou responsáveis, professores, funcionários e a gestão escolar, com o objetivo de promover o respeito mútuo e um ambiente saudável nas unidades de ensino.
Quando proteger também adoece: Crescimento de suicídios de policiais baianos acende alerta na segurança pública
Mais policiais da ativa tiraram a própria vida do que morreram em confrontos durante o serviço em 2024, na Bahia. Foram registrados cinco suicídios entre policiais militares no estado, contra dois agentes mortos em ação: um policial militar e um civil.
O cenário contrasta com a imagem tradicional de risco associado exclusivamente à atividade de combate ao crime e revela uma ferida silenciosa dentro das forças de segurança: a saúde mental dos profissionais.
Os dados integram o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24). O documento foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.De acordo com o estudo, em 2023, o estado baiano, que ocupa o sexto lugar no ranking nacional, havia registrado três suicídios entre policiais militares e nenhum caso de morte de policiais civis em serviço ou por suicídio. Já em 2024, além dos cinco suicídios, houve um aumento também nas mortes violentas fora de serviço, especialmente entre PMs, que passaram de oito para nove casos, envolvendo confrontos ou lesões não naturais.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), medidas de aperfeiçoamento do controle da atividade policial vêm sendo adotadas, a exemplo da Portaria nº 070-CG/2025, da Polícia Militar da Bahia. A medida estabelece o afastamento e acompanhamento psicológico de policiais envolvidos em ocorrências com mortes por intervenção legal, garantindo também suporte jurídico, emocional e profissional.
Essa rotina, de acordo com a análise, traz um desgaste contínuo que vai além do aspecto físico, atingindo o psicológico de maneira profunda. Essa vulnerabilidade constante afeta não só os policiais, mas também seus familiares, criando um ciclo difícil de romper.
Para que o problema seja enfrentado, os especialistas argumentam que a saúde mental dos policiais brasileiros precisa estar, também, na centralidade das políticas de segurança pública.
Cenário nacional
No Brasil como um todo, o total de suicídios entre policiais da ativa caiu de 137 para 126 entre 2023 e 2024, uma redução de 8%. Ainda assim, o número segue alto, evidenciando que a situação da Bahia não é isolada, mas parte de um problema estrutural.
Estados com altos índices de suicídios de policiais
Apesar da leve queda no número total de suicídios entre policiais da ativa no Brasil, de 137 em 2023 para 126 em 2024, alguns estados apresentaram aumentos expressivos e preocupantes. O Paraná lidera a lista com 12 casos (11 policiais militares e um civil), o dobro do registrado no ano anterior.
Logo atrás está o Rio Grande do Sul, com 16 casos em 2024, sendo 15 entre PMs e um entre civis, um aumento de 33,3% em relação ao ano anterior. No Ceará, os registros saltaram de 5 para 10, dobrando em apenas um ano e elevando a taxa local para 0,4 por mil policiais da ativa.
Outro destaque é o estado de São Paulo, que apesar de continuar entre os mais populosos e com maior efetivo policial do país, apresentou queda significativa: passou de 39 suicídios em 2023 para 17 em 2024, uma redução de mais de 50%.
Já o Distrito Federal apresentou um aumento preocupante: de 1 suicídio registrado em 2023 para 5 em 2024, o que representa uma variação de 400%. Em termos proporcionais, o Acre continua com a maior taxa de suicídio policial do país: 0,6 por mil, mesmo com “apenas” dois registros absolutos.
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