Mais policiais da ativa tiraram a própria vida do que morreram em confrontos durante o serviço em 2024, na Bahia. Foram registrados cinco suicídios entre policiais militares no estado, contra dois agentes mortos em ação: um policial militar e um civil.

O cenário contrasta com a imagem tradicional de risco associado exclusivamente à atividade de combate ao crime e revela uma ferida silenciosa dentro das forças de segurança: a saúde mental dos profissionais.

Os dados integram o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24). O documento foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.De acordo com o estudo, em 2023, o estado baiano, que ocupa o sexto lugar no ranking nacional, havia registrado três suicídios entre policiais militares e nenhum caso de morte de policiais civis em serviço ou por suicídio. Já em 2024, além dos cinco suicídios, houve um aumento também nas mortes violentas fora de serviço, especialmente entre PMs, que passaram de oito para nove casos, envolvendo confrontos ou lesões não naturais.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), medidas de aperfeiçoamento do controle da atividade policial vêm sendo adotadas, a exemplo da Portaria nº 070-CG/2025, da Polícia Militar da Bahia. A medida estabelece o afastamento e acompanhamento psicológico de policiais envolvidos em ocorrências com mortes por intervenção legal, garantindo também suporte jurídico, emocional e profissional.

Essa rotina, de acordo com a análise, traz um desgaste contínuo que vai além do aspecto físico, atingindo o psicológico de maneira profunda. Essa vulnerabilidade constante afeta não só os policiais, mas também seus familiares, criando um ciclo difícil de romper.

Para que o problema seja enfrentado, os especialistas argumentam que a saúde mental dos policiais brasileiros precisa estar, também, na centralidade das políticas de segurança pública.

Cenário nacional
No Brasil como um todo, o total de suicídios entre policiais da ativa caiu de 137 para 126 entre 2023 e 2024, uma redução de 8%. Ainda assim, o número segue alto, evidenciando que a situação da Bahia não é isolada, mas parte de um problema estrutural.

Estados com altos índices de suicídios de policiais
Apesar da leve queda no número total de suicídios entre policiais da ativa no Brasil, de 137 em 2023 para 126 em 2024, alguns estados apresentaram aumentos expressivos e preocupantes. O Paraná lidera a lista com 12 casos (11 policiais militares e um civil), o dobro do registrado no ano anterior.

Logo atrás está o Rio Grande do Sul, com 16 casos em 2024, sendo 15 entre PMs e um entre civis, um aumento de 33,3% em relação ao ano anterior. No Ceará, os registros saltaram de 5 para 10, dobrando em apenas um ano e elevando a taxa local para 0,4 por mil policiais da ativa.

Outro destaque é o estado de São Paulo, que apesar de continuar entre os mais populosos e com maior efetivo policial do país, apresentou queda significativa: passou de 39 suicídios em 2023 para 17 em 2024, uma redução de mais de 50%.

Já o Distrito Federal apresentou um aumento preocupante: de 1 suicídio registrado em 2023 para 5 em 2024, o que representa uma variação de 400%. Em termos proporcionais, o Acre continua com a maior taxa de suicídio policial do país: 0,6 por mil, mesmo com “apenas” dois registros absolutos.

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