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Primeira mulher vice presidente do Estados Unidos- Kamala Harris

“Após a eleição da chapa democrata para a presidência dos EUA, Kamala Harris será a primeira mulher – e a primeira pessoa negra ou de origem asiática – a ter o título de vice-presidente do país norte-americano.

Harris fez sua primeira manifestação pelo Twitter depois do anúncio da projeção da vitória de Joe Biden nas eleições, dizendo que essa eleição “é sobre muito mais do que Joe Biden e eu. É sobre a alma da América e nossa boa vontade em lutar por ela”. Ela também publicou um vídeo em que aparece telefonando para Biden e comemorando a vitória: “Conseguimos, Joe! Você será o próximo presidente dos Estados Unidos!”.

Harris, considerada pela campanha de Trump como pertencente à “esquerda radical” do Partido Democrata, apoia algumas das principais propostas progressistas partido, como o Medicare para todos e a política climática chamada de Green New Deal.

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Com a eleição, o nome de Harris se torna automaticamente o mais cotado para a nomeação do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 2024 – já que Biden, aos 77 anos, não deve buscar um segundo mandato.

Desde que Biden, 77, anunciou em agosto que teria uma mulher como companheira de chapa, a senadora passou a ser vista como uma escolha natural para o Partido Democrata, principalmente por causa da importância que as questões raciais ganharam nas eleições deste ano após o assassinato do afro-americano George Floyd por um policial branco e os protestos que ocorreram na sequência.

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Desta maneira, Kamala Harris se tornou a primeira mulher negra a compor uma chapa presidencial e a terceira mulher a concorrer como vice nos Estados Unidos. Ela adicionou à cédula presidencial a diversidade que faltava na pessoa de Joe Biden, homem branco, idoso e moderado – para os atuais padrões do partido – com décadas de experiência na política americana.

Filha de pai jamaicano e mãe indiana, Kamala foi a aposta do partido para atrair o voto de negros, latinos, mulheres e jovens. Em 2016, a ausência desse eleitorado, que tradicionalmente é cativo dos democratas, foi crucial na derrota de Hillary Clinton para Donald Trump.

A escolha também aponta para o caminho mais progressista que o partido democrata pretende seguir ao sair vencedor das eleições de 2020, com Harris já sendo apontada pelos mais ansiosos como uma potencial sucessora de Biden, devido à idade avançada dele.

Quem é Kamala Harris
Hoje com 56 anos, Kamala é senadora dos Estados Unidos pela Califórnia. Sua carreira política começou nos anos 2000, quando foi eleita a primeira promotora distrital negra de São Francisco. Mas foi quando assumiu a promotoria do estado, em 2010, que seu trabalho ganhou destaque e a tornou alvo de críticas tanto da esquerda quanto da direita.

A campanha democrata exaltava que, durante aquele período, Kamala “lutou pelas famílias e ganhou um acordo de US$ 20 bilhões para proprietários de casas na Califórnia contra grandes bancos que estavam executando injustamente as hipotecas”, resultado da crise econômica de 2008.

Contudo sua atuação em outros casos tiveram repercussão negativa. Pela esquerda, foi acusada de defender interesses policiais. A primeira campanha dela para a promotoria de São Francisco foi apoiada pelo sindicato da polícia local e, quando foi promotora da Califórnia, evitou intervir em casos envolvendo assassinatos pela polícia e foi criticada por não brigar por reformas policiais – uma pauta que agora vem sendo levantada por diversos promotores progressistas.

Em um debate democrata no início do ano, a deputada Tulsi Gabbard afirmou que Harris “bloqueou evidências que teriam libertado um homem inocente do corredor da morte até que ela fosse forçada a fazê-lo”.

Porém, a boa relação com os policiais não foi duradoura. Acabou quando ela se recusou a pedir pena de morte para o membro de uma gangue que assassinou um policial, ainda em seu primeiro mandato como procuradora em São Francisco. Ela defendia que a sentença era desproporcionalmente aplicada a negros.

Pela direita, Kamala foi acusada de abusar de seus poderes de investigação e promotoria para perseguir grupos políticos de tendência conservadora, como a Fundação Americanos pela Prosperidade, que critica as propostas democratas para as mudanças climáticas, e a Organização Nacional para o Casamento, que é contra o casamento homossexual e a adoção de crianças por casais gays. Segundo o National Review, ela fez parte de uma aliança de procuradores-gerais democratas que tentaram tornar crime o “negacionismo climático” .

Em 2016 foi eleita para o Senado americano, onde defendeu, entre outras coisas, o aumento do salário mínimo, os direitos de imigrantes e refugiados e o aborto. Também foi bastante crítica ao governo de Donald Trump e co-patrocinou uma legislação que tiraria a maconha da lista de substâncias controladas e eliminar o registro de crimes relacionados à droga.

Os posicionamentos atuais
A posição da vice de Joe Biden está longe de ser centrista, embora Harris pareça mais aberta ao diálogo do que figuras como o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez. Desde que entrou na corrida presidencial democrata, Kamala Harris passou a demonstrar uma tendência mais progressista, inclusive em questões relacionadas à polícia e à justiça.

Na onda dos protestos antirracismo e antipolicial, a senadora disse que “é um pensamento do status quo acreditar que colocar mais policiais nas ruas cria mais segurança. Isto é errado. É simplesmente errado”. Kamala está entre os democratas que assinaram um projeto de lei que prevê a proibição de técnicas de estrangulamentos pela polícia, bem como discriminação racial em abordagens policiais, entre outros pontos. “Como promotora de carreira e ex-procuradora-geral da Califórnia, sei que a verdadeira segurança pública exige a confiança da comunidade e a responsabilização da polícia”, declarou ao apoiar o projeto conhecido como Justice in Policing Act.

Na saúde, suas declarações sobre o controverso Medicare For All deixaram muita gente confusa. Quando era candidata à presidência, disse apoiar o projeto proposto pelo senador Bernie Sanders, de substituir completamente a cobertura privada por um sistema governamental gratuito – o que inevitavelmente levaria a um aumento de impostos. Ela chegou a afirmar em entrevista que o seguro privado de saúde nos EUA deveria ser totalmente eliminado. Porém, mudou de tática no meio do caminho e lançou a sua própria versão do programa de saúde de tendência socialista, que manteria as seguradoras privadas operando no país e cuja a implantação seria feita em longo prazo.

A sua defesa do aborto também a coloca no campo progressista do Partido Democrata. Como senadora, recebeu a avaliação máxima de uma entidade pró-escolha que dá notas aos legisladores com base nos posicionamentos a respeito do assunto. Ela votou contra um projeto de lei que limitaria o aborto às primeiras 20 semanas de gestação e apoia um projeto que torna ilegais limitações praticadas por alguns estados em relação a serviços de aborto.

“A saúde reprodutiva está sob ataque total na América hoje. Existem estados que aprovaram leis que virtualmente impedem que as mulheres tenham acesso à saúde reprodutiva. Não é exagero dizer que as mulheres vão morrer, mulheres pobres, mulheres de cor, porque essas legislaturas republicanas que estão fora de contato com a América estão dizendo às mulheres o que fazer com nossos corpos. As pessoas precisam manter as mãos longe do corpo das mulheres e deixar que elas tomem as decisões sobre suas próprias vidas”, disse Kamala. A senadora também apoia o financiamento público para serviços de aborto e opõe-se à notificação dos pais em caso de abortos em menores de idade.

Seguindo a toada esquerdista, Kamala Harris é a favor do Green New Deal, um projeto apresentado pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez para renovar toda a estrutura do país para priorizar a eficiência energética, modernizando a rede elétrica, eliminando as emissões de gases do efeito estufa em apenas 10 anos e convertendo todo o país a fontes de energia renovável. Tanto essa proposta quanto o Medicare For All não foram endossados por Joe Biden.”
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/kamala-harris-quem-e/
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Joe Biden vence na Pensilvânia e é eleito presidente dos Estados Unidos Democrata passou dos 270 votos no colégio eleitoral, segundo projeções de diversos veículos de imprensa, como Associated Press, ‘New York Times’, NBC e CNN. Trump não concede derrota e diz que vai recorrer à Justiça.

Candidato presidencial democrata Joe Biden fala aos apoiadores em Wilmington, Delaware, na quarta-feira (4)   — Foto: Paul Sancya/AP

Candidato presidencial democrata Joe Biden fala aos apoiadores em Wilmington, Delaware, na quarta-feira (4) — Foto: Paul Sancya/AP

O democrata Joe Biden passou a marca dos 270 delegados no Colégio Eleitoral neste sábado (7), segundo projeções de diversos veículos de imprensa. O número é suficiente para derrotar o republicano Donald Trump e se sagrar o 46º presidente dos Estados UnidosKamala Harris torna-se a primeira mulher vice-presidente do país.

Joe Biden agradeceu aos eleitores pelas redes sociais e afirmou que será um presidente para todos os americanos.

“América, estou honrado por ter me escolhido para liderar nosso grande país. O trabalho que temos pela frente será árduo, mas prometo o seguinte: serei um presidente para todos os americanos – quer você tenha votado em mim ou não. Vou manter a fé que vocês colocaram em mim”, postou Biden no Twitter

Embora não oficial, a projeção dos veículos de comunicação é suficiente para que a sociedade americana reconheça a eleição de um presidente (entenda como funciona), já que a contagem chega a demorar semanas e o sistema de colégio eleitoral permite saber antecipadamente quem será o vencedor.

Arizona

Na manhã deste sábado, faltavam pelo menos 6 votos no colégio eleitoral para que Biden chegasse a 270 e sua vitória se confirmasse, segundo as projeções da Associated Press. Com a vitória projetada na Pensilvânia, Biden chegou a 290 delegados.

Outros veículos, como “The New York Times”, por exemplo, ainda não haviam declarado Biden vencedor no Arizona, que tem 11 delegados. Porém, com os 20 delegados da Pensilvânia, a disputa no Arizona passou a ser indiferente, já que não muda mais o resultado.

Quem é Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos
Quem é Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos

Medidas judiciais

O presidente Donald Trump alega que a eleição está sendo roubada e promete ações na Justiça. Logo após a declaração de Biden como vencedor na imprensa americana, sua campanha soltou nota dizendo que a eleição não acabou.

“Todos nós sabemos por que Joe Biden está se apressando em fingir que é o vencedor e por que seus aliados da mídia estão se esforçando tanto para ajudá-lo: eles não querem que a verdade seja exposta. O simples fato é que esta eleição está longe de terminar”, afirmou Trump.

Pouco depois, advogados de Trump disseram a jornalistas que houve fraude eleitoral e que medidas legais, como recursos pedindo a recontagem dos votos, serão apresentados à Justiça a partir de segunda-feira (9).

Também pediu interferência em um caso pendente na Suprema Corte dos EUA sobre a Pensilvânia, um estado importante da disputa que ainda está contando centenas de milhares de cédulas enviadas pelo correio. O republicano tenta impedir que o estado conte votos que cheguem depois da eleição.

Trump está tentando evitar se tornar o primeiro presidente em exercício dos EUA a perder uma candidatura à reeleição desde George H.W. Bush, em 1992.

Biden

Foto de arquivo de setembro de 2008 mostra o então senador Joe Biden ao lado de Barack Obama, na época candidato presidencial democrata, durante um comício de campanha em Detroit, Michigan   — Foto: Jason Reed/Reuters/Arquivo

Foto de arquivo de setembro de 2008 mostra o então senador Joe Biden ao lado de Barack Obama, na época candidato presidencial democrata, durante um comício de campanha em Detroit, Michigan — Foto: Jason Reed/Reuters/Arquivo

A vitória de Biden marca o retorno de um democrata à Casa Branca após a saída de Barack Obama, que governou o país entre 2009 e 2017. Biden foi seu vice-presidente.

Casado com Jill Biden, Joe Biden nasceu em 1942 na Pensilvânia, em uma família católica. O democrata se notabilizou na política em 1972, quando, aos 29 anos, se elegeu para o Senado pelo estado de Delaware e se tornou uma das pessoas mais jovens a assumir o cargo na história dos Estados Unidos.

Joe Biden é empossado como vice-presidente dos Estados Unidos ao lado de sua esposa Jill Biden durante as cerimônias de posse no Capitólio dos Estados Unidos em Washington, em 20 de janeiro de 2009 — Foto: Timothy A. Clary/AFP

Joe Biden é empossado como vice-presidente dos Estados Unidos ao lado de sua esposa Jill Biden durante as cerimônias de posse no Capitólio dos Estados Unidos em Washington, em 20 de janeiro de 2009 — Foto: Timothy A. Clary/AFP

A apuração dos votos deste ano começou dramática para o democrata, que perdeu a Flórida (contrariando a média das pesquisas) e sofreu revezes na Geórgia e na Carolina do Norte — estados onde Biden pretendia virar a vantagem obtida por Trump quatro anos atrás.

Mas outras vitórias em estados-chave, com votos contados apenas no fim, determinaram a vitória de Biden segundo as projeções. Uma das razões foi a previsível demora na contagem dos votos que chegaram por correio.

Mais de 100 milhões de eleitores americanos votaram antes do dia oficial das eleições. Isso representa quase 73% do total de pessoas que foram às urnas em 2016. Desses, mais de 64,5 milhões das cédulas foram enviadas pelo correio.

O voto antecipado foi motivado, entre outras razões, por receio de aglomerações na pandemia. E a maioria desses eleitores votou em Biden, já apontavam projeções feitas antes mesmo do dia da eleição.

A pandemia, inclusive, fez Biden evitar comícios com grandes aglomerações ao longo da campanha. O democrata preferiu fazer reuniões com poucas pessoas — ou, já na reta final, atos políticos com carros.

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VI VARIAS PESSOAS DO GRUPO14 FALANDO O QUE OUVE ONTEM É NORMAL PRIMEIRO NORMAL NADA DUAS SITUAÇÕES ERRADAS A RUA LOTADA DE GENTE DO GRUPO QUE APOIO O PREFEITO EM PLENA PANDEMIA CARROS DE SOM PAREDÕES SEGUNDO AS IMAGENS MOSTRAM CLARAMENTE TUDO O QUE OUVE SÓ ESPERO UMA POSIÇÃO DA JUSTIÇA SOMENTE ESTAMOS NUMA DEMOCRACIA NÃO NUMA DITADURA TEVE UM APOIADOR DO 14 AINDA UM DR QUE FALOU QUE MULHER GOSTAVA ÉRA DE ……………. E MAIS ALGUMAS COISA PORQUE VOCES NÃO SE SENTIRAM OFENDINDA ? CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS O AUDIO ESTA EM TODAS AS REDES SOCIAIS

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Candidata a prefeita em poções teve que sair escoltada pela polícia depois de debate vejam a aglomeração de gente do grupo 14 do lado de fora segunda informações passada a nossa reportagem ela foi ameaçada cadê a democracia esperamos que a justiça eleitoral tome providencia sobre esse fato ocorrido

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O POVO QUER QUEM FAZ [ E NÃO QUEM FALA] AGORA É ELA

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NOSSA REPORTAGEM FOI CHAMADA NO BAIRRO BELA VISTA AGORA A TARDE CHEGANDO ATRAZ DO CEMITERIO DA CIDADE VEJA O QUE ENCONTRAMOS

[FOTO ADRIANO CRUZ]

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Nota de Falecimento

É com muito pesar que noticiamos o falecimento da professora Patricia Dias dos Santos, aos 42 anos, vítima de complicações de saúde, ocorrido na noite desta quarta-feira 04 de Novembro.
Paty, como assim era chamada por todos, estava internada na Unidade de Terapia Intensiva em um hospital da cidade de Vitória da Conquista.
Patrícia era carismática, alegre e sempre sorridente. Ela lecionava (antes da pandemia covid 19) na Escola Municipal Arnulfo Ramos Silva e era, no outro turno, vice-diretora da Escola Municipal Professora Maria Rosa, ambas no município de Poções.
O site pooes24horasl expressa o mais profundo pesar aos familiares e amigos enlutados
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Decisões suspendem atos com aglomeração em Lençóis, Poções e Cocos

Lençóis / Foto: Reprodução / Radar Chapada

Decisões suspendem atos com aglomeração em Lençóis, Poções e CocosApós denúncias enviadas ao Disque Aglomeração, coligações de Lençóis, na Chapada Diamantina; de Poções, no Sudoeste; e Cocos, na Bacia do Rio Corrente, no Extremo Oeste baiano, tiveram atos de campanha proibidos. As decisões foram tomadas nesta terça-feira (3) pela juíza eleitoral e presidente do Núcleo de Segurança e Ordem Pública, Isabella Santos Lago. Em Lençóis, a magistrada notificou a coligação da candidata Vanessa Senna (PSD) para que não realize um evento marcado para o próximo sábado (7).

O motivo foi que os organizadores divulgaram que o ato teria a presença de 2,5 mil pessoas, o que extrapolas as medidas de controle da Covid-19. No caso de poções, a coligação Dr Otto (PCdoB) foi notificada para suspender um evento ocorrido na Rua de Boa Nova. Já em Cocos, o prefeito e candidato à reeleição, Dr Marcelo (PL), foi notificado por conta de um evento realizado nesta terça com mais de 200 pessoas.

As decisões foram comunicadas às policiais Civil e Militar, além do Ministério Público Eleitoral (MPE). 

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[VEJAM O VIDEO]PONTE MAL CONSTRUIDA PELO O ATUAL PREFEITO DE POÇOES CAI NA ZONA RURAL DO BARRO BRANCO \ZONA RURAL TOTALMENTE ABANDONADA POR ESSE GOVERNO

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Advogado humilha mulher em julgamento de ‘estupro culposo’. Tribunal se cala

Imagens inéditas da audiência mostram defesa do réu usando fotos sensuais da jovem para questionar acusação de estupro.

NA SEGUNDA SEMANA de setembro, a hashtag #justiçapormariferrer alcançou aos trend topics do Twitter. O motivo: chegava ao fim o julgamento do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a jovem promoter catarinense Mariana Ferrer, de 23 anos, durante uma festa em 2018. Ele foi considerado inocente.

Segundo o promotor responsável pelo caso, não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que a jovem não estava em condições de consentir a relação, não existindo portanto intenção de estuprar – ou seja, uma espécie de ‘estupro culposo’. O juiz aceitou a argumentação.

A excrescência jurídica, até então inédita, foi a cereja do bolo de um processo marcado por troca de delegados e promotores, sumiço de imagens e mudança de versão do acusado. Imagens da audiência as quais o Intercept teve acesso mostram Mariana sendo humilhada pelo advogado de defesa de Aranha.

A defesa do empresário mostrou cópias de fotos sensuais produzidas pela jovem enquanto modelo profissional antes do crime como reforço ao argumento de que a relação foi consensual. O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho analisou as imagens, que definiu como “ginecológicas”, sem ser questionado sobre a relação delas com o caso, e afirma que “jamais teria uma filha” do “nível” de Mariana. Ele também repreende o choro de Mariana: “não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo”.

A jovem reclamou do interrogatório para o juiz. “Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?”, diz. As poucas interferências do juiz, Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, ocorrem após as falas de Gastão. Em uma das situações, o juiz avisa Mariana que vai parar a gravação para que ela possa se recompor e tomar água e pede para o advogado manter um “bom nível”.

Apesar do processo correr em segredo de justiça, foi a própria Mariana que tornou seu caso público pelas redes sociais, em maio de 2019. Segundo ela, foi uma forma de pressionar a investigação que considerava parada devido à influência de Aranha. Filho do advogado Luiz de Camargo Aranha Neto, que já representou a rede Globo em processos judiciais, Aranha é empresário de jogadores e é visto com frequência ao lado de figuras como o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário e Gabriel Jesus. Na festa em que Mariana afirma ter sido estuprada, por exemplo, ele estava acompanhado de Roberto Marinho Neto, um dos herdeiros da Globo.

O perfil de Mariana no Instagram, em que ela compartilhava detalhes do caso, foi removido pela rede social em agosto deste ano. Na ocasião, a página contava com mais de 850 mil seguidores. Pelo Twitter, ela compartilhou um print em que a plataforma justifica que a conta foi removida “devido a um processo judicial”. Segundo Mariana, Aranha teria solicitado a remoção do conteúdo na justiça.

O perfil de Mariana no Instagram, em que ela compartilhava detalhes do caso, foi removido pela rede social em agosto.

Aranha é defendido no processo por Cláudio Gastão da Rosa Filho, um dos advogados mais caros de Santa Catarina. Ele já representou Olavo de Carvalho em uma ação movida contra o historiador Marco Antonio Villa e chegou a defender a ativista antiaborto Sara Winter quando ela foi presa pela Polícia Federal por manifestações contra o STF.

O estupro, segundo Mariana, teria ocorrido na noite de 15 de dezembro de 2018, na festa de abertura do verão Music Sunset do beach club Café de la Musique, em Jurerê Internacional, em Florianópolis, praia conhecida por ser point de ricos e famosos. Os ingressos para os eventos no local variam entre R$ 100 e R$ 1,5 mil, dependendo da festa. O passaporte de acesso aos camarotes pode custar muito mais.

Mariana, na ocasião com 21 anos, trabalhava como promotora do evento, responsável por divulgar a festa nas redes sociais. Um vídeo, que mostra Mariana grogue subindo uma escada com a ajuda de Aranha em direção a um camarim restrito da casa, foi vazado na internet. Eles sobem os degraus às 22h25. Seis minutos depois, ela desce, seguida de Aranha. A polícia só solicitou o material de forma oficial ao beach club meses depois do início das investigações, e a boate alegou que o dispositivo de armazenamento exclui as imagens após quatro dias. Por isso, apesar de a boate ter 37 câmeras de segurança, não foi possível recuperar imagens do resto da noite. Mesmo assim, o vídeo vazado na internet foi incluído no processo.

Em seu depoimento à polícia, Mariana afirmou que teve um lapso de memória entre o momento em que uma amiga a puxou pelo braço e a levou para um dos camarotes do Café em que o empresário Aranha estava e a hora em que “desce uma escada escura”. Ela acredita ter sido dopada. A única bebida alcoólica anotada na comanda do bar em seu nome foi uma dose de gim. Mariana era virgem até então, o que foi constatado pelo exame pericial.

Tanto a virgindade dela quanto a sua manifestação nas redes sociais foram usadas pelo advogado do empresário, que alega que ela manipulou os fatos. “Tu vive disso? Esse é teu criadouro, né, Mariana, a verdade é essa, né? É teu ganha pão a desgraça dos outros? Manipular essa história de virgem?”, disse Cláudio Gastão durante a audiência de instrução e julgamento.

Um vídeo, que mostra Mariana grogue subindo uma escada com a ajuda de Aranha em direção a um camarim restrito da casa, foi vazado na internet.

Como ‘estupro de vulnerável’ virou ‘estupro culposo’

Em julho de 2019, o primeiro promotor a assumir o caso, Alexandre Piazza, denunciou André de Camargo Aranha por estupro de vulnerável, quando a vítima está sob efeito de álcool ou de algum entorpecente e não é capaz de demonstrar consentimento ou de se defender. Ele também pediu a prisão preventiva de Aranha, aceita pela justiça e depois derrubada em liminar na segunda instância pela defesa do empresário. Aranha cumpriu apenas medidas cautelares como a apreensão do passaporte.

Na denúncia a que tivemos acesso, Piazza considerou como prova o material genético colhido na roupa de Mariana e um copo no qual Aranha bebeu água durante interrogatório na delegacia. O promotor também levou em conta “as mensagens desconexas encaminhadas pela vítima aos seus colegas” após descer as escadas do camarim onde o crime ocorreu, além dos depoimentos de Mariana, de sua mãe e do motorista de Uber que a levou até em casa.

Luciane Aparecida Borges, a mãe de Mariana, contou ter sentido um cheiro forte de esperma quando a filha chegou em casa após a festa. Segundo ela, Mariana não costumava beber e nunca havia chegado em casa naquele estado. O motorista citado pelo promotor na denúncia disse que a jovem passou a viagem chorando e falando com a mãe ao telefone. Para ele, ela parecia estar sob o efeito de drogas.

Também foram anexados ao processo áudios enviados por Mariana a pelo menos três amigos após descer as escadas do camarim. Em um deles, ela diz: “amiga, pelo amor de Deus, me atende, eu tô indo sozinha, não aguento mais esse cara do meu lado, pelo amor de Deus”. O promotor pediu ainda que fosse averiguada a conduta do primeiro delegado que atendeu a ocorrência e não solicitou as imagens das 37 câmeras de segurança do clube.

O entendimento do Ministério Público sobre o que aconteceu naquela noite, porém, mudou completamente na apresentação das alegações finais. O promotor Piazza deixou o caso para, segundo o MP, assumir outra promotoria, e quem pegou o processo foi Thiago Carriço de Oliveira. É nas alegações finais de Oliveira que aparece a tese do estupro “sem intenção”.

Para o novo promotor, não foi possível comprovar que Mariana não tinha capacidade para consentir com o ato sexual, desqualificando assim o crime de estupro de vulnerável descrito na denúncia pelo seu colega. Ele se baseia principalmente nos exames toxicológicos que não reconheceram nem álcool nem drogas no sangue de Mariana naquela noite e na aparente sobriedade indicada pela postura de Mariana ao sair do Café de la Musique e se deslocar até outro beach club em busca das amigas captada pelas câmeras da rua, da Polícia Militar.

No seu primeiro depoimento, em maio de 2019, ainda na delegacia, André de Camargo Aranha negou que tivesse tido contato com Mariana. No ano seguinte, quando prestou depoimento em juízo, mudou sua versão e afirmou ter feito apenas sexo oral nela.

Segundo o empresário, Mariana teria se aproximado dele no momento em que ele foi pagar a conta no bar e teria feito um carinho em seu cabelo. Em seguida, segundo Aranha, ela teria pedido para ir ao banheiro – momento em que subiram as escadas para usar o banheiro do camarim restrito. Ele teria então feito sexo oral e logo deixado o local por decisão de Aranha.

Ao aceitar o pedido de absolvição, o juiz Rudson Marcos concordou com a tese do promotor e afirmou que é “melhor absolver 100 culpados do que condenar um inocente”. A defesa de Mariana recorreu da decisão.

Filho do advogado Luiz de Camargo Aranha Neto, que já representou a rede Globo em processos judiciais, Aranha é empresário de jogadores e é visto com frequência ao lado de figuras como o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário e Gabriel Jesus.

Para a promotora Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, a tese jurídica da condição “culposa” para casos de estupro abre precedente para dificultar a demonstração desses crimes. Ela destaca que os tribunais costumam ter posicionamento firme pela consideração da palavra da vítima como prova de estupro e que os laudos periciais desses casos costumam ser negativos porque os vestígios desaparecem em poucas horas. Ela avalia que o rompimento do hímen e a presença de esperma, detectados pelo exame de corpo de delito, porém, são provas contundentes. “Denunciei centenas de processos de estupro, mas em nenhum dos meus casos me deparei com uma alegação como essa, é bastante diferente do que acontece nos processos de estupro”.

A delegada Bárbara Camargo Alves, da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande, considera a tese de estupro culposo perigosa, uma vez que esses crimes costumam ocorrer entre quatro paredes e a única prova acaba sendo a palavra da vítima. “[A tese] está dando para o homem o ensinamento diverso daquele que a gente está tentando mostrar, de que não é não. Se a pessoa não está completamente capacitada para consentir, ele não deve manter a relação sexual. E não importa se ela está bêbada porque quis se embriagar ou porque foi dopada. Não é esse o tipo de resposta que a gente espera do poder Judiciário. Se não tem como provar que ele sabia ou não que ela estava bêbada, vai absolver?”, disse.

Conversei com a OAB de Santa Catarina, que confirmou que teve acesso à cópia do processo judicial e informou que oficiou o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho para que preste esclarecimentos sobre sua conduta na audiência do caso. A instituição não deu mais detalhes porque o processo ético disciplinar corre em sigilo e qualquer divulgação de informação pode anular o procedimento. Ao ser questionado sobre suas ações durante o interrogatório, o advogado informou que não iria comentar um processo sob segredo de justiça, “principalmente em face de indagações descontextualizadas que revelam má fé e parcialidade”.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos também disse que remeteu ofícios às corregedorias do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e do Ministério Público de Santa Catarina, à Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Nacional de Justiça e Conselho Nacional do Ministério Público para que esses órgãos investigassem as condutas dos profissionais que estavam presentes na audiência. O Conselho Nacional do MP, o Conselho Nacional de Justiça e o Tribunal de Justiça catarinense, porém, afirmam não ter recebido nenhuma notificação ou denúncia sobre o caso.

Atualização, 3 de novembro de 2020, 21:54: A expressão ‘estupro culposo’ foi usada pelo Intercept para resumir o caso e explicá-lo para o público leigo. O artíficio é usual ao jornalismo. Em nenhum momento o Intercept declarou que a expressão foi usada no processo.

Fonte: The Intercept Brasil

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