:: ‘Informativo’
Fotobiomodulação, a nova aliada da dermatologia veterinária
Terapia com energia lumínica fluorescente acelera a cicatrização da pele de pets em diversos quadros clínicos
O uso da luz como agente terapêutico tem registros históricos milenares, seja para fins físicos ou mentais. Com os avanços tecnológicos recentes, especialmente do LED (Light Emitting Diode), a fototerapia moderna passou a ocupar papel importante em diversas especialidades médicas, inclusive na medicina veterinária.
Uma das abordagens mais promissoras é a fotobiomodulação, também conhecida como Low-Level Laser Therapy (LLLT). Trata-se de uma terapia não térmica, que utiliza luz não ionizante (como a emitida por LEDs) para modular processos biológicos essenciais à recuperação da pele.
“A fotobiomodulação atua por meio da ativação de cromóforos celulares, promovendo redução da inflamação, estímulo à angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos) e aceleração da cicatrização”, explica a médica-veterinária Patricia Guimarães, Coordenadora de Serviços Técnicos da Unidade Pet da Vetoquinol Saúde Animal.
A terapia favorece a proliferação celular, além de contribuir com a sobrevivência, regeneração e reparação dos tecidos, sendo altamente eficaz em diferentes condições dermatológicas em cães e gatos. Entre as principais indicações estão a piodermite superficial e profunda; a furunculose interdigital; a piodermite de calo e de queixo; as feridas abertas; as fístulas anais e perianais, lesões pós-cirúrgicas, entre outras.
A fotobiomodulação ganha ainda mais destaque com a chegada de Phovia, tecnologia desenvolvida pela empresa francesa Vetoquinol e recentemente introduzida no mercado veterinário brasileiro. O sistema Phovia é composto por uma lâmpada multi-LED com luz azul e um gel cromóforo que é aplicado diretamente sobre a pele lesionada. Essa interação estimula reações moleculares em cascata que, por sua vez, ativam estruturas celulares em todas as camadas da pele, promovendo a regeneração tecidual e acelerando o processo de cicatrização de forma eficaz, não invasiva e indolor.
“Os cromóforos absorvem a luz azul e a transformam em energia fluorescente, ampliando o comprimento de onda e permitindo que ela atinja camadas mais profundas da pele. Com isso, a regeneração tecidual se torna acelerada e os resultados clínicos podem ser observados entre 2 a 6 semanas, reduzindo o tempo de tratamento em até 50% quando comparado às terapias convencionais. Além disso, a terapia com Phovia pode ajudar a reduzir o uso de antibióticos durante o tratamento. Isso é importante porque o uso excessivo desses medicamentos pode fazer com que as bactérias se tornem resistentes, dificultando tratamentos futuros”, destaca Patricia.
O lançamento de Phovia representa mais do que uma inovação tecnológica — é um reflexo do compromisso da Vetoquinol com a evolução da saúde animal. Ao oferecer uma terapia moderna, não invasiva e baseada em ciência, a empresa reafirma sua dedicação às soluções que respeitam os princípios da Saúde Única — uma abordagem que reconhece a interconexão entre o bem-estar animal, humano e ambiental.
“Nosso propósito é atuar com agilidade e sensibilidade, sempre guiados pelas necessidades reais dos animais. Buscamos desenvolver soluções que não apenas tratem doenças, mas que também promovam bem-estar, previnam enfermidades e ampliem a qualidade de vida dos pets”, assinala Patricia.
Sobre a Vetoquinol Saúde Animal
A Vetoquinol Saúde Animal está entre as 10 maiores indústrias de saúde animal do mundo, com presença na União Europeia, Américas e região Ásia-Pacífico. Em 2024, o faturamento global foi de € 539 milhões. Com expertise global conquistada ao longo de mais de 90 anos de atuação, a empresa também cresce no Brasil, onde expande suas atividades desde 2011. Grupo independente, a Vetoquinol projeta, desenvolve e comercializa medicamentos veterinários e suplementos destinados à produção animal (bovinos e suínos), animais de companhia (cães e gatos) e equinos. Desde sua fundação, em 1933, na França, combina inovação com diversificação geográfica.
O crescimento do grupo é impulsionado pelo reforço do seu portfólio de soluções associado a aquisições em mercados de alto potencial de crescimento, como a brasileira Clarion Biociências, incorporada em 2019.
No Brasil, a Vetoquinol tem sede administrativa em São Paulo (SP) e planta fabril em Aparecida de Goiânia (GO), atendendo todo o território nacional. Em termos globais, gera mais de 2,5 mil empregos.
A Prefeitura de Planalto, por meio da assessoria de comunicação, informou o cancelamento da Festa de São Pedro na comunidade do Inácio, em respeito ao falecimento da jovem Edlane Luz, vítima de feminicídio na manhã deste sábado (05).
A Prefeitura de Planalto, por meio da assessoria de comunicação, informou o cancelamento da Festa de São Pedro na comunidade do Inácio, em respeito ao falecimento da jovem Edlane Luz, vítima de feminicídio na manhã deste sábado (05). Confira abaixo a nota: “COMUNICADO DE CANCELAMENTO A Prefeitura de Planalto, com profundo pesar, informa o cancelamento da Festa de São Pedro do Inácio 2025, que aconteceria neste sábado, 5 de julho. A decisão foi tomada em respeito à jovem Edlane Luz, vítima de feminicídio ocorrido nas primeiras horas deste sábado, fato que abalou profundamente nossa cidade. A dor da perda é ainda mais sentida pela comunidade local, uma vez que a família da jovem reside na região onde a festividade seria realizada. Neste momento de luto, compreendemos que não há clima nem espírito para celebração. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares e amigos. Contamos com a compreensão de todos.”
JEQUIÉ FICOU EM 8º LUGAR NO RANKING DE PÚBLICO, APONTA SSP-BA Ostentando ser o Melhor São João do Brasil, Jequié gastou mais de R$ 12 milhões na festa deste ano e ficou em 8º lugar em número de visitantes
O município de Jequié esperava receber muito mais do que os números apontados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), que divulgou ontem, quarta-feira (25), o relatório de controle de deslocamento de massa no interior do estado da Bahia. Esse balanço apontou as cidades que mais foram visitadas por quem buscou comemorar os festejos juninos nas festas do São João da Bahia 2025.
No topo da lista de cidades mais visitadas, ocupando o 1º lugar está o município Vitória da Conquista, que teve 763.409 pessoas durante os festejos juninos e, segundo o Painel da Transparência do Ministério Público da Bahia, somente em contratações de artistas, gastou R$ 3.560.000,00.
Já o município de Cruz das Almas registrou o 2º maior volume de público com 630.051 foliões e gastou R$ 9.500.000,00 somente em contratações de artistas.
Em 3º lugar aparece Santo Antônio de Jesus, que recebeu 599.995 visitantes e gastou R$ 7.270.000,00 somente em contratações de artistas.
Em 4º lugar aparece Irecê, que recebeu 386.792 visitantes e gastou R$ 7.910.000,00.
Em 5º lugar, Jaguaquara com visitas de 364.335 e gastou R$ 3.100.000.
O 6º lugar ficou para a cidade de Camaçari, que atraiu 340.694 e investiu R$ 4.390.000,00.
Itaberaba aparece como 7º colocado, atraindo 329.041 visitantes, mas não declarou ao Painel do MP-BA os valores das contratações.
Em 8º aparece Jequié com atração de 280.338, e gastou R$ 8.910.000,00 somente em contratações, sem constar decoração, publicidade, atrações da vila junina entre outras despesas.
Amargosa ficou em 9º lugar com 273.622 visitantes e gastou R$ 4.300.000,00.
O levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia é feito com o auxílio do sistema de reconhecimento facial instalado nos portais de entrada das festas. A ferramenta descarta as repetições.
Fonte: SSP-BA
Após crítica à comida nordestina, bailarina de Zezé Di Camargo & Luciano é afastada de show no RN
A polêmica envolvendo a bailarina Bianca Alencar, integrante da equipe de Zezé Di Camargo & Luciano, ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (20/6). A artista não participou do show da dupla sertaneja realizado no Mossoró Cidade Junina, um dos maiores eventos culturais do Nordeste.
O afastamento ocorre após a repercussão negativa de um vídeo publicado por Bianca nas redes sociais. Na gravação, a bailarina aparece fazendo críticas a um prato típico servido durante uma visita à cidade de Floresta, no Sertão de Pernambuco. Sem esconder o desagrado, ela se refere à comida como “lavagem”, o que provocou indignação entre internautas, principalmente nordestinos, que consideraram a fala ofensiva e desrespeitosa à cultura regional.
A postagem viralizou, e a repercussão levou fãs da dupla e moradores da região a exigirem um posicionamento. Em resposta à pressão, Bianca apagou o vídeo e publicou uma retratação nas redes sociais, afirmando que não teve intenção de ofender e que se expressou mal. Ainda assim, a repercussão negativa continuou.Zezé Di Camargo & Luciano não se pronunciaram oficialmente sobre o caso até o momento, mas fontes ligadas à produção confirmaram que a bailarina foi retirada da apresentação como forma de “preservar a imagem da equipe diante do clima hostil gerado nas redes”.
Bianca Alencar já havia participado de outras turnês da dupla, atuando como dançarina e coreógrafa de palco. O Mossoró Cidade Junina, onde ela foi ausente, é realizado anualmente no Rio Grande do Norte e atrai grandes nomes da música nacional, sendo considerado um dos principais eventos juninos do país.
Ver essa foto no Instagram
Quatro pessoas morrem em acidente após voltar de festa junina; vítimas identificadas
Quatro pessoal morreram após um grave acidente nesta terça-feira (17), na BR-242, na “curva do S”, trecho do município de Seabra, Chapada Diamantina.
Segundo informações que chegaram até a nossa reportagem, as vítimas voltavam dos festejos juninos no município de Aiquara, quando o veículo se envolveu em um acidente com uma carreta.
Todos os quatro ocupantes morreram no local. Eles foram identificados como Bianca Ferraz Machado, Cleiton Oliveira de Souza, Cleitiana Rodrigues e Kaique Souza Bispo.
As polícias Rodoviária Federal (PRF) e Civil estiveram no local.
Uma excelente notícia para professores e técnicos das Universidades Estaduais

_Vencimentos do magistério vão acumular aumento de quase 14% nos próximos dois anos_
O governador Jerônimo Rodrigues anunciou, na tarde desta quinta-feira (23), no Centro de Operações e Inteligência (COI), em Salvador, novos investimentos para o fortalecimento do Ensino Superior estadual, com destaque para os reajustes salariais dos cargos de magistério e técnico das universidades. Por meio do Projeto de Lei nº 25.628/2024, os vencimentos do magistério superior serão reajustados em quatro parcelas entre os anos de 2025 e 2026, em um cronograma escalonado, acumulando um aumento de 13,83%.
Os avanços são resultado de um diálogo contínuo, estabelecido com a categoria entre maio e outubro de 2024, afirmou o governador. “A medida reflete o compromisso do Governo do Estado em valorizar os docentes, essenciais para a formação de profissionais e a produção de conhecimento na Bahia, e também técnicos e analistas das universidades, que ajudam no dia a dia nos laboratórios, e a compor a importância e a potência que é a universidade. Nos últimos dois anos, investimos R$ 202 milhões em infraestrutura física das universidades estaduais, com novos prédios, reforma e manutenção daqueles já existentes”, detalhou.
Também foi aprovado o Projeto de Lei nº 25.619/2024, que reestrutura a remuneração dos cargos de Analista Universitário e Técnico Universitário. As mudanças incluem ajuste salarial escalonado de 6% e a criação de tabelas específicas para regimes de 40 horas semanais. Essas iniciativas atendem a demandas históricas da categoria, promovendo a motivação e a valorização de servidores que desempenham funções estratégicas para a qualidade do ensino superior. Os projetos, aprovados pela Assembleia Legislativa (ALBA), refletem dessa forma, o empenho em transformar a Bahia em referência nacional em educação inclusiva, inovadora e socialmente responsável.
De acordo com a secretária de educação, Rowenna Brito, “em 2025 serão destinados R$ 2,5 bilhões para as universidades estaduais para a execução de políticas públicas e manutenção das unidades. Desse montante, R$ 1,7 bilhões é para investir nas pessoas, na valorização dos profissionais, nos programas de acesso e permanência dos estudantes, como o Mais Futuro, Partiu Estágio, garantindo que teremos universidades públicas cada vez mais fortes na Bahia. Inclusive, na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), estamos construindo uma unidade escolar para atender aos filhos dos estudantes e dos trabalhadores da universidade”.
A reitora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Adriana Marmori, destacou a importância da iniciativa. “Para nós é muito importante ter um governo atento, fortalecendo as universidades, mesmo com suas autonomias do ponto de vista interno. Acreditamos que é possível ter um quadro de servidores e servidoras potente, e isso passa pela valorização. Estou muito feliz com esse momento”, afirmou.
*Outras vantagens*
Em 2024, o Governo do Estado concedeu aos servidores baianos reajuste linear de 4%, sendo 2% retroativos a maio daquele ano, e pagos no mês de junho, e outros 2% que incidiram na folha de setembro também de 2024. Além do reajuste de 4% para todos os trabalhadores da administração direta e indireta, foi aprovado reajuste complementar de 2,86% para carreiras com vencimento básico abaixo do salário mínimo, que incidiu na folha de setembro passado.
Esse reajuste complementar de 2,86% totalizou 6,97% de incremento para as categorias que se encontravam com vencimento básico inicial abaixo do mínimo, englobando as carreiras do Magistério Superior (técnicos, analistas e docentes).
À época também foi aprovado reajuste complementar de 1,59%, retroativo a fevereiro do mesmo ano, para os servidores da Educação Básica, resultando em ganho acumulado em setembro passado de 5,69%, acima da inflação e do reajuste do piso nacional da educação.
Já em 2023, mais de 500 professores das quatro universidades estaduais foram beneficiados com promoções graças a uma revisão no quadro de vagas da carreira, que permitiu a ampliação do fluxo de promoções. Naquele ano, os ganhos médios variaram de R$ 7,83% a 9,69%. Os docentes universitários também tiveram um reajuste complementar de 2,53% e com acréscimos de 0,73% a 2,52%, em função da recomposição dos interstícios (variações percentuais) entre as classes da carreira do Magistério Superior.
Professores do Magistério Superior foram contemplados, ainda, com a conversão da licença-prêmio em vantagem financeira (pecúnia). Além disso, como todas as carreiras da administração direta e indireta, tiveram o reajuste linear de 4%, retroativo a fevereiro de 2023.
Os técnicos e analistas universitários também receberam à época, além do reajuste de 4%, o acréscimo de 2,53% e também tiveram garantido, através do conjunto de Projetos de Lei aprovado pela ALBA, o novo quadro de vagas. Com a redistribuição por grau, puderam ter em 2023 as progressões atendidas conforme as regulamentações específicas. A progressão dos analistas universitários se dá pela mudança de uma referência para outra, mediante a obtenção de títulos de pós-graduação, e a dos técnicos universitários mediante a obtenção de cursos de aperfeiçoamento.
_*Repórter Simônica Capistrano/GOVBA, com informações da Secretaria de Educação (SEC)*_
Gripe aviária: Como humanos pegam? Quantas pessoas já foram infectadas? Tire dúvidas

Depois de circular por mais de 20 anos no mundo, a gripe aviária H5N1 teve o 1º caso registrado no Brasil no dia 15 de maio. Até agora, 13 aves de espécies migratórias e silvestres (que vivem na natureza) foram infectadas.
O foco, neste momento, é evitar que o H5N1 chegue aos aviários do Brasil, que é o principal exportador de carne de frango do mundo, e segundo maior produtor global, atrás dos EUA.
A doença se espalha rapidamente entre os pássaros: de 2005 a 2023, 448 milhões de aves foram abatidas, e 31 milhões morreram por gripe aviária, em países da África, Ásia e Pacífico, Américas, Europa e Oriente Médio, diz a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH).
A seguir, veja perguntas e respostas sobre a doença:
- Humanos podem pegar gripe aviária?
- Há pessoas infectadas no Brasil?
- Como uma pessoa se contamina?
- Posso pegar H5N1 comendo carne?
- Humano passa para humano?
- Quais os sintomas nas pessoas?
- Como uma pessoa morre de H5N1?
- Quem corre mais risco?
- Há chance de pandemia?
- Por que órgãos de saúde estão preocupados?
- O que é e onde surgiu a H5N1?
- Há vacinas para humanos?
- Há vacinas para aves?
- Quantas aves foram contaminadas no Brasil?
- Quais os sintomas em aves?
- Qual é a principal preocupação do Brasil?
- O que é estado de emergência zoossanitária?
- O que o Brasil tem feito?
- Qual é o principal fator de contaminação entre as aves?
Humanos podem pegar gripe aviária?
Sim. Os casos são raros, mas a taxa de mortalidade é alta: por volta de 52%.
De 2003 a abril de 2023, apenas 874 pessoas foram infectadas com H5N1 no mundo. Apesar disso, metade delas (458) morreu.
O dado é da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Nas Américas, só há registros de 3 pessoas infectadas até o momento:
- o primeiro nos Estados Unidos, em abril de 2022;
- o segundo no Equador, em janeiro de 2023;
- e o terceiro no Chile, em março de 2023.
Os infectados nos EUA e Equador se recuperaram, mas não há detalhamento do caso do Chile. Os dados são de um relatório do dia 17 de maio, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
Nos EUA, a contaminação ocorreu em um homem que trabalhava no abate de aves em uma granja, no Colorado, onde o H5N1 foi detectado em animais.
Já no Equador, a doença foi identificada em uma menina de 9 anos, habitante de uma área rural da província de Bolívar, que estava em contato com aves de quintal, que morreram sem causa aparente.
Há pessoas infectadas no Brasil?
Não. Até o momento, os casos suspeitos foram descartados, diz o Ministério da Saúde.
Ao todo, 42 pessoas tiveram contato com aves doentes no Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Deste total, 38 testaram negativo para H5N1, e outras quatro amostras estão em análise.
Como uma pessoa se contamina?
Quando tem contato direto com as secreções e fluídos de um animal infectado, esteja ele vivo ou morto. Isso porque as aves eliminam o vírus da Influenza por meio das fezes e secreções respiratórias.
É por isso que não se deve tocar e nem recolher aves doentes, afirma o Ministério da Agricultura.
A doença pode ser transmitida ainda por água e objetos contaminados com essas secreções, acrescenta a OMS.
O Departamento de Agricultura dos EUA tem observado que as infecções humanas ocorrem, geralmente, após exposições desprotegidas a aves: sem uso de proteção respiratória ou ocular.
Posso pegar H5N1 comendo carne?
Não. Até o momento, não há registros de contaminação de gripe aviária a partir do consumo de frango ou ovos devidamente preparados, afirmam o Ministério da Agricultura e Organização Mundial de Saúde (OMS).
Humano passa para humano?
Não. Até agora, nenhuma transmissão de gripe aviária de humano para humano foi relatada nas Américas ou globalmente, aponta a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
Quais os sintomas nas pessoas?
Segundo a OMS, os sintomas em humanos são:
- Febre alta (acima de 38°C)
- Tosse;
- Dor de garganta;
- Dores musculares;
- A infecção pode progredir rapidamente para doença respiratória grave (por exemplo, dificuldade em respirar ou falta de ar, pneumonia, Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo), e alterações neurológicas (estado mental alterado ou convulsões).
“Podemos ter desde quadros assintomáticos – ou seja, sem nenhuma manifestação clínica –, até casos bastante graves que podem levar ao óbito”, diz o infectologista Leonardo Weissmann, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo (SP).
“Os quadros sintomáticos são semelhantes a uma gripe comum: tosse, dor de garganta, nariz entupido, dor de cabeça e pode ter diarreia”, acrescenta.
“Quando a gente fala de formas graves relacionadas à gripe aviária, grande parte dos pacientes vão ter pneumonia. Entre as complicações, também há falência de múltiplos órgãos, principalmente com disfunção renal, comprometimento cardíaco, hemorragia pulmonar, pneumotórax”.
Como uma pessoa morre de H5N1?
A maioria das mortes por H5N1 está relacionada a casos de insuficiência respiratória, afirmam Weissmann, do Emílio Ribas, e a infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo.
Quem corre mais risco?
As pessoas expostas a aves infectadas. Exemplos: criadores de aves e pessoas envolvidas no controle de surtos.
Segundo a OPAS, os profissionais da saúde também têm risco de infecção se não seguirem medidas adequadas de prevenção e controle.
Há chance de pandemia?
Só há chance de isso acontecer se o vírus H5N1 sofrer mutações genéticas que o possibilite ser transmitido de pessoa para pessoa, explicam infectologistas entrevistados pelo g1.
Não há motivo para alarde entre a população, diz o infectologista Leonardo Weissmann, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo (SP).
Órgãos como o Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) têm dito que a transmissão de H5N1 de pessoa para pessoa “não é sustentada” e “não é comum”.
Esses termos significam dizer o seguinte: que um humano que contraiu a H5N1 de uma ave pode até passar o vírus para uma outra pessoa, mas a transmissão para por aí: a segunda pessoa infectada não transmite para uma terceira, ilustra a médica infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein Emy Akiyama Gouveia.
Alguns fatores podem ter dificultado a mutação do H5N1 até hoje, indica o infectologista Leonardo Weissmann, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo (SP).
- Um deles é a alta taxa de mortalidade entre os humanos por H5N1. “Isso acaba interrompendo a passagem do vírus de uma pessoa para outra”;
- Um segundo ponto é que, toda vez em que há um surto entre as aves, elas são sacrificadas. Ou seja, os focos de H5N1 têm sido eliminados por meio da morte dos animais.
Por que órgãos de saúde estão preocupados?
Os órgãos de saúde estão preocupados se haverá mutação do H5N1 para humanos. Isso porque:
➡️O H5N1 chegou a países que, antes, estavam protegidos: desde o final de 2022, o vírus começou a se espalhar pela América, para países como Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, Panamá, Peru, Venezuela e Chile.
No início de 2023, a Argentina e o Uruguai detectaram os seus primeiros casos, enquanto o Paraguai e o Brasil registraram as primeiras ocorrências neste mês.
Quanto mais aves contaminadas, mais chances de um humano contrair a doença.
➡️ Animais mamíferos começaram a contrair H5N1 nos últimos anos. Exemplos: lontras, ursos, porcos, raposas, gambás, entre outros.
Um dos casos mais preocupantes ocorreu em abril deste ano, quando mais de 3 mil leões-marinhos morreram por suspeita de H5N1, no Peru.
Já nesta quinta-feira (25), o Chile informou que quase 9 mil animais mamíferos marinhos morreram em 2023 devido à gripe aviária, que tem afetado severamente a costa norte do país. Entre os animais mortos estão lobos-marinhos, pinguins-de-Humboldt e lontras.
“É improvável que todos aqueles leões-marinhos tenham sido infectados por contato com as aves. Infelizmente a suspeita é de que a transmissão tenha ocorrido de mamífero para mamífero”, afirma a infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo.
“As células dos mamíferos são muito mais semelhantes às nossas do que as células de uma ave. Essa é a grande preocupação: de o vírus conseguir se adaptar, a ponto de ser capaz de ser transmitido de homem para homem”, acrescenta.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/F/w/zfzwmuS5AboQZw7RSftw/gripe-aviaria-chile.png)
Mamífero marinho morto no Chile por conta da gripe aviária. — Foto: Divulgação/Sernapesca
O que é e onde surgiu a H5N1?
O H5N1 é um subtipo do vírus Influenza que atinge, predominantemente, as aves.
Os vírus Influenza são divididos entre os de Baixa Patogenicidade (LPAI, leve) e os de Alta Patogenicidade (HPAI, grave).
O H5N1 faz parte do segundo grupo: isso significa que ele é disseminado rapidamente entre as aves e tem um alto índice de mortalidade entre os animais.
A Influenza Aviária foi diagnosticada pela primeira vez em aves em 1878, na Itália. Mas H5N1 só foi isolado por cientistas mais de 100 anos depois, em 1996, em gansos na província de Guangdong, no sul da China.
Há vacinas para humanos?
Ainda não. Desde janeiro, o Instituto Butantan está desenvolvendo uma vacina para humanos contra a gripe aviária.
Segundo o instituto, os testes estão sendo realizados com cepas vacinais que foram cedidas pela OMS e o primeiro lote já está pronto para o início dos testes pré-clínicos, ou seja, testes em laboratório.
“A OMS recomenda que profissionais do setor de granjas recebam a vacina da influenza, a fim de prevenir uma mutação viral que favoreça a transmissão entre humanos […] a vacina sazonal disponível vai auxiliar na diminuição de possibilidade de mutações”, diz a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Einstein.
Há vacinas para aves?
Sim, mas elas não são 100% eficazes e ainda estão sendo estudadas, afirma o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
“A vacina para aves traz consigo um outro problema: os países importadores não aceitam porque, dessa forma, não conseguem saber se o vírus que está na ave é o vírus da vacina ou da doença”, destaca.
Segundo a Embrapa, a vacinação das aves tem sido utilizada em países da Ásia, como a China. Contudo, ela ainda não foi capaz de conter totalmente o H5N1, e focos da doença continuam sendo relatados na região.
Quantas aves foram contaminadas no Brasil?
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/p/r/UH2sq1RAeDBd7tLuYE4Q/whatsapp-image-2021-10-18-at-09.11.59.jpeg)
Trinta-réis-de-bando. — Foto: Antônio Vilela/Wikiaves
Até o momento, 13 aves foram contaminadas. Os primeiros casos ocorreram no dia 15 de maio. Nenhum animal voltado para o consumo humano foi atingido. Os pássaros infectados são das seguintes espécies:
- Trinta-réis-de-bando (espécie Thalasseus acuflavidus): migratórios e marinhos. Cinco foram encontrados no Espírito Santo, e três no Rio de Janeiro;
- Trinta-réis-boreal (espécie Sterna hirundo), encontrado no ES;
- Trinta-réis-real (espécie Thalasseus maximus): silvestre e migratório, encontrado no ES;
- Atobá-pardo (espécie Sula leucogaster): marinho e migratório, encontrado no ES;
- Corujinha-do-mato (espécie Megascops choliba), encontrado no ES;
- Cisne-de-pescoço-preto (espécie Cygnus melancoryphus), encontrado no RS.
Quais os sintomas em aves?
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, os sintomas em aves são:
- dificuldade respiratória;
- secreção nasal ou ocular;
- espirros;
- andar cambaleante;
- pescoço torto;
- diarreia;
- alterações bruscas no consumo de água e ração nas aves de criação;
- redução na produção ou má formação de ovos;
- alta mortalidade em aves domésticas ou silvestres.
Qual é a principal preocupação do Brasil?
A maior preocupação, neste momento, é evitar que a gripe aviária chegue nas granjas e na criação de aves para a alimentação própria.
Isso porque a gripe aviária se espalha rapidamente entre os animais. Caso ela se dissemine, os animais precisarão ser sacrificados, o que diminuiria a oferta de carne de frango e ovos.
O que é estado de emergência zoossanitária?
Nesta semana, o Ministério da Agricultura declarou estado de emergência zoossanitária por 6 meses por causa da gripe aviária (H5N1)
Esse status é decretado sempre que há um risco de uma doença se propagar rapidamente entre os animais. É uma forma de o governo se antecipar a um surto da doença.
Ao declarar emergência zoossanitária, o governo consegue agilizar processos para combater a doença.
Exemplos: contratar funcionário por tempo determinado, reduzir a burocracia para comprar equipamentos ou deslocar servidores de um estado para o outro, explica o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
O que o Brasil tem feito?
As granjas, as associações empresariais, o Ministério da Agricultura e os órgãos estaduais de agricultura já trabalham há muitos anos no monitoramento da gripe aviária.
Bem antes do H5N1 chegar ao Brasil, órgãos públicos já elaboravam planos de contingência e monitoravam a situação do país. Alguns sites desses órgãos, por exemplo, já tinham cartilhas e uma série de orientações aos avicultores.
Em março deste ano, depois de a gripe ter avançado para Argentina e Uruguai, o Ministério da Agricultura proibiu a realização de exposições, torneios, feiras e outros eventos com aglomeração de aves, além da criação de aves ao ar livre, com acesso a piquetes sem telas na parte superior, em estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A indústria, por sua vez, trabalhava há muitos anos sob rígidas regras de higiene e controle, estabelecidas pelo Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), em 1994, destaca Santin.
“Algumas dessas regras são o telamento para que os passarinhos pequenos não entrem em contato com as aves. Há todo um aparato de proteção dos funcionários, que usam roupas e calçados exclusivos. Há higienização dos caminhões que entram nas granjas, entre outros”.
“O Brasil ficou livre de H5N1 durante toda a história, até hoje, por causa dessas regras”, reforça.
Os aviários já estavam restritos a visitas há alguns meses, no entanto, neste momento, estão totalmente fechados a visitação, em todo o Brasil. “Só entra quem é realmente necessário”, reforça Santin.
Qual é o principal fator de contaminação entre as aves?
A exposição direta a aves silvestres migratórias infectadas é o principal fator de transmissão, diz o Ministério da Agricultura.
As principais espécies silvestres portadoras da doença são as marinhas, gaivotas e aves costeiras.
Essas aves atuam como hospedeiro natural e reservatório dos vírus, desempenhando um papel importante na evolução, manutenção e disseminação desse vírus.
Além disso, apresentam infecção sem adoecer, o que permite a elas transportar o vírus a longas distâncias ao longo das rotas de migração, destaca o ministério.
/g1
Misoginia, poder e efeito dominó: psicóloga aponta causas para feminicídios; Salvador teve quatro casos em quatro dias
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/0/U/NEBUDsRUSSemIouC62Ew/g1-vitimas-feminicidios-salvador.jpg)
Mariana Angélica, Natalina dos Santos, Adriele Cardoso e Carla Nunes foram vítimas de feminicídio em Salvador — Foto: Arquivo pessoal
Salvador registrou quatro feminicídios em quatro dias, na última semana. Na madrugada desta segunda-feira (29), o investigado pelo mais recente deles foi detido por mandado de prisão. O feminicídio é tipificado como um crime de ódio contra as mulheres, e é praticado por diversos motivos. Para estudiosos e pesquisadores, todos eles por influência da sociedade.
- Mulheres vítimas de violência: veja lista com serviços de apoio jurídico e psicológico gratuitos oferecidos na Bahia
Se apontar a misoginia – que é a repulsa ou desprezo contra as mulheres – como base para os feminicídios pode parecer exagero, é preciso discutir o que justificaria um homem que passou oito anos preso por matar uma ex-companheira, cometer de novo o crime contra outra mulher?
Esse foi o caso de Anderson dos Santos Silva, que invadiu a casa da ex-namorada, Natalina dos Santos, no bairro da Liberdade, e a esfaqueou na madrugada de 25 de maio. O investigado conheceu a vítima em 2022, meses após sair da prisão por ter matado a mãe do filho dele.
Por que os homens matam as mulheres? Para quem se dedica a estudar o tema, a resposta é simplesmente porque podem. Essa noção de poder é influenciada pela sociedade desde que ainda são crianças, aplicada na maioria das vezes em relacionamentos heterossexuais, como explica a psicóloga Niliane Brito.
“É uma questão que tem a ver com o que foi nos designado culturalmente e historicamente. A sociedade propaga que o poder está no gênero masculino, e eu falo nos dois sentidos de poder: de algo pode ser exclusivamente feito por homens, e também do poder de status, que o homem detém o poder sobre a mulher”.
“Isso vem sendo mudando ao longo do tempo, à medida em que a mulher vai ocupando outro espaço na sociedade. Só que esse homem ele vai perdendo a sensação de virilidade, de poder, na sua concepção masculina”.
Dificuldade em lidar com as frustrações e o ‘luto’
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/c/4/BvcpoWRuGHYFiNhlRn0g/22-07-2022-nucleo-enfrentamento-e-prevencao-ao-feminicidio-nef-fot-bruno-concha-secom-pms-5-1024x683.jpg)
Homens que participam do Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio, da Prefeitura de Salvador — Foto: Bruno Concha/Prefeitura de Salvador
A psicologia usa o termo “limiar de frustração” para explicar a baixa capacidade que algumas pessoas têm de lidar com a contrariedade. No caso dos homens héteros, isso é acentuado pela sensação de perda do poder e do controle sobre o outro. E esse outro são as mulheres.
“Em muitos casos, o gênero masculino, por causa da questão do poder e da baixa validação de seus sentimentos, acaba não validando seus sentimentos, não consegue colocar seus sentimentos em evidência, para lidar e encarar suas emoções. E aí não lidam de forma saudável com a frustração”.
“E ainda tem a questão da possessividade: ‘se eu não tenho esse objeto amado, ninguém mais pode ter posse dele’”.
Depois de um relacionamento de sete anos, Adelson dos Santos Oliveira matou Carla dos Santos Nunes, aos 27 anos, por não aceitar o fim do namoro. Antes de cometer o crime, ele mandou várias mensagens para a vítima, sob a ameaça de que ela não teria nenhum outro companheiro além dele.
A psicóloga destaca que a falta de noção dos homens sobre a própria possessividade gera outro agravante: a desumanização das mulheres, já que elas deixam de ser um sujeito, tornando-as apenas um objeto que existe para suprir as necessidades afetivas e de relacionamento.
“Essa pessoa torna-se apenas um objeto de amor, um objeto de prazer. Esse objeto que só pode ser desse sujeito e, no delírio dessa pessoa, não pode ser de mais ninguém”.
Depois de matar Carla, Adelson descartou o corpo dela em uma rua no bairro do IAPI, em sinal de desprezo pela mulher a quem disse amar. Para a psicóloga, a dificuldade em lidar com o fim dos relacionamentos é uma das frustrações masculinas geradas pela noção de poder.
“Todo final de relacionamento é um luto, é como se a gente estivesse perdendo uma pessoa, um ente querido para a morte, é como se fosse um falecimento. Na ruptura de uma relação, precisa também ser elaborado esse luto, porque a gente tem a perda da pessoa amada. Quando não é possível lidar com isso sozinho, é necessária a ajuda de um profissional”.
Masculinidade tóxica e o papel da mídia no ‘efeito dominó’
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/L/A/7g21mJRWGel9CteBAAFg/22-07-2022-nucleo-enfrentamento-e-prevencao-ao-feminicidio-nef-fot-bruno-concha-secom-pms-7-1024x683.jpg)
Homens que participam do Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio, da Prefeitura de Salvador — Foto: Bruno Concha/Prefeitura de Salvador
Imagine crescer e passar toda a adolescência e juventude tendo que reprimir as próprias emoções e sentimentos, para suprir a expectativa social de ter um comportamento viril e ser o grande provedor: antes de vitimar as mulheres, a masculinidade tóxica também destrói a humanidade dos homens.
“É interessante pensar na importância de validar os sentimentos das crianças. Por exemplo, dizer frases do tipo: ‘homem não chora’, ‘não foi nada, você é forte, você aguenta’. Essas são marcas da masculinidade tóxica. A gente precisa estar alerta para alguns comportamentos, expressões e frases que são repetidas no âmbito familiar, com crianças e com quem quer que seja”, pondera Niliane.
Com quatro feminicídios seguidos em quatro dias, a sensação de efeito dominó não é apenas uma impressão. Niliane Brito explica que a representação dos crimes contra mulheres na mídia pode gerar um comportamento de cascata.
“É importante noticiar as estatísticas, sim, noticiar o que está acontecendo verdadeiramente na nossa sociedade, mas algumas questões têm que se ter cuidado ao noticiar. Tem que ter cuidado ao colocar ênfase nos casos, porque pode ser um gerador de gatilho”.
“É importante que não se comunique em detalhes como foi cometido o crime, como é que se matou aquela mulher. Casos muito marcados pela mídia podem, sim, ser um impulsionador de outros casos, de novos casos, assim como suicídios, por exemplo”.
Transformando a violência
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/5/L/3Xe651QGGzyZMoP56bLg/22-07-2022-nucleo-enfrentamento-e-prevencao-ao-feminicidio-nef-fot-bruno-concha-secom-pms-2-1024x683.jpg)
Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio, da Prefeitura de Salvador — Foto: Bruno Concha/Prefeitura de Salvador
O crime de feminicídio raramente é o início da violência contra a mulher. O ciclo costuma começar pela violência psicológica, quando a vítima é humilhada, tem suas ações controladas, é constrangida e ameaçada. Ou ainda patrimonial, quando o homem limita ou gera prejuízos financeiros à vítima.
A explicação parece ser simples, mas a violência é tão intrínseca que muitos homens alegam não saber que as cometiam, até chegarem ao ponto de agredir as companheiras. Esses relatos estão presentes nas ações do Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio (NEF) de Salvador.
Sob os cuidados da Secretaria Municipal de Política para Mulheres, Infância e Juventude da prefeitura de Salvador, o projeto atende, desde 2001, homens sob medidas protetivas. Por determinação judicial, eles precisam cumprir um cronograma de encontros semanais por três meses, e são monitorados por um ano.
“Muitos dizem que se transformaram em um novo homem, que não sabiam que o que eles faziam era violência, porque os pais já agiam assim”.
“Eles cresceram ouvindo que o homem tem que ser viril, então não pode ser frouxo, ou seja, falas machistas estruturais que nós temos, mas que ao final eles começam a refletir isso de uma outra forma”, descreve a secretária da SPMJ, Fernanda Lordêlo.
O NEF já chegou ao 15º grupo de formação, sendo que três deles já foram totalmente concluídos e outros dois serão iniciados. Pelo menos 150 homens passaram por atendimento no grupo, e o índice de reincidência na violência doméstica e familiar foi de zero.
“Esses homens têm aulas com preceptores, formadores e facilitadores que são contatos nossos da Guarda Municipal, delegadas e profissionais, que dialogam com eles sobre masculinidade tóxica, comunicação não-violenta, alienação parental, cidadania e todos os aspectos relacionados a Direitos Humanos, que envolvem a questão da potencialidade relacionada à violência doméstica e familiar”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/i/S/UOqlieTOi9FEAWDABI4g/22-07-2022-nucleo-enfrentamento-e-prevencao-ao-feminicidio-nef-fot-bruno-concha-secom-pms-4-1024x645.jpg)
Homens que participam do Núcleo de Enfrentamento e Prevenção ao Feminicídio, da Prefeitura de Salvador — Foto: Bruno Concha/Prefeitura de Salvador
O trabalho contra a reincidência começa com o combate à reatividade, porque quando chegam ao NEF os homens se sentem vítimas das mulheres que eles violentaram.
“No início é bem difícil, eles chegam bem reativos, culpabilizando as mulheres por estarem nesse espaço, mas com o tempo eles começam a refletir isso e já mudar bastante o discurso. Muitos não compreendem que o próprio NEF também é protetivo aos homens. Porque é uma reflexão da sua violência, antes dele se transformar num possível feminicida”.
“Quando ele reflete e faz essa autorresponsabilização do seu ato, ele passa a compreender que não se pode avançar na violência, sob pena de ele responder por um crime maior”.
Os encontros do NEF são parte de trocas de reflexões, e não funcionam como terapia. Apesar disso, o núcleo faz a orientação e direcionamento para os homens que expressem a necessidade desse tipo de atendimento, como explica a secretária Fernanda.
“Quando esse homem chega, ele tem esse atendimento pela assistente social, pela psicóloga, exatamente para que seja feito um uma escuta. Quando há efetiva necessidade de uma escuta mais individualizada, a equipe pode analisar com ele e orientá-lo. Nós fazemos o direcionamento para que façam esse acompanhamento terapêutico com esse homem, caso haja uma necessidade”.
Medidas protetivas e atuação das polícias Civil e Militar
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/G/c/qxkD1BTjaLsDAT9L8Sfg/whatsapp-image-2020-08-07-at-08.09.04.jpeg)
Ronda Maria da Penha Salvador — Foto: Alberto Maraux/ SSP-BA
O primeiro passo para que as mulheres sejam protegidas é buscar uma delegacia para registrar o crime. O principal empecilho são as ameaças sofridas ou mesmo a avaliação pessoal equivocada de que “não há necessidade” de fazer um boletim de ocorrência.
É só a partir do registro em delegacia que as mulheres podem ter a proteção do estado. Coordenadora da 3ª Delegacia de Homicídios, a delegada Pilly Dantas, explica como ocorre o processo.
“Desde o momento da ocorrência, é deslocada a equipe e iniciada a investigação. Com isso, é instaurado o inquérito policial. Durante o inquérito são coletadas todas as provas, são feitas as perícias, testemunhas são ouvidas e todas as provas são obtidas. Algumas vezes já há a prisão em flagrante, outras vezes é pedida a prisão temporária, que vai para apreciação do juiz, para deferir a prisão”.
Quando há prisão em flagrante, a polícia tem até 10 dias para concluir um inquérito. Nos outros casos, é possível concluir em 30 dias. Só então, esse inquérito é remetido ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que avalia se há necessidade de outras investigações, para fazer a denúncia do investigado.
“Nos casos de violência doméstica, é comum que o agressor tenha esse tipo de relacionamento com todas as suas companheiras. Começa com o ciúmes excessivo, depois tem a agressividade. Não é via de regra, mas é um comportamento que se reitera”, complementou a delegada Pilly Dantas.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/V/i/gKCt6USRKJffByA4NAgQ/whatsapp-image-2019-03-14-at-11.30.46.jpeg)
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), no bairro de Periperi, em Salvador para onde preso foi levado — Foto: Camila Oliveira/TV Bahia
Com o registro de ocorrência, as vítimas podem pedir uma medida protetiva – um recurso essencial para ajudar a enfrentar o feminicídio. Esse pedido também pode ser feito pela Polícia Civil, caso a delegada ou o delegado avaliem a necessidade.
Os pedidos são avaliados pelo juizado das Varas de Violência Doméstica e Familiar. Depois que as medidas são deferidas, a proteção é assegurada pela Operação Ronda Maria da Penha, comandada pela major Tereza Raquel, da Polícia Militar. Atualmente, 610 mulheres são assistidas em Salvador.
“A gente atua fazendo visitas solidárias a essas mulheres. Nós vamos até o seu encontro, para verificar se essas medidas de fato estão sendo cumpridas, se estão sendo respeitadas pelo agressor”.
“Nós também atuamos fazendo a parte preventiva, porque entendemos que, enquanto rede de atendimento, precisamos oferecer uma reflexão, em relação à transformação social que nós queremos”, destaca a major Tereza Raquel.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/O/h/XiMSUjQ3OKqGfIc7bmLw/img-2029.jpg)
Sede da Ronda Maria da Penha, em Salvador — Foto: Danutta Rodrigues
De acordo com a major, o trabalho da Ronda Maria da Penha se estende através de rodas de conversas e oficinas, além de palestras que são ministradas em todos os ambientes aos quais a polícia é convidada, como escolas, igrejas e faculdades.
“Nós temos o projeto Ronda para Homens, que é uma palestra que é realizada e aplicada exclusivamente para homens, para esse processo da reflexão do seu comportamento, que muitas vezes ele não internaliza como uma violência, mas que ele precisa ser instado a pensar nas suas práticas”.
A Ronda Maria da Penha funciona todos os dias, de domingo a domingo. Além disso, as vítimas também podem buscar o atendimento da Polícia Militar pelo 190, caso haja alguma intercorrência antes ou depois da visita da operação.
“A nossa periodicidade está muito relacionada à necessidade da mulher, ou melhor, às investidas por ventura dos agressores. Mas para além dessa atividade também de visita, a gente faz acompanhamento oficial de justiça, o afastamento do homem do lar, ou a recondução da mulher ao lar dela, que são atividades também voltadas para esse suporte da mulher em situação de violência”.







A 



