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Raio mata 103 cabeças de gado e deixa prejuízo de R$ 130 mil a fazendeiro

Um fazendeiro de Cacoal, município a 480 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, teve um prejuízo de cerca de R$ 130 mil após um raio cair em sua propriedade e matar 103 bovinos da raça Nelore que estavam no pasto.
Segundo o site G1, Paulo Elifas, dono da fazenda, estava na propriedade no momento em que o raio caiu e contou que a descarga causou um barulho muito alto durante no meio da noite.
“Eu ouvi o barulho do raio, um estrondo, e lembro que ainda pensei no perigo de esse raio ter caído na casa. Com todo aquele barulho, não sobraria nada”, contou o fazendeiro.
No dia seguinte, um funcionário da fazenda chegou a passar pelo local onde o gado estava, mas acreditou que os animais estivessem dormindo.
Só foi constatada a morte do rebanho quando um morador da região passou a pé pela estrada próxima à propriedade e, por ter achado estranho ver uma grande quantidade de animais juntos e nenhum deles se mexendo, decidiu chegar mais perto para verificar.
O gado morto seria colocado para engorda no próximo mês e, posteriormente, seriam abatidos.

Tragédia: Adolescente de 16 anos se despede de amigos no Whatsapp e comete suicídio

Fim de um namoro teria levado Kely Yorrana a cometer o ato trágico. Delegado disse que ela já havia tentado se matar outras duas vezes.

Uma jovem estudante do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Coriolano de Medeiros tirou a própria vida através de enforcamento na noite desta terça-feira, dia 06, no Jardim Guanabara, em Patos. A estudante foi identificada como sendo Kely Yorrana A. de Souza, de 16 anos.

Ela tirou a própria vida em sua casa após sair da casa da avó que fica próximo. A jovem teria dito a avó que iria em casa tomar um banho e voltaria, mas pouco minutos depois chegou o relato trágico. Em contato com uma professora da garota, a reportagem foi informada que a estudante era uma jovem que não aparentava ter problemas que levasse a tal atitude lastimável. No entanto, Kely Yorrana chegou a conversar com amigos em um grupo de WhatsApp.

“Amanhã vocês veem a notícia”. Um amigo da garota ainda tentou a convencer sobre o valor da vida, porém a estudante revidou com a seguinte frase: “Porque minha vida é um lixo” e finalizou confirmando que a tragédia “vai acontecer agora de noite”, dizia Kely nas mensagens.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ainda foram acionadas, porém já encontraram a jovem sem vida. O caso da estudante Kely Yorrana é uma alerta às famílias, pois na primeira semana de março outra adolescente tentou tirar a própria vida usando a mesma forma, ou seja, através de corda no pescoço.

Fim de relacionamento seria o motivo

O delegado da Polícia Civil de Patos, Demétrius Patrício, concedeu entrevista à imprensa local que buscou saber mais detalhes sobre o suicídio da jovem Kely Yorrana de 16 anos, neta de Fátima de Zé de Bal, filha do casal Fátima e Zé de Heleno Alves de Santa Terezinha, que tirou a própria vida por enforcamento ocorrido na noite dessa terça-feira (06). Kely era estudante do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Coriolano de Medeiros e residia no bairro Santo Antônio, em Patos. O delegado informou que após chegar ao local e ter uma conversa com os familiares da vítima, foi revelado que a jovem já tinha feito duas tentativas anteriores de suicídio, sendo uma no domingo passado e outra na segunda.

A polícia encontrou o corpo da garota suspenso por uma corda, no banheiro da residência. O delegado também contou que o irmão de Kely ainda presenciou a adolescente se debatendo antes de morrer. O rapaz teria tentado reanimá-la, porém, não obteve sucesso. O SAMU foi acionado mas não conseguiu chegar a tempo de prestar os primeiros socorros. A perícia compareceu ao local do fatídico e fez o levantamento dos indícios. Os familiares de Kely confirmaram que a mesma estava sofrendo com um quadro de depressão em virtude do fim do relacionamento com um namorado. Devido às tentativas anteriores, a família da vítima já tinha procurado um psicólogo para que a mesma fosse submetida a uma avaliação.[fonte blog do marcelo ]

MAIS DE 4,4 MIL MULHERES FORAM MORTAS NO BRASIL EM 2017; MÉDIA É DE 12 POR DIA

Resultado de imagem para nao a violencia contra mulherPassou de 4,4 mil o número de mulheres mortas no Brasil no ano passado. Um levantamento feito pelo G1, considerando dados oficiais das 27 unidades federativos, indica que 4.473 mulheres foram alvo de homicídio doloso, quando há intenção de matar. A média é de 12 mortes por dia.

Do total, 946 casos se referem a feminicídio, quando as mulheres são mortas por sua condição de gênero. Segundo a publicação, houve aumento de 6,5% nos crimes em comparação a 2016, quando foram registrados 4.201 homicídios, dos quais 812 feminicídios.

A estatística pode aumentar, porque alguns estados ainda não fecharam os dados de 2017. O Rio Grande do Norte lidera o índice de homicídios contra mulheres, com uma média de 8,4 a cada 100 mil mulheres. Já o Mato Grosso é o estado com maior taxa de feminicídio: 4,6 a cada 100 mil. Na Bahia, a Ouvidoria diz que não há estatísticas de feminicídio referentes a 2015 e 2016.

Fonte: BN/Foto Ilustrativa

VEJAM O VIDEO ] HOMENAGEM DO 77-CIPM POLICIA MILITAR DO ESTADO DA BAHIA A TODAS AS MULHERES

DIA INTERNACIONAL DA MULHER -Nada a comemorar

 (Foto: Alexandre Mauro/G1)Nesta quinta-feira, 8 de março, países do mundo todo celebram o Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a busca pela igualdade entre homens e mulheres. A data é percebida por muitos como um momento festivo, no qual se distribuem flores e mensagens que ressaltam a importância da mulher na sociedade. Mas neste 8 de março, nós, mulheres brasileiras, não temos muito a celebrar. Os dados divulgados pelo Monitor da Violência, parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o Brasil permanece como uma das nações mais violentas do mundo para as mulheres.

As estatísticas levantadas pelo G1 mostram que 4.473 mulheres foram vítimas de homicídio em 2017, um crescimento de 6,5% em relação a 2016, quando 4.201 mulheres foram assassinadas. Isso significa que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, taxa de 4,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino. Para que o leitor tenha ideia do que isso representa, se considerarmos o último relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocuparia a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países.

O levantamento também inclui dados sobre feminicídios e revela que foram registrados 946 casos no país ano passado, aumento de 16,5% em relação a 2016. Neste caso, o aumento é uma notícia positiva, pois indica que os estados estão se empenhando em aprimorar os registros deste crime. Mas é evidente que ainda há subnotificação.

O feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher, motivado geralmente por ódio ou desprezo. A Lei do Feminicídio (13.104 de 2015) foi sancionada há apenas três anos no Brasil, o que serve de explicação para o reduzido registro de casos nesta categoria. Como as estatísticas de mortes são produzidas a partir dos boletins de ocorrência lavrados pela Polícia Civil, muitas vezes o registro inicial é de homicídio e a classificação como feminicídio só será possível após encerradas as investigações, exigindo dos setores responsáveis pela produção de estatísticas a retificação destes casos.

Além disso, mudanças legislativas como a que a lei 13.104 introduziu exigem a formação e sensibilização de policiais e operadores do sistema de justiça criminal para que sejam capazes de diferenciar um homicídio comum de um feminicídio. Para tanto, a ONU Mulheres desenvolveu um documento para auxiliar o processo de formação destes profissionais, intitulado “Diretrizes Nacionais para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres (feminicídios)”. Nele, estão contidos aspectos essenciais para inclusão da perspectiva de gênero na investigação criminal e orientações para aprimorar o trabalho dos diferentes atores envolvidos como policiais, peritos e promotores.

Maridos ou companheiros

Como o Brasil ainda não conta com um sistema nacional de estatísticas criminais que monitore periodicamente o fenômeno, pesquisadores têm se debruçado em informações produzidas pelo sistema de saúde para ampliar a compreensão sobre estes casos. E se considerarmos os últimos dados de mortes por agressão do sistema de saúde verificamos que 50% das vítimas de homicídio do sexo feminino no Brasil são mortas por parentes, dos quais 33% são os maridos ou companheiros. Sob este critério, é de se esperar que ao menos 2.200 mulheres tenham sido vítimas de feminicídios íntimos no ano passado.

O estado que apresentou a maior taxa de feminicídios foi o Mato Grosso, com 4,6 mortes para cada 100 mil mulheres, seguido do Acre, com taxa de 3,2, e do Espírito Santo, com taxa de 2,0. Mas como ressaltado, os registros de feminicídio ainda são precários e vale também observamos a taxa de mortalidade de todos os homicídios de mulheres nos estados. Sob esta análise, o cenário é ainda mais grave porque 14 dos 25 estados que enviaram dados apresentaram taxa superior à média nacional. O pior cenário registrado foi no Rio Grande do Norte, com 8,4 mortes para cada 100 mil mulheres, seguido do Acre, com taxa de 8,3, e na terceira posição Espírito Santo e Pará, com 6,7 mortes para cada 100 mil mulheres cada um.

O crescimento nos homicídios de mulheres preocupa e evidencia a incapacidade do Estado brasileiro, em suas diferentes esferas e poderes, de interromper a violência de gênero no país. Nesse contexto, o feminicídio coloca-se como tragédia anunciada, mas também como uma oportunidade de tirar o tema da invisibilidade. O feminicídio é o desfecho trágico de uma trajetória de dor, violência e sofrimento. Um crime cruel que afeta as mulheres de todas as idades e classes sociais pelo simples fato de serem mulheres. E que pode ser evitado.

Por isso, o dia 8 de março que se aproxima e todos os outros dias do ano deviam ser dias de luta e enfrentamento às pequenas violências cotidianas tão incorporadas em nossa sociedade: desde o menosprezo a capacidades das mulheres até as diferenças salariais, do assédio sexual no espaço público até o assédio moral no ambiente de trabalho, das pequenas violências simbólicas à violência física.

Deixemos para celebrar o dia em que nenhuma mulher for assassinada apenas por ser mulher.

Samira Bueno é diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Juliana Martins é pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

VIOLÊNCIA SEM FIM – Dez mulheres mortas no fim de semana no Ceará. Aumento é de 296%

No intervalo de apenas quatro dias de março, 13 mulheres foram assassinadas no Ceará

Edivânia (Sobral)                             Maria José (Caucaia)                Brenda (Maranguape)

Com 10 assassinatos no fim de semana, subiu para 111 o número de mulheres mortas neste ano no estado do Ceará. O índice representa um aumento da ordem de 296 se comparado a igual período de 2017, quando foram registrados apenas 26 casos entre os dias 1º de janeiro e 4 de março.

Somente nos primeiros quatro dias de março de 2018, 13 mulheres foram vítimas de homicídio no Ceará, sendo cinco delas em Fortaleza (nos bairros Vicente Pinzón, Jacarecanga, Edson Queiroz, Mondubim e Granja Portugal), quatro na Região Metropolitana de Fortaleza/RMF (dois em Marangape, Pacajus e Caucaia) e três no Interior (dois em Sobral e um em Ipaporanga).

Uma das vítimas dos assassinatos foi uma jovem identificada até o momento apenas por Danielle, aproximadamente 20 anos de idade, cujo corpo, com marcas de tiros, foi encontrado na manhã de sábado passado (3), numa estrada de terra no bairro Pedra Branca, na periferia da cidade de Pacajus (a 49Km de Fortaleza).

Na noite de sexta-feira (2), uma mulher foi espancada até a morte pelo marido. O feminicídio aconteceu no bairro Terrenos Novos, na cidade de Sobral, na zona Norte do estado. A dona de casa Maria Deusalina da Silva Brito chegou a ser socorrida a um hospital público, mas não resistiu.

Menos de 24 horas depois, novamente em Sobral ocorreu um assassinato de mulher. Desta vez, no bairro Sinhá Sabóia, onde a jovem Edivânia Florêncio da Silva, 20 anos, foi atingida com um tiro na cabeça e morreu quando era socorrida para um hospital daquela cidade.

Em Ipaporanga (a 375Km de Fortaleza), a dona de casa Francisca da Silva dos Santos, 35 anos, foi assassinada a tiros dentro de sua casa, na localidade conhecida como Sítio Água Branca, na zona rural. O crime ocorreu na noite de sexta-feira e, no dia seguinte, o pai dela, o aposentado Francisco Gonçalves Xavier, o “Chico do Rádio”, também foi encontrado morto com um golpe de faca no pescoço. A Polícia suspeita que os dois assassinatos foram praticado pelo ex-marido de Francisca, identificado por Oswaldo Chaves, que horas depois também foi encontrado morto, provavelmente tenha praticado o suicídio.

Mais crimes

Na tarde deste domingo, uma jovem identificada apenas por Brenda, foi assassinada, a tiros, no Distrito do Amanari, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza.

No bairro Padre Júlio Maria, em Caucaia, uma dona de casa identificada como Maria José, ou “Dona Mazé”, foi assassinada com um tiro na cabeça quando se encontrava sentada numa cadeia de balanço na calçada de sua residência.

Ainda neste domingo, a Polícia registrou mais dois assassinatos de mulheres em Fortaleza, nos bairros Granja Portugal e Jacarecanga.

Fonte: Blog Fernando Ribeiro

Bebê de oito meses morre eletrocutado após segurar fio de ventilador

Um bebê de oito meses morreu eletrocutado após engatinhar e segurar um fio de ventilador que estava sem proteção.
O caso aconteceu neste último sábado (03), na casa da tia da criança, que fica localizada em Olinda, cidade do Grande Recife.
João Vitor morava com os avós em uma localidade conhecida como Córrego da Esperança, em uma casa com condições muito precárias e de difícil acesso.
De acordo com os parentes, o bebê foi levado para uma policlínica, mas já chegou sem vira ao centro de saúde.
Em entrevista a avó da criança, Verônica Conceição da Silva, relatou que a família estava preparando uma celebração da igreja quando o menino engatinhou e segurou o fio desencapado.
“Ele desmaiou e eu chamei os vizinhos para levar o menino para o hospital, mas ele morreu no caminho”, contou muito emocionada. As informações são do G1 Pernambuco.

A vida dos mais de 50 sem-teto que moram em cemitério e chegam a dormir dentro de tumbas em SP

  • Homem dorme próximo a túmulos no cemitério da Vila Nova CachoeirinhaHomem dorme próximo a túmulos no cemitério da Vila Nova Cachoeirinha

O chão está forrado de penas pretas na área em que dois urubus disputam a carcaça de um cachorro morto. A cena é a recepção para quem chega ao que cerca de 50 pessoas chamam de casa: o cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo.

Quem anda pela avenida central do local, administrado pela Prefeitura de São Paulo, tem o desafio de controlar os enjoos provocados pelo cheiro de animais em decomposição. Ossos de aves se estilhaçam sob os pés conforme o caminhar do visitante. O ar de abandono é inegável ao longo dos 350 mil m² do cemitério, o segundo maior de São Paulo, com 21 mil sepulturas e gavetas, parte delas encobertas por um matagal que atinge a altura da cintura de um adulto.

O esperado silêncio do local é quebrado cerca de 500 metros após a entrada. A partir dali é possível avistar as primeiras lonas apoiadas em bambus e pedaços de madeira. Ao menos cinco barracos foram erguidos dentro do cemitério, em uma espécie de vila precária. Os abrigos, mobiliados com sofá, cadeiras, varal para estender roupas e até enfeite de flor artificial, são a casa de dezenas de pessoas.

Um espaço entre os ossários – dois paredões onde são depositadas as ossadas retiradas das covas – foi convertido em banheiro pelos moradores. Junto a dejetos humanos, havia na área vômito, restos de comida, roupas e entulho.

Presença de crianças é vetada

Entre os sem-teto, há homens, mulheres – uma delas com deficiência física -, idosos e travestis. Os moradores da área afirmam vetar apenas a presença de crianças, devido ao ambiente insalubre e ao constante uso de drogas. Lúcio*, de 28 anos, não cansa de falar da saudade que sente de sua filha, de 8 anos.

Lúcio deixou Belo Horizonte (MG) com a mulher e a filha para trabalhar como vendedor no Brás, no centro de São Paulo. O negócio não deu certo, ele se divorciou e a criança voltou com a mãe para Minas.

“Sem trabalho, eu não consegui pagar aluguel e fui morar com a minha mãe na Vila Nova Cachoeirinha (mesmo bairro do cemitério). Mas ela colocou muitas regras e não deu certo. Fui para a rua, virei camelô e vim para cá há cinco meses”, conta o jovem com lágrimas nos olhos.

Se Lúcio é relativamente recente na vizinhança, Igor*, de 41 anos, 12 deles passados no cemitério, é um dos moradores mais antigos no local.

Sentado em um banquinho, ele destampa uma lata, tira dali um tubinho metálico, um pedaço de papel alumínio e um saco plástico, e cuidadosamente monta um cachimbo em que fuma duas pedras de crack, enquanto conta sua história à BBC Brasil, a poucos metros de algumas covas abertas.

“A primeira vez que fumei crack foi no fim de 1993. Mesmo fumando com frequência, trabalhei como operador de empilhadeira, comunicação visual em várias empresas, além de tradutor e intérprete de japonês no bairro da Liberdade”, conta.

Igor afirma ter aprendido japonês depois que, em 1995, foi morar no Japão, terra natal de sua avó paterna. A experiência internacional, no entanto, não terminou bem.

“Fui preso por tráfico de drogas, vandalismo, atropelamento e corrupção de menores. Fui deportado para o Brasil em dezembro de 1997. Minha família não quer mais saber de mim. Hoje, a gente só se vê em velório, casamento e festa”, diz.

Igor diz ter tentado recomeçar a vida no Brasil, mas o vício em drogas foi mais forte. “Eu só consigo trabalhar se tiver alguém 24 horas do meu lado me incentivando. Hoje, eu tiro meu sustento do lixo, catando reciclagem na rua. Num dia bom, eu pego bastante alumínio e tiro até R$ 100. Mas geralmente eu carrego 100 kg de papel por R$ 20. É pouco, só o suficiente para manter meu vício”, diz ele.

Ele afirma que retira do lixo doméstico parte de suas roupas e alimentação, como bolos e alimentos jogados em pacotes fechados. Tudo dividido com os demais moradores da área. Em uma manhã da última semana, um suco amarelo armazenado em uma garrafa PET suja de graxa passava de mão em mão para saciar a sede de Igor e os demais. Sem televisão, ele também se informa por meio de jornais que recolhe dos sacos de lixo. Parece adaptado ao ambiente, apesar da falta de conforto.

“O que mais me deixa triste é não poder abrir uma geladeira e ter o prazer de tomar uma Coca-Cola bem gelada ou comer uma fruta”, diz Igor.

Ele admite que, em “momentos de desespero”, cometeu furtos por uma pedra de crack. “Sou químico geral. Uso de esmalte a tinner. Já usei cristal dos Estados Unidos, ópio, haxixe e muita cocaína”.

Noites dentro das tumbas

A presença de pragas, como ratos e baratas, é constante no local onde os sem-teto ergueram suas barracas. À noite, os insetos se multiplicam, mas a maior dificuldade é enfrentada no período de chuvas.

Durante o verão, as enxurradas molham os sofás velhos que eles usam para dormir e se reunir. Para se proteger, os moradores admitiram arrastar grandes pedras de mármore que cobrem os túmulos e dormir nas gavetas, ao lado dos caixões. Eles se recusaram a mostrar esses locais para a reportagem, mas a informação foi confirmada por funcionários.

A prefeitura de São Paulo reconhece que “é recorrente a montagem por dependentes químicos de tendas dentro e fora do Cemitério Vila Nova Cachoeirinha para o consumo de drogas”. A administração diz que as barracas são “retiradas pelos funcionários, mas logo surgem outras no local”. Informou ainda que “aciona, sempre que necessário, o Centro de Zoonoses para tomar providências” em relação aos animais mortos e que há uma empresa responsável pela limpeza e retirada de mato da área.

A administração municipal não informou, no entanto, quanto gasta na manutenção da área, quantas pessoas trabalham ali nem desde quando existe essa ocupação dentro do cemitério, mas a reportagem sabe da presença desses sem-teto no local há pelo menos quatro anos.

Rodrigo*, de 40 anos, diz que passa pelo menos parte de seu dia no cemitério há 15 anos.

Ele conta que dorme no local, mas vai à casa dos pais, que vivem na região, todos os dias para tomar banho, almoçar e jantar. “Eu fiz um curso de hotelaria na Escola Técnica Federal. Eu fumo crack há 21 anos e queria arrumar emprego e sair dessa vida, mas eles (pais) sabem o quanto isso é impossível”

Sem visitas

Quem visita o cemitério da Vila Nova Cachoeirinha chega a ver os moradores da área circulando por ali. Eles tentam conseguir alguns trocados em troca da limpeza de um túmulo. Mas muito pouca gente se aproxima da região onde eles vivem.

“A prefeitura nunca apareceu para tentar nos ajudar, só vem para derrubar nossos barracos. A Pastoral (do Povo de Rua) visita a gente uma vez por ano para saber se estamos vivos e só a Polícia Militar aparece sempre para ‘dar um salve’ na gente”, diz um homem que pediu para não ser identificado, usando uma gíria para se referir a espancamentos dos agentes policiais.

“Já fui espancado e torturado aqui de joelhos durante horas por policiais. Eles nos chamam de viciados malditos, ficam perguntando onde estão os cachimbos e derrubam os barracos. Eles querem que a gente faça o quê? Vá para onde?”, questiona.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a Polícia Militar se posicionaram após a publicação da reportagem. “A Polícia Militar esclarece que as informações foram repassadas ao Comando PM local a fim de que as informações sejam apuradas”, diz a corporação em nota.

Um funcionário que trabalha há mais de 20 anos no cemitério disse à reportagem que há uma relação de respeito entre os sem-teto, os funcionários do cemitério e os poucos visitantes da área. “As pessoas têm muito medo de chegar perto deles. Mas eles ficam lá embaixo, não mexem com ninguém”, afirmou.

Após uma reforma que durou cinco anos, a capela do cemitério está fechada e também serve de abrigo para moradores de rua. A prefeitura informou que o local só é aberto “em datas especiais, como o Dia de Finados.” A administração do cemitério disse ainda que há três salas de velório, mas não explicou porque elas também estão fechadas.

Em dois dias de visita, a reportagem percorreu toda a área do cemitério e andou por quilômetros entre os túmulos. Nenhuma quadra estava livre do lixo.

Funcionários que pediram para não ser identificados disseram que não conseguem dar conta de limpar nem sequer metade da área. “Nós estamos em seis. Quando a gente termina de um lado, o outro já está com mato alto e todo sujo”, conta um deles.

Mas a área do cemitério pode estar diminuindo sem o conhecimento da Prefeitura de São Paulo. Moradores da região disseram à reportagem a favela do Boi Malhado, no limite de uma das laterais do cemitério, está crescendo para dentro da área pública. A reportagem identificou três casas em construção em um dos limites do cemitério, que não é demarcado por muros ou cercas. As casas começam, literalmente, onde terminam os túmulos.

A prefeitura disse que sabe que há casas dentro do cemitério e diz que já pediu a reintegração de posse à Justiça em 2016. “A pedido da Justiça, foi realizada audiência de conciliação em que os ocupantes do local concordaram em sair voluntariamente da área até janeiro de 2018, o que não foi cumprido. Já foi solicitada nova expedição de reintegração de posse”, informou a administração em nota.

*Os nomes dos entrevistados foram trocados pela reportagem da BBC Brasil para preservar a identidade deles.

Atriz Tônia Carrero morre aos 95 anos no Rio de Janeiro Informação foi confirmada pela família à GloboNews. Ela passava por cirurgia em uma clínica particular na Gávea quando sofreu parada cardíaca e não resistiu, segundo a neta, Luiza Thiré.

A atriz Tônia Carrero fez parte do elenco de 54 peças, 19 filmes e 15 novelas (Foto: Divulgação)A atriz Tônia Carrero morreu por volta das 22h15 deste sábado (3), aos 95 anos, segundo a GloboNews. A informação foi confirmada pela família da atriz.

Tônia Carrero, cujo nome de nascimento é Maria Antonietta Portocarrero Thedim, passava por uma pequena cirurgia em uma clínica particular na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, quando teve uma parada cardíaca e não resistiu.

Ela tinha sido internada na sexta (2) com uma úlcera no sacro e morreu durante procedimento médico, afirmou a neta da atriz Luiza Thiré, à GloboNews. Luiza também disse que o velório deve ocorrer neste domingo (4) e a avó deve ser cremada na segunda-feira (5).

O local e detalhes do velório ainda não foram definidos pela família.

Tônia é a matriarca de uma família que tem quatro gerações de artistas: além do único filho, o ator Cécil Thiré, netos e bisnetos também seguiram a carreira. Ela é classificada pelo projeto Brasil Memória das Artes, da Funarte, como “diva e dama” e “referência de beleza, inteligência e talento na história do teatro brasileiro”.

54 peças, 19 filmes e 15 novelas

Uma das atrizes mais consagradas do Brasil, Tônia é conhecida por inúmeros papéis marcantes – como Stella Fraga Simpson, em “Água Viva” (1980), e a Rebeca, de “Sassaricando” – e integrou o elenco de 54 peças, 19 filmes e 15 novelas.

Sua última novela foi “Senhora do Destino” (2004), de Aguinaldo Silva, na qual fez uma participação especial. No cinema, sua última aparição foi em “Chega de Saudade” (2008).

Grande homenageada do Prêmio Shell de 2008, Tonia atuou no teatro pela última vez em 2007, em ‘Um Barco Para o Sonho’, de Alexei Arbuzov, peça produzida pelo filho Cécil e dirigida pelo neto Carlos Thiré.

Tônia começou na televisão na década de 60, a convite do autor Vicente Sesso, para fazer “Sangue do Meu Sangue” ao lado de Fernanda Montenegro e Francisco Cuoco. A novela do diretor Sérgio Britto foi exibida em 1969 pela TV Excelsior

Formada em educação física

Filha de Hermenegildo Portocarrero e Zilda de Farias Portocarrero, Maria Antonieta Portocarrero Thedim nasceu em 23 de agosto de 1922, em uma família de militares, e se formou em educação física em 1941.

Sua formação artística foi obtida em cursos em Paris, para onde foi com seu então marido, o artista plástico e diretor de cinema Carlos Arthur Thiré. Lá, teve aula com grandes atores, dentre eles Jean-Louis Barrault.

Em seu retorno ao Brasil, aos 25 anos, estrelou seu primeiro filme, “Querida Suzana”, de Alberto Pieralise. ao lado de Anselmo Duarte, Nicette Bruno e da bailarina Madeleine Rosay.

Dois anos depois, em 1949, sobiu aos palcos pela primeira vez em “Um Deus Dormiu Lá em Casa”, com Paulo Autran. A produção havia sido realizada pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, sob direção artística de Adolfo Celi – segundo marido de Tônia.

Nos anos seguintes, estrelou inúmeras peças do TBC, como “Amanhã, se Não Chover” (1950), de Henrique Pongetti; e “Uma Mulher do Outro Mundo” (1954), de Noel Coward; “Otelo” (1956), de Shakespeare; “Entre Quatro Paredes” (1956), de Jean-Paul Sartre; e “Seis Personagens à Procura de um Autor” (1960), de Luigi Pirandello.

Tônia Carrero completa 95 anos de idade

Tônia Carrero completa 95 anos de idade

Grande beleza

Sua beleza chamava a atenção de diversos diretores de cinema. Assim, a convite do empresário Franco Zampari, ela integrou a Cia Cinematográfica Vera Cruz, da qual tornou-se um dos rostos mais conhecidos.

Foi protagonista de “Apassionata” (1952), de Fernando de Barros; “Tico-tico no Fubá” (1952), de Adolfo Celi; e “É Proibido Beijar” (1954), de Ugo Lombardi.

Em 1967, ela se despede da imagem sofisticada e mergulha no universo de Plínio Marcos em “A Navalha na Carne”. Ao lado de Emiliano Queiroz e Nelson Xavier, e sob a direção de Fauzi Arap, vive a prostituta Neuza Suely. A montagem incomodou a ditadura militar, se tornou um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada e foi um divisor de águas na sua carreira.

Carreira na televisão

Um de seus personagens mais marcantes da atriz foi a sofisticada e encantadora Stella Fraga Simpson, em “Água Viva” (1980), de Gilberto Braga. Tônia viria a trabalhar novamente com o autor em 1983, na novela “Louco Amor”, desta vez interpretando Mouriel.

Em 1978, integrou o elenco de “Quem Tem Medo de Virgínia Wolf”, de Edward Albee, com direção de Antunes Filho. Em 1984, subiu aos palcos para encenar o espetáculo “A Divina Sarah”, de John Murrell, com direção de João Bethencourt.

Três anos depois, viveu mais um personagem marcante na TV: Rebeca, de “Sassaricando”. Em 2000, também na Rede Globo, interpretou Mimi Melody em “Esplendor”, de Ana Maria Moretzsohn.

Tônia Carrero atuou no teatro, no cinema e na televisão (Foto: Divulgação)

Tônia Carrero atuou no teatro, no cinema e na televisão (Foto: Divulgação)

Tremor de terra é sentido na Capital alagoana

Bairro da Serraria também sentiu tremor   (Crédito: Cortesia ao TNH1 /)

Bairro da Serraria também sentiu tremor (Crédito: Cortesia ao TNH1 /)

Um forte tremor de terra foi sentido pelos moradores dos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Jatiúca, Cruz das Almas, Serraria, Feitosa e Farol neste sábado (3), deixando muita gente assustada.

Vários relatos passaram a ser compartilhados em grupos de mensagens e, assustados, moradores de prédios saíram para a rua, temendo desabamentos.

A tarde, a Prefeitura de Maceió acionou a Defesa Civil Nacional e o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) para apurar as causas do tremor. Coincidentemente, um dos bairros, o Pinheiro, havia registrado rachaduras em algumas residências.

Segundo os relatos, o tremor foi percebido em casas nos bairros mais próximos ao Pinheiro e, nos mais distantes, só em apartamentos.

A Defesa Civil de Maceió foi acionada e chegou ao Pinheiro por volta das 15h