O número de mortos em presídios no Amazonas subiu para 55. Além dos 15 assassinados na manhã de domingo, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), outros 40 foram registrados em outras três unidades prisionais nesta segunda-feira (27). Inicialmente, o governo do Amazonas havia informado que eram 42 mortos. Até agora, são 25 mortes no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat); seis na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP); cinco no Centro de Detenção Provisório de Manaus (CPDM1); e outras quatro no Compaj. O ministro da Justiça, Sergio Moro, anunciou nesta segunda-feira que enviará tropas da Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para reforçar a segurança no Compaj.

Familiares de presos protestam na entrda de presídio em Manaus. Briga de facções deixou 57 mortos em quatro unidades prisionais

O massacre expõe a disputa de poder dentro da principal facção da Região Norte, segundo promotores que investigam e investigaram sua atuação. Parte do massacre ocorreu na mesma penitenciária onde, em 2017, 56 detentos morreram durante confronto entre esse grupo criminoso e a principal facção de São Paulo, que tentava se infiltrar no estado.

O setor de inteligência do Ministério Público atribui as mortes a um racha entre integrantes da maior facção criminosa do amazonas, criada em 2007. No centro da briga, estão os fundadores José Roberto Fernandes, o “José Compensa”, e João Pinto Carioca, o “João Branco”.

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Os 15 mortos na manhã de domingo seriam ligados ao grupo comandado por João Branco. De acordo com o mesmo promotor, um terceiro grupo da própria facção está plantando a discórdia entre ambos, com o objetivo de tomar o poder.

O número de mortes pode aumentar em razão de outros assassinatos que teriam ocorrido nesta segunda-feira. A Secretaria de Administração Penitenciária, contudo, não confirma esses casos.

Segundo um promotor do Amazonas, ao contrário do massacre ocorrido no estado, em janeiro de 2017, desta vez os presos não filmaram nem fotografaram os corpos – prática usada para demonstrar poder. Isso porque, desde a matança anterior, o acesso a celulares e armas dentro dos presídios está mais rigoroso.

De acordo com a Seap, no massacre deste domingo, os presos morreram por asfixia e perfuração. Os detentos usaram as próprias mãos para sufocar seus rivais. Em alguns casos, mataram com objetos perfurantes, como o cabo afiado de escovas de dentes.

Durante a visita

A matança do domingo foi durante o horário de visitação na unidade, diante dos familiares. A briga entre os presos no Compaj, na BR-174, terminou com 15 mortos. O conflito foi confirmado pela Seap às 12h30 (horário local). O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para realizar a remoção de corpos, e três viaturas foram encaminhadas à unidade.

Extra.Globo