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Governo entrega mais 10 mil máscaras para povos e comunidades tradicionais da Bahia


O Governo do Estado enviou, nesta terça-feira (23), 10 mil máscaras reutilizáveis de tecido para serem distribuídas a povos e comunidades atendidas pelos programas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Com estas, mais de 170 mil unidades já foram entregues para a Sepromi, desde o início da pandemia do Coronavírus. As máscaras são destinadas para famílias de comunidades das periferias, dos segmentos quilombolas, indígenas, fundos e fechos de pasto, geraizeiros, extrativistas, dentre outros.

As máscaras foram adquiridas junto a 603 associações, cooperativas e empresas habilitadas para a produção de mais de 13 milhões de unidades, gerando oportunidade de trabalho em toda a Bahia, numa ação realizada em parceria entre as secretarias do Planejamento (Seplan), Desenvolvimento Econômico (SDE) e Desenvolvimento Rural (SDR). Além destas, o Governo do Estado adquiriu outras 2,6 milhões de máscaras através da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).

“O Governo da Bahia não tem poupado esforços no combate a esta terrível pandemia, inclusive distribuindo sistematicamente máscaras em todo o território baiano. Estamos atravessando um momento crítico e precisamos que as pessoas utilizem máscaras, pratiquem o distanciamento social e higienizem as mãos com frequência. Só vamos vencer esta guerra com a mobilização de toda a sociedade”, ressalta o secretário estadual do Planejamento, Walter Pinheiro.

“Este é, sem dúvidas, um esforço conjunto do Governo do Estado, agregando ações de diversas secretarias no cuidado com a nossa gente. Assim, as políticas de proteção e inclusão da população negra e dos segmentos tradicionais são ainda mais ampliadas num momento tão delicado, somando ao trabalho de lançamento de campanhas e editais específicos para este contexto”, destaca a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis.

O site poções24horas parabeniza todos os moto taxistas pelos seus 20 anos de serviço prestado ao município de Poções

  Em Poções o serviço de moto taxista surgiu em 2001, antes os moradores tinham dificuldade de chegar até um local rápido por conta de ter de ir a pé, após a fundação da associação dos motos taxistas em Poções facilitou bastante a trafegabilidade dos moradores, “Além da agilidade adianta bastante o meu tempo” disse uma moradora. ” Gosto muito do trabalho deles que é bem sacrificado. ” disse uma moradora, que sempre utiliza os serviços.

 Vale lembra que esses pais de famílias que trabalham com chuva e sol não fazem não só o serviço de transporte mais também realiza varias ação solidaria na cidade, ajudando muitas famílias carentes.

Nós do poções 24 horas deixamos nossos agradecimento a esses guerreiros pelo o excelente trabalho na zona rural e urbano de Poções

Vitória da Conquista: Mãe e filho sofrem tentativa de homicídio dentro de casa

Um adolescente de 17 anos e a mãe Jaqueline Santos, de 34 anos, seguem internados no Hospital de Base de Vitória da Conquista, no sul da Bahia, após serem baleados dentro da própria casa na Avenida N, no bairro Vila Elisa, no último sábado (20). Conforme apurado pelo Blog Rodrigo Ferraz, dois homens são apontados como responsáveis pelo crime.

O jovem recebeu três tiros na região do tórax e a mulher foi baleada no olho direito, não há informações do estado de saúde deles, mas não correm risco de morte.

A ocorrência foi registrada no Distrito Integrado de Segurança Pública de Vitória da Conquista e as buscas sobre os acusados estão em curso já que nenhum foi localizado até a manhã desta terça-feira (23).

Funcionários da Ford retornam ao trabalho na fábrica de Camaçari

Cerca de 700 funcionários da Ford retornam aos postos de trabalho, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, nesta terça-feira (23). Uma pequena parte do grupo de trabalhadores voltou ainda na segunda-feira (22).

Na última quinta (18), o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT5-BA) determinou que os funcionários demitidos da montadora retornassem aos postos de trabalhos.

Covid-19: MP-BA faz recomendações à Prefeitura de Conquista e Governo do Estado; Confira

O Ministério Público da Bahia, através da Promotora de Justiça Guiomar Miranda, titular da 11ª PJ, recomentou ao município de Vitória da Conquista, na pessoa da prefeita em exercício, Ana Sheila Lemos Andrade, acatamento do Decreto Estadual que amplia o horário da restrição de circulação noturna das 20h às 05h e a “progressiva implementação e/ou reativação de leitos para tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19, incluindo-se os leitos clínicos e de UTI, inclusive pediátricos, com recursos municipais, a fim de garantir a suficiência de vagas na rede de atenção à saúde para fazer frente ao crescimento acelerado dos indicadores epidemiológicos, notadamente ante a identificação de transmissão, no Estado da Bahia, de uma nova cepa do SARS-CoV-2″.

Ao governador Rui Costa e o Secretário Estadual de Saúde, Fábio Villas Boas, o Ministério Público também recomenda que os mesmos determinem “a progressiva implementação e/ou a reativação de leitos eventualmente desativados, incluindo-se os leitos clínicos adultos, de UTI adulto, clínicos pediátricos e de UTI pediátrica, no Município de Vitória da Conquista.

Entre as consideração da recomendação expedida nesta segunda-feira, 22, a Promotora ressalta que “a saúde pública e a sua garantia são responsabilidades do Estado (compreendido como União, Estados e Municípios), que deve adotar políticas públicas claras e definidas, a fim de garantir o bem-estar de todos, prevenindo doenças e garantindo o atendimento integral, de forma ininterrupta, tal como preceitua os artigos 196 e 197, ambos, da Constituição Federal”.

Na hipótese de desatendimento à recomendação, falta de resposta ou de resposta considerada inconsistente, o órgão do Ministério Público adotará as medidas cabíveis.

Butantan entrega 1,2 milhão de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta terça-feira

O Instituto Butantan entrega nesta terça-feira (23) 1,2 milhão de doses da vacina CoronaVac para o governo federal. O montante faz parte das mais de 3,4 milhões que serão distribuídas ao Ministério da Saúde nos próximos dias.

A expectativa inicial era a de fazer oito remessas diárias de 426 mil. Entretanto, segundo Dimas Covas, diretor do Instituto, a capacidade foi ampliada e já nesta terça serão entregues 1,2 milhão de doses.

“Hoje é um dia importante para a história do Butantan. Mais um dia de luta, mais um dia de se entregar vacinas. Vamos entregar 1,2 milhão de vacinas ao nosso Ministério da Saúde. E não vamos parar, vamos continuar entregando”, afirmou Dimas Covas. Nesta terça, o instituto completa 120 anos.

Segundo o Butantan, na quarta (24), serão entregues mais 900 mil frascos da vacina. No dias 25, 26 e 28 de fevereiro ainda estão previstas liberações de 600 mil doses diárias. Desta forma, desta terça até domingo, São Paulo deverá fornecer um total de 3,9 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

Caminhões com os lotes da vacina saem da sede do Instituto Butantan — Foto: Reprodução/TV Globo

Ainda de acordo com o diretor, até o início do próximo mês o instituto deve receber um novo lote de insumo da vacina.

“8,2 mil litros de insumo da vacina devem chegar até o dia 2 de março. Ao menos três milhões de doses poderão ser produzidos a partir do insumo”, disse Dimas Covas em entrevista ao Bom Dia SP nesta terça (23).

Coletiva de imprensa na sede do Butantan — Foto: Reprodução/TV Globo

Conquista: Policiais fiscalizam ruas para cumprimento do toque de recolher em novo horário

Policiais militares estão nas ruas de Vitória da Conquista para fazer cumprir o toque de recolher.

Os policiais estão percorrendo e fazendo blitz tanto na cidade e zona rural.

Nesta segunda-feira (22), a restrição de circulação de pessoas começou às 20h e, segundo o decreto estadual, será válido até o dia 28.

Lembrando que delivery de alimentos é liberado até às 23h.

MÃE DE ISIS HELENA É ENCONTRADA MORTA NO PRESIDIO DE TREMEMBÉ

Jennifer Natália Pedro, a mãe da bebê Ísis Helena, foi encontrada morta dentro do Presídio Feminino de Tremembé (SP), por volta das 15 horas desta segunda-feira (22). A informação foi divulgada nos perfis oficiais do apresentador Luiz Bacci, do programa Cidade Alerta (TV Record), no Facebook e no Instagram, e rapidamente se espalhou nas redes sociais.

“Mãe de Ísis Helena acaba de ser encontrada morta dentro da prisão. Será que se matou ou foi assassinada? Não fará falta, Jennifer confessou ter matado a filha e escondido o corpo ao lado de um rio”, diz a mensagem postada por Bacci no Facebook junto das fotos de Jennifer e da filha.

O advogado Roberto Guastelli, que representa a família do pai de Isis Helena, na página de seu escritório confirmou a morte de Jennifer Natalia Pedro. A morte ocorreu na noite de segunda-feira (22) na Penitenciária Feminina de Tremembé, onde a acusada de ter matado a filha estava detida desde o mês de abril do ano passado.

A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) do Estado de São Paulo ainda não confirmou o óbito de Jennifer. Caso a morte tenha de fato acontecido,  Polícia Civil deverá trabalhar com as hipóteses de suícidio ou assassinato.

O crime rendeu grande comoção popular. Isis Helena tinha um ano e dez meses quando morreu.

Jennifer disse inicialmente que havia jogado o corpo em um rio, próximo à sua casa. Depois, ela confessou que enterrou o corpo de sua filha, que foi encontrado em uma área do bairro Duas Pontes, em Itapira.

A acusada sempre negou que matou a pequena Isis Helena. Jennifer disse que a criança se engasgou com leite e que isso foi a causa da tragédia.

A notícia da morte de Jennifer foi veiculada inicialmente pelo apresentador Luiz Bacci, do Cidade Alerta, da rede Record, pelo Facebook, que é um dos canais oficiais do apresentador.Ele acompanhou o caso desde o início.

Governo do Estado entrega mais de 532 mil máscaras para 223 municípios

O Governo do Estado enviou, nesta segunda-feira (22), 532.500 máscaras reutilizáveis de tecido para 223 municípios que estão vinculados aos Núcleos Regionais de Saúde do Centro-Oeste, Centro – Leste, Extremo Sul, Leste, Nordeste, Norte, Oeste, Sudoeste e Sul. As máscaras foram adquiridas junto a 603 associações, cooperativas e empresas habilitadas para a produção de mais de 13 milhões de unidades, gerando oportunidade de trabalho em toda a Bahia, numa ação realizada em parceria entre as secretarias do Planejamento (Seplan), Desenvolvimento Econômico (SDE) e Desenvolvimento Rural (SDR). Além destas, o Governo do Estado adquiriu outras 2,6 milhões de máscaras através da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).

“O Governo da Bahia continua firme no combate à pandemia do coronavírus e o envio de mais máscaras para os municípios fortalece a proteção da população. Estamos atravessando um momento delicado no país, com a pandemia bastante ativa, então é imprescindível que as pessoas utilizem máscaras, pratiquem o distanciamento social, usem o álcool 70 e lavem sempre as mãos”, destacou o secretário estadual do Planejamento, Walter Pinheiro.

Para a região Centro-Leste estão sendo entregues 11 mil máscaras para os municípios de Conceição do Coité, Souto Soares, Gavião, Nova Fátima, Pé de Serra, Pintadas, Seabra e Valente. No Leste baiano são 108.500 máscaras para Muniz Ferreira, Madre de Deus, Conceição do Almeida, Dom Macedo Costa, Salinas das Margarida, Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu, Lauro de Freitas, São Felipe, Cruz das Almas, Candeias, Mutuípe, Nazaré, Varzedo, Conceição de Feira, São Francisco do Conde, São Félix, Pojuca, Muritiba, São Sebastião do Passé, Mata de São João, Castro Alves, Camaçari, Dias D’Ávila, Amargosa, Maragogipe, Itatim, Simões Filho, Laje, Itaparica, Jiquiriçá, Governador Mangabeira, Cachoeira, Santo Amaro, São Miguel das Matas, Conde, Milagres, Ubaíra, Vera Cruz, Cabeceiras do Paraguaçu, Saubara.

A região Nordeste está recebendo 28 mil unidades para Catu, Banzaê, Araçás, Fátima, Pedrão, Jandaíra, Aramari, Ouriçangas, Itapicuru, Esplanada, Inhambupe, Acajutiba, Rio Real, Aporá, Entre Rios, Itanagra, Cardeal da Silva, Olindina, Crisópolis e Sátiro dias. Na região Norte, são 29 mil máscaras para Pindobaçu, Uauá, Filadélfia, Antônio Gonçalves, Jaguarari, Senhor do Bonfim, Andorinha, Ponto Novo, Itiúba, Glória, Macururé, Abaré, Rodelas e Chorrochó. Localizado na região Oeste, o município de Ipupiara vai recepcionar mil máscaras.

Já para os municípios da região Sudoeste estão sendo destinadas 94 mil máscaras para Itororó, Piripá, Caatiba, Ibicuí, Vitória da Conquista, Cordeiros, Potiraguá, Itambé, Maiquinique, Itapetinga, Maetinga, Macarani, Aracatu, Poções, Firmino Alves, Barra do Choça, Ibipitanga, Planalto, Bom Jesus da Serra, Mirante, Jussiape, Condeúba, Encruzilhada, Guajeru, Iguaí, Ibicoara, Itarantim, Nova Canaã, Caetanos, Rio de Contas, Mortugaba, Anagé, Caraíba, Belo Campo, Jacaraci, Licínio de Almeida, Caturama, Tremedal, Macaúbas, Botuporã, Paramirim, Rio do Pires e Dom Basílio.

Para o Sul da Bahia são 161 mil máscaras para Ibirataia, Itabuna, Almadina, Aiquara, Maracás, Itajuípe, Apuarema, Gandu, Piraí do Norte, Jussari, Aurelino Leal, Jaguaquara, Lafayete Coutinho, Wenceslau Guimarães, Dário Meira, Ipiaú, Nova Itarana, Santa Cruz da Vitória, Floresta Azul, Ubatã, Itagi, Teolândia, Nova Ibiá, Gongogi, Jitaúna, Itagibá, Ibirapitanga, Ubaitaba, Taperoá, Itamari, Manoel Vitorino, Maraú, Valença, Camamu, Ituberá, Barra do Rocha, Igrapiúna, Itacaré, Nilo Peçanha, Planaltino, Una, Brejões, Santa Inês, Cravolândia, Lajedo do Tabocal, Itaquara, Boa Nova, Canavieiras, Itiruçu e Iramaia. O município Ourolândia, na Região Centro-Oeste, vai recepcionar 2 mil máscaras.

Para o Extremo Sul da Bahia são 55 mil máscaras para Jucuruçu, Ibirapuã, Lajedão, Medeiros Neto, Itamaraju, Santa Cruz de Cabrália, Itanhém, Vereda, Guaratinga, Itagimirim, Alcobaça, Mucuri, Itabela, Prado, Belmonte, Itapebi e Nova Viçosa.

“Os jovens que perderam o medo. É possível que precisemos avançar para fechar comércio durante o dia”, alerta secretário de saúde

Entrevista do Secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas, ao Jornal A Tarde, veiculada no dia 22.02.2021.

Nesta, que foi a última entrevista concedida antes de se internar, o secretário de Saúde do estado, Fábio Vilas-Boas, disse que estamos vivendo o pior momento da pandemia no país. E isso, porque a população não tem colaborado, principalmente os mais jovens. De acordo com Fábio, que está há 11 meses na minha de frente do combate à covid, a pandemia não mudou a cara. “Os jovens que perderam o medo”. E alerta. “É possível que precisemos avançar para fechar comércio durante o dia”. Confira:

Secretário, você está na linha de frente da pandemia há 11 meses e agora é acometido com a doença. O que muda ao se ver infectado?

É uma boa pergunta. Essa é uma experiência única que a gente passa. Onze meses tentando evitar, usando todas as medidas de prevenção, e logo agora, já perto da vacina, a gente acaba pegando. É um misto de frustração com sensação de impotência. A gente, ao mesmo tempo, fica preocupado com outras pessoas que também estão se contaminando, a gente não sabe se esse vírus que me pegou já é uma dessas variantes mais contagiosas, porque eu não relaxei nada. Foram onze meses fazendo tudo direitinho, e agora de uma hora para outra eu me contamino. Mas, felizmente, eu estou conseguindo atravessar aqui sem piorar, mas é uma batalha. É uma experiência única, porque você sabe que da mesma forma que você pode melhorar, você pode piorar. Isso é uma loteria. Além do mais, ao longo da minha vida de médico, fui treinado a colocar-me na posição dos meus pacientes, entender a sua condição a partir da sua perspectiva e, muitas vezes, vivenciar seu sofrimento. A compaixão é o mais nobre sentimento que um médico pode desenvolver. Como gestor público a compaixão me ajuda a tomar decisões todos os dias. Assim é que ao ser contaminado e viver na pele essa doença terrível, sinto-me mais perto de cada uma das pessoas que sofreram e estão sofrendo a dor da perda da saúde e o medo da morte.

Como você avalia o estágio atual da pandemia?

Nós estamos vivendo o pior momento da pandemia em todo o Brasil. No país inteiro, os hospitais estão lotados, nós estamos vendo a emergência de mutações que agravam a transmissão. A população não tem colaborado, principalmente os mais jovens, que hoje são a maioria dos que são diagnosticados e até internados. A população abaixo de 40 anos hoje já ultrapassa os 50% das pessoas internadas nas UTIs. E chegando ao ponto máximo hoje de aberturas de leitos, tanto de UTI quanto de enfermaria, não nos resta outra alternativa senão restringir a liberdade das pessoas de se locomoverem, de frequentarem os espaços. Se nós tivéssemos uma postura diferente, se as pessoas estivessem compreendendo que o momento de pandemia é grave e que não deveriam estar aglomerando, isso não seria necessário. Mas como não tem sido dessa forma, as medidas foram adequadamente lançadas e deverão ser agravadas na medida em que ou piore a situação dos hospitais, ou não surta o efeito que nós esperamos que surta com esse toque de recolher à noite. É possível que nós precisemos avançar para fechar comércio durante o dia.

Caminhamos para um lockdown?

O lockdown é um termo que não se aplica ao Brasil. O que a gente precisa fazer é, caso não surta o efeito, é fazer um fechamento mais intenso do comércio não essencial. Você se recorda que a gente passou um tempão com os shoppings fechados, tudo fechado. E hoje nós estamos mantendo os shoppings, o comércio aberto, e só está sendo fechado à noite. Se essa medida que começa hoje, sexta-feira, não der resultado em uma semana, a gente vai ter que sentar e reavaliar.

As eleições e as festas de final de ano se cruzaram e fizeram os números crescer. E a gente tem também o impacto do Carnaval, que não foi mensurado por conta do tempo, já que foi no último final de semana. Essa é uma situação bomba relógio, prestes a explodir, que preocupa, secretário?

Preocupa muito. Nossa análise retrospectiva mostra que 14 dias após esses eventos índices – São João, eleições, Natal, Réveillon, e agora o Carnaval – 14 dias depois nós subimos de patamar. E o que a gente viu no Natal e no Réveillon, a gente viu no Carnaval agora. Várias festas, várias em casas, em apartamentos… Essas festas aglomeraram pessoas, pessoas jovens, isso sem dúvida vai se traduzir sob a forma de maior contágio e maior necessidade de internação.

O que representa, na prática, o estrangulamento das redes públicas e privadas que está prestes a acontecer?

Representa o risco de aumentar a taxa de óbitos. Hoje nós conseguimos atender toda a população, ninguém fica para trás por falta de UTI.

Vamos chegar no estágio de ter que escolher quem vai viver e quem vai morrer?

Eu torço que isso não aconteça nunca. É por isso que nós estamos ainda abrindo mais leitos e fazendo essas medidas restritivas. Exatamente para que isso nunca venha a acontecer. Nós estamos andando um passo à frente para não ver aqui na Bahia o que aconteceu em Manaus. A medida do governador foi acertada, e outras medidas restritivas serão lançadas mão antes, preventivamente, para que não venha a entrar em colapso o Sistema de Saúde.

E o detalhe que mais da metade dos casos da Covid aqui na Bahia são de pessoas até 40 anos. O que esses números significam, secretário? A pandemia mudou a cara no estado?

Não, não foi a pandemia que mudou a cara, não. São as pessoas jovens que perderam o medo. Os idosos se mantiveram resguardados e os mais jovens, destemidos, corajosos, foram para a rua. Como a maioria tem sintomas leves, eles acham que vale à pena correr o risco.

Como você avalia o estágio atual da vacinação e a suspensão por falta de doses?

É lamentável que nós estejamos constatando que vivemos uma ilusão vacinal. A população acha que está sendo vacinada, quando na verdade nós estamos aplicando uma vacina numa parcela ínfima. Era para termos vacinado no primeiro mês 1 milhão e 800 mil pessoas na Bahia, só no primeiro grupo. E até agora nós só vacinamos cerca de 400 mil pessoas, apenas. E não há previsão de curto prazo de uma quantidade de vacina significativa. Na última quarta-feira, os governadores tiveram uma reunião com o ministro da saúde e ele apresentou um cronograma de vacinação. No dia seguinte, o Butantan desmentiu os números do Ministério. E na reunião com os governadores, o presidente do Butantan estava presente e ele não contestou os números apresentados. Então como é que você consegue fazer um mínimo de planejamento se quem é responsável pelo fornecimento principal da vacina no Brasil, que é o Instituto Butantan, não consegue numa reunião confirmar os números e nega, menos de 24 horas depois, depois de todos os governadores terem sido notificados? Nós estamos cegos, perdidos, não temos em quem confiar e acreditar.

Diante desse negacionismo do Governo Federal, o que fazer para solucionar a questão da vacinação em massa da população?

Eu não acho que tenha negacionismo, não. Eu acho que houve uma falha estratégica de tomada de decisão de aquisição de vacinas lá atrás. E isso está sendo difícil de corrigir. O Governo Federal deveria ter feito aquisições, contrato de compras grandes lá atrás, lá em agosto. Nós aqui da Bahia fomos e fizemos um compromisso de compra com os russos, mesmo antes de haver registros deles na Anvisa, em agosto. O Ministério poderia ter feito a mesma coisa com todos os fabricantes de vacina. Na verdade, deveria ter feito isso. E hoje a gente vê um cenário internacional em que os grandes fabricantes já estão com seus compromissos de produção com outros países e a gente está vindo para o final da fila, infelizmente.

O governo do estado entrou no STF para poder importar a Sputnik V. Em que ponto está essa negociação, secretário?

Está no STF. Tendo duas ações: primeiro, existe a ação nossa no STF; segundo, nós temos a ação que é a MP 1003 que foi votada no Senado há 15 dias, e nessa MP está aprovada a agência russa equiparada ao nível das agências principais do mundo. E ao fazer isso, o Senado diz à Anvisa que ela tem 5 dias para poder autorizar a Sputnik. Só que essa MP não foi ainda sancionada pelo presidente. Ele precisa sancionar ou vetar. Se ele sancionar, 5 dias depois a Anvisa será obrigada a autorizar a importação. Resolve o nosso problema. Se ele vetar, o clima no Congresso é que o veto será derrubado. Então mais cedo ou mais tarde, via Congresso ou via STF, nós vamos ter autorização para importação da Sputnik.

Nos últimos dias, o senhor começou um diálogo junto comgovernador muito mais intenso junto aos prefeitos na tentativa também de endurecer as medidas de enfrentamento à Covid. Como tem sido esse diálogo, secretário? Com os prefeitos.

Nós mantemos diálogo regular com a união dos municípios, com o conselho de secretários municipais de saúde, fazemos reuniões periódicas, no mínimo duas vezes por semana, para poder acompanhar a pandemia. Tivemos a transição no começo de janeiro, em que várias secretarias foram trocadas, 70% das secretarias foram substituídas. Entrou grande parte de pessoas sem nenhuma experiência, pela primeira vez. Nós treinamos esses secretários, tivemos um trabalho adicional de fazer a substituição com o carro andando, trocar o pneu com o carro andando. Isso determinou uma redução das notificações, já foi corrigido. Hoje os municípios estão funcionando adequadamente, as vacinas já estão sendo todas aplicadas. Eu acho que a relação do estado com os municípios nunca esteve tão boa.

A rede está pressionada pelas cirurgias eletivas e pelas outras comorbidades que começaram a demandar uma atenção por parte da população. Como conciliar essas duas demandas com o crescimento dos casos de Covid?

Não tem como conciliar. São competitivas. A gente ampliou o número de leitos Covid o máximo que pôde, suspendeu as cirurgias eletivas durante esse período, e temos agora que restringir a movimentação das pessoas para poder reduzir o número de acidentes de carro e moto que são a principal causa de internação nesses nossos hospitais. Eu acho que com o fechamento dos bares à noite, isso vai dar uma boa ajuda.

O que mais tem tirado seu sono e preocupado nessa fase atual da pandemia, secretário?

A maior preocupação nossa é não saber como será o futuro. A gente se prepara para o pior, mas torce para o melhor. A gente não sabe se a qualquer momento vai surgir uma outra mutação que vai tornar o vírus mais agressivo, nós não temos mais folga de leitos, gordura para poder queimar. Nossa última reserva, que é a Fonte Nova, essa semana já vai ser reaberta. Depois que isso for aberto, só nos restará ir avançando para os leitos não Covid dos hospitais. E as outras doenças vão ser cada vez mais impactadas pela pandemia.

Há algum tipo de controle sobre possíveis variantes que estejam circulando na Bahia? Tem algum diagnóstico mais preciso sobre isso?

Nós fazemos um monitoramento genômico regularmente. Nós temos um sequenciador no Lacen, adquirimos um outro. Nós diariamente estamos fazendo um acompanhamento dessas emergências de mutações. Por enquanto não tem nada de anormal.

Tem alguma previsão de investimento maior para fazer uma testagem em massa da população? Facilitar o acesso à testagem?

Não. Trabalhando com o Lacen na sua capacidade máxima. E não há nenhuma razão nesse momento para fazer testagem em massa. Nós temos que garantir o teste para quem tiver sintomas e for para as UPAs. Nós adquirimos testes de antígeno nasais que dão resultado instantâneo, isso tem ajudado a qualificar nossas internações.

Mesmo sendo médico, o senhor recusou-se a ser vacinado antes dos servidores da SESAB. A que se deveu isso?

O meu papel como gestor é o de dar exemplo. Embora eu estivesse na lista de vacináveis, por ser médico e ainda atender em consultório, minha maior atividade, não resta dúvida, é como gestor público. Diante da escassez das vacinas, fui contra funcionários da administração centralizada da SESAB receberem a vacina antes da população geral de idosos de maior risco. Coloquei-me ao lado dos servidores, para que soubessem que seu chefe só seria vacinado junto com eles e que poderiam confiar em mim.