Uma operação da Polícia Civil da Bahia revelou, neste sábado (17), um suposto esquema de desvio e comercialização irregular de caixas d’água adquiridas com recursos públicos. A ação teve início após uma denúncia anônima e culminou na apreensão de 41 unidades do material, avaliadas em cerca de R$ 120 mil, que estavam sendo negociadas de forma clandestina.
Os trabalhos foram coordenados pela Delegacia Territorial de Poções, com o apoio da 10ª Coorpin e da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR). Durante a operação, dois irmãos, residentes no distrito de Salgado, no município de Manoel Vitorino, foram presos em flagrante na cidade de Poções, suspeitos do crime de receptação.
Conforme informações repassadas pela Polícia Civil, os detidos confessaram ter comprado cinco caixas d’água pelo valor de R$ 7.500, em uma negociação que, segundo eles, teria sido feita diretamente com um vereador de Manoel Vitorino. O acordo teria ocorrido dias antes da ação policial.
As caixas d’água apreendidas foram originalmente doadas pela CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), órgão vinculado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com a finalidade de atender comunidades em situação de vulnerabilidade.
Ainda de acordo com os depoimentos, o parlamentar citado teria orientado os compradores a retirar ou apagar as identificações oficiais das caixas, incluindo o nome da CODEVASF, prática que já teria sido adotada em diversas unidades. Parte do material apreendido, segundo a investigação, seria destinada à distribuição para moradores do distrito de Salgado previamente indicados.
A Polícia Civil informou que, apesar das suspeitas de peculato envolvendo o vereador, o suposto crime teria ocorrido semanas antes da operação, o que impossibilitou a prisão em flagrante do investigado neste momento.
O caso segue sob investigação. A Polícia Civil deve aprofundar as apurações para confirmar as informações prestadas pelos presos, identificar a participação de outros envolvidos e garantir a responsabilização de todos os que, eventualmente, tenham se beneficiado do esquema ilegal.

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