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Mulher que ficou presa com recém-nascido em cela suja de 2m² deixa penitenciária
Foto: Luiz Silveira/ Agência CNJA jovem que foi presa por tráfico de drogas e permaneceu com o bebê recém-nascido em uma cela no centro de São Paulo saiu da Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte, na noite desta sexta-feira (16). A soltura de Jéssica Monteiro, de 24 anos, ocorreu após o pedido de habeas corpus ser aceito pelo juiz Carlos Bueno, da 10ª Câmara de Direito Criminal. Ela vai cumprir prisão domiciliar. Jessica foi detida grávida há uma semana, no sábado (10), e encaminhada à carceragem do 8º Distrito Policial (Brás). Ela saiu para dar à luz em um hospital no domingo (11), e retornou dois dias depois com o bebê recém-nascido para a mesma cela de dois metros quadrados. Lá, permaneceu mais dois dias, quando foi transferida para a Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo. Na decisão, Bueno pede a soltura imediata da mulher argumentando que o recém-nascido “necessita de sua efetiva assistência, ao que consta impossível ou difícil de ser prestada no presídio”. O juiz justifica que a libertação de Jessica, ré primária, “encontra amparo legal, jurídico e humanitário”. Para o advogado especializado em direitos humanos Ariel de Castro, que acompanha o caso, a decisão da Justiça resgata “um pouco da dignididade violada” de Jessica e seu filho recém-nascido. “Prevaleceu o bom senso e o ideal de justiça. Esperamos que esse precedente possa se estender a outros casos análogos. A partir de um caso emblemático como o dela, podemos ter mudanças significativas visando a efetivação dos direitos humanos e a proteção integral de crianças e adolescentes. Qualquer estabelecimento prisional é um ambiente inóspito e inadequado para o desenvolvimento de crianças, principalmente de recém-nascidos”, diz Alves. Segundo o advogado, a mulher estava na maternidade da penitenciária com outras 37 presas também acompanhadas dos filhos. No total, há 450 mulheres na unidade. De acordo com a polícia, a jovem foi presa com 98 gramas de maconha. Na manhã de domingo (11), quando deveria ter ido à audiência de custódia, Jessica entrou em trabalho de parto e foi encaminhada para o Hospital Municipal Inácio Proença de Gouveia, na Mooca, zona leste da capital, onde deu à luz. Ela jáé mãe de uma criança de 3 anos. Na audiência, o advogado de Jessica, Paulo Henrique Guimarães Barbezane, comunicou que a detenta estava hospitalizada por trabalho de parto. O juiz Claudio Salvetti D’Angelo decidiu manter a detenção, convertendo de prisão em flagrante para preventiva. “É evidente que a grande quantidade e diversidade de entorpecente encontrada supõe a evidenciar serem os averiguados portadores de personalidade dotada de acentuada periculosidade”, justificou D’Angelo. O juiz argumenta ainda que a prisão preventiva é necessária “para garantia da ordem pública”. Segundo Alves, que acompanha a situação, Jessica é ré primária. Após dar à luz, Jessica foi escoltada de volta para a carceragem do 8º DP na terça-feira (13). Na cela, permaneceu por mais dois dias com o bebê. Somente na tarde desta quarta-feira (14), ela foi transferida para a penitenciária feminina. Alves, que esteve na carceragem no Brás, relatou que a situação da cela era precária. Jessica estava em um colchão no chão. De acordo com o advogado, policiais ajudaram comprando fraldas e alimentos. Ao ser transferida na tarde desta quarta, o advogado disse ter conversado rapidamente com a detenta. “Ela estava bastante abalada, chorando muito, falando que é inocente. Disse que não é traficante. E, no momento da transferência, agradeceu”, afirma. O advogado disse que no início da próxima semana fará um relatório à Corregedoria do Tribunal de Justiça solicitando a prisão domiciliar para que Jessica possa responder em liberdade. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Administração Penitenciária (SAP) foram questionadas sobre por que Jessica não foi encaminhada, no sábado, diretamente para uma das três penitenciárias femininas com maternidade da capital, e também o motivo pelo qual o bebê ficou na cela com a detenta. Em nota, a SSP confirmou o retorno de Jessica à carceragem do 8º DP com o bebê de 2 dias após o parto. “Seu processo de transferência foi iniciado, sendo concluído nesta quarta-feira (14)”, informou a pasta. Já a SAP informou que a detenta está no pavilhão materno infantil da Penitenciária Feminina da Capital e que o local possui atendimento especializado para recém-nascidos e bebês em período de aleitamento materno. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) diz em nota que foi a favor da prisão cautelar por ter “requisitos legais necessários”. O MPSP afirmou ainda que a manifestação da promotoria foi acolhida pela Justiça, que decretou a prisão preventiva, da qual cabe recurso. O órgão argumenta ainda que “não há vedação legal para a prisão preventiva de pessoa gestante e há regulamentação própria para convivência do infante com a mãe, sendo que sua execução deve ficar a cargo do Poder Executivo”. De acordo com o órgão, “o flagrante estava formalmente em ordem e se faziam presentes os requisitos dos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal”. Os artigos determinam que a prisão preventiva poderá ser decretada “como garantia da ordem pública da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”. Mesmo não se referindo especificamente a esse caso, também há um posicionamento geral da Defensoria Pública do Estado de que mulheres gestantes e mães com filhos de até 12 anos incompletos têm direito à substituição da prisão preventiva pela domiciliar. Isso foi estabelecido no dia 8 de março de 2016 pela Lei 13.257, conhecida como Marco Legal da Primeira Infância, que alterou o Código de Processo Penal
POÇÕES24HS CONSEGUIU CONTATO COM A FAMILIA DO TRAVESTIR MORTO NA BR-116 A FAMÍLIA É DE IBICARAI NEM SABIA QUE O MESMO ESTAVA MORTO

[FOTO ENVIADA PELA FAMILIA PARA REPORTAGEM DO POÇÕES24HS ]
Marcelo de 14 anos foi morto num bar no ceac foi socorrido mas morreu
parentes tinham postado a foto dele nas redes sociais estava desaparecido a dois dias apareceu hoje e foi morto no ceac num bar com requintes de crueldade a policia investiga o caso
Hospital confirma terceira morte em acidente entre micro-ônibus e caminhão no sudoeste da Bahia
Foi confirmada, no início da noite desta sexta-feira (16), a terceira morte de uma das vítimas da batida frontal entre um micro-ônibus e um caminhão, ocorrida na manhã desta sexta-feira (16), no Km-719 da BR-116, trecho da cidade de Manoel Vitorino, sudoeste da Bahia.
A terceira vítima foi identificada como Geraldo Souza de Jesus, que era passageiro do micro-ônibus. Ele estava internado em estado grave, no Hospital Prado Valadares, em Jequié. Ainda há outras duas vítimas em estado grave na unidade de saúde.
A segunda vítima fatal foi identificada como Gleidson Souza Silva, de 20 anos. Ele era o motorista do micro-ônibus. O corpo de Gleidson foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica de Jequié (DPT), para ser periciado.
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Veículo ficou com a cabine completamente destruída (Foto: David Fortunato/TV Sudoeste)
A primeira morte confirmada foi do motorista do caminhão, identificado como Matheus Souza Chaves, de 30 anos. Ele ficou preso às ferragens e morreu no local. Entre os anos de 2012 e 2014, Matheus atuou como meio-campo do time de futebol Associação Desportiva Jequié.
No momento do acidente, além da morte de Matheus, os 32 ocupantes do micro-ônibus ficaram feridos. Destes, 15 foram levados ao Hospital Prado Valadres, sendo quatro em estado grave. Gleidson e Geraldo, segunda e terceira vítimas fatais confirmadas, estavam entre os feridos graves.
Casos de conjuntivite no carnaval de Salvador têm aumento de 1.123% em relação a 2017
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Número de casos de conjutivite teve aumento de 1.123% (Foto: Reprodução/TV Bahia)
O número de casos de conjuntivite registrados nos módulos de assistência à saúde, localizados nos circuitos oficiais do carnaval de Salvador deste ano, teve aumento de 1.123% em relação a 2017. Segundo dados da Secretaria Municipald e Saúde (SMS), foram contabilizados 191 casos na folia deste ano, enquanto no ano passado foram 17.
A professora Luiza Santos conta que acordou na quarta-feira (14) com olhos vermelhos, lacrimejando e com ardência. Desde então, ela tenta conseguir atendimento médico. “Estou com meus dois olhos inflamados e sem saber qual lugar vai me atender, porque ficam enviando a gente para vários lugares”, conta.
O analista comercial Sergio Mesquita, que passou o carnaval na Ilha de Itaparica, também pegou a doença. Ele conta que está tomando muito cuidado para não contaminar ninguém. “Estou utilizando óculos, fazendo a assepsia da mão com álcool gel e utilizando bastante soro fisiológico”.
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Professora conta que acordo com sintomas da doença na quarta-feria (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Segundo a SMS, as mudanças climáticas no período do verão – ora sol, ora chuva – propiciam a proliferação dos vírus de fácil disseminação, com os causadores da conjuntivite. A higienização das mãos é a principal forma de prevenção da doença, assim como, o cuidado com a higiene no geral, evitando-se o compartilhamento de objetos pessoais.
É necessário ainda, de acordo com a secretaria, cautela em ambientes com aglomeração de pessoas, como no carnaval, onde o contato físico é constante. De acordo com a oftalmologista da rede municipal de saúde, Edriene Teixeira, as altas temperaturas do verão levam às pessoas a passarem mais as mãos no rosto. Contudo, a ação deve ser feita após assepsia, evitando levar sujeiras que podem ocasionar irritação ocular.
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Sergio Mesquita conta que está tomando cuidado para não contaminar outras pessoas (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Outro fator que pode acarretar no desenvolvimento da conjuntivite é o uso incorreto de maquiagens e pequenos objetos, como glitter e purpurina.
É importante que as pessoas com sintomas da doenças procurem atendimento especializado para diagnóstico correto, já que a conjuntivite pode ser do tipo viral, bacteriana ou alérgica.
Começam segunda-feira as aulas na rede estadual de ensino
O ano letivo na rede estadual de ensino começa, nesta segunda-feira (19), para mais de 807 mil estudantes matriculados em 1.251 unidades escolares presentes nos 417 municípios da Bahia. Para marcar o início das aulas, a Secretaria da Educação do Estado realiza, na quarta-feira (21/02), o Programa de Abertura do Ano Letivo – Aula Inaugural, a partir das 8h30, no auditório do Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, no bairro da Caixa D´ Água, em Salvador. O programa será transmitido, ao vivo, pela TVE Bahia (Canal 10.1).
A programação envolverá apresentações de experiências estudantis, em suas diversas linguagens, entrevistas e exibições de vídeos artísticos desenvolvidos pelos alunos das escolas estaduais. Entre as atrações estarão as apresentações da experiência do Projeto Smartcam – “Dispositivo de segurança para ultrapassagem”, premiado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), e do Grupo Black Dance, do Colégio Estadual Professora Elisabeth Chaves Veloso. Também será feita uma entrevista com a estudante Fabíola Rocha Pereira, premiada melhor atriz no III Festival de Cinema Escolar de Alvorada (RS). Neste ano, o Programa de Abertura do Ano Letivo homenageará os criadores do trio elétrico Dodô & Osmar, com a participação especial dos irmãos Macedo.
Segundo o secretário Walter Pinheiro, o Programa de Abertura do Ano Letivo busca valorizar o protagonismo estudantil. “A realização do evento será toda conduzida todo por estudantes e professores, para que possamos mostrar todo o dinamismo das atividades desenvolvidas nas escolas estaduais, seja no campo das artes, da ciência, da tecnologia, do empreendedorismo, do esporte e do meio ambiente”, destacou, ao acrescentar que, durante a Aula Inaugural, serão apresentadas algumas novidades no que se refere à Inovação e à Tecnologia para o fortalecimento do eixo pedagógico nas escolas.
Foto: Ilustração/Claudionor Junior
RONDESP É RECEBIDA A BALA NUMA OPERAÇÃO NESSA MADRUGADA EM POÇÕES NO BAIRRO DO AÇUDE POR VOLTA 00:40 MINUTOS UM ELEMENTO MORREU E OUTRO FOI PRESO

[POÇOES24HS INFORMAÇÃO COM CREDIBILIDADE]
FOI IDENTIFICADO A VITIMA FATAL DO ACIDENTE BR 116 NA NOITE DO DIA 15/2/18 JOÃO PAULO MARCOS DA SILVA ERA MORADOR DE PLANALTO BAHIA -FONTE [PRF]

[FOTO ILUSTRADA ]

[foto adriano cruz poçoes24hs ]
Carta à Promotora que pediu a prisão da mulher em trabalho de parto
Eu não conheci V. Exa., quando ainda estava na carreira do Ministério Público, onde fiquei mais de trinta anos; caso tenhamos nos conhecido pessoalmente, perdão pelo lapso.
Li pelos jornais que Vossa Excelência requereu para que fosse mantida presa uma mulher, autuada em flagrante, trazendo consigo, segundo a polícia, noventa gramas de maconha, para fins de tráfico.
Na audiência de custódia, ela se fez representar apenas por seu advogado, uma vez que estava dando a luz em um hospital público da cidade; de lá, em função do pedido feito pelo Ministério Público, representado por Vossa Excelência, e acatado pelo MM Juiz de Direito que presidia o ato, foram a indiciada e seu rebento levados de volta à carceragem. O bebê, bem o sabes, tinha apenas dois dias de vida. As notícias dão conta de que a indiciada era primária e que, além daquele criança, é mãe de uma outra, de três anos de idade.
Escrevo esta carta aberta porque os noticiários deram conta também de um fato significativo: a gravidez de Vossa Excelência. Uma mulher grávida, promotora de justiça, pediu a um juiz de direito que mantivesse presa uma outra mulher, que acabara de parir, levando consigo seu rebento para o cárcere. Admitamos, parece ser enredo de um novela de terror.
Fiquei estarrecido ao ler a notícia. Fiquei pensando como duas mulheres podem ter gestações tão distintas, eis que o fruto de seu ventre, prezada Promotora, nascerá em uma maternidade de alto padrão e será recepcionado e festejado por parentes e amigos, que lhe darão boas vindas. Sapatinhos, rosas ou azuis, na porta do quarto, avisarão aos visitantes que ali nasceu uma criança linda e saudável, que receberá de todos que a cercam todo amor e conforto.
Nessas maternidades, a segurança é uma obsessão e nada de ruim acontecerá ao rebentos que ali nascerem. É abaixo de zero o risco de alguém estranho, tenha a autoridade que tiver, sair com um dos ocupantes do berçário em seus braços. As enfermeiras são sorridentes e recebem carinhosamente pequenos e merecidos mimos das famílias que acolhem, os médicos são pressurosos e acolhedores.
A suíte onde Vossa Excelência se recuperará do parto tem ar condicionado, TV, rede de wi-fi, a fim de orgulhosas mamães exibam ao mundo o fruto da espera de nove meses. Papais também orgulhosos distribuem charutos e sempre a camisa do time de coração é a primeira foto que mandam para o grupo de amigos. Tudo é felicidade.
No outro lado, o bebê nasceu de uma mulher levada à maternidade algemada, que pariu desacompanhada seu rebento, sem saber e sem ter para onde ir.
Não teve os luxos do nascimento de uma criança de classe média alta e teve que se comportar, haja vista estivesse sob escolta policial, não enfermagem, para atendê-la. Espero que não tenha sido algemada à cama e acabou de ir amamentar seu filho no chão úmido e mofado de uma cadeia pública, onde estava detida, porque não lhe foi reconhecido seu direito à liberdade, seja por Vossa Excelência, seja pelo Juiz de Direito.
Há uma questão, senhora promotora, que supera a questão jurídica.
É assustador imaginar que a senhora não tenha visto naquela criança que nascia um pouco de sua criança que traz em seu ventre.
É assustador imaginar que a senhora, justamente por se encontrar grávida, não tenha visto, com os olhos da alma, o terror de uma mulher amamentar o filho que acabara de nascer, num pedaço de espuma, entre cobertores velhos, num chão batido de uma cela infecta. Não posso crer que esse momento lhe tenha também passado despercebido.
Não posso imaginar que alguém possa trazer consigo tanta ausência de compaixão humana que tenha se permitido participar de uma situação, cuja insensibilidade me traz as piores e mais amargas lembranças da História.
Nas leituras que seu bom médico deve ter sugerido durante sua gestação, certamente, alguma coisa existe – não é autoajuda – no sentido de demonstrar que os primeiros momentos de vida de um ser humano são cruciantes e que poderão ter consequências para o resto de sua vida.
Gente muito melhor do que qualquer jurista concurseiro que lhe tenha dado milhares de dicas, disse isso: Freud, Melanie Klein, John Bowlby. Procure saber deles, que diriam certamente que teria sido menos desumano que a senhora e o juiz que acolheu seu infeliz pedido atirassem na mãe. A senhora, fique certa, contribuiu para uma enorme dor que essa criança haverá de carregar por toda a vida. O terror da mãe transmitiu-se ao filho, não sabia?
Enquanto a senhora há de amamentar teu filho ou tua filha em todas as condições de conforto e segurança, livre do medo, livre do pavor de alguém apartá-la da cria, sem o terror de ver grades de ferro à frente, ela ficou com todos os pavores internalizados. Enquanto a senhora há de desfrutar justa licença-maternidade, em que poderá se dedicar exclusivamente a apresentar o mundo ao doce e bem-vindo recém chegado filho ou filha, ela estará a dizer a seu filho que ele nasceu na cadeia, nasceu preso, nasceu atrás de grades, nasceu encarcerado.
Seria duríssimo, mas inevitável se a falta cometida fosse de tamanha gravidade que não se acenasse ao horizonte uma solução menos gravosa. Mas, haveria de ser do conhecimento de Vossa Excelência, como deve ser do Magistrado, que o STF de há muito pacificou essa questão e essa mulher terá direito a penas restritivas. Isto é, jamais poderia ter permanecido presa, pela singela razão de ter o direito de ser posta em liberdade.
É o que diz a Constituição Federal: ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança, no art. 5º, inciso LVI.
A senhora e seu Magistrado agiram com abuso de direito, percebe?
Permito-me dizer que aprendi, dentro do Ministério Público, que não se pode fazer Justiça sem compaixão, sem amor pelo próximo, sem respeito pelas pessoas. Caso se caia nessa cilada, somente se produzirá terror, como esse que a senhora produziu. A Justiça Criminal, cara ex-colega promotora, se mede a partir do direito de liberdade.
Aliás, quem diz maravilhosamente sobre isso é também um ex-integrante do MPSP, Ministro Celso de Mello. Sugiro que a senhora procure ler e estudar um pouco mais, um pouco além desses manuais catastrofistas que colocam os promotores e juízes como agentes de segurança pública, algo que nunca foram e nunca serão. Leia mais humanistas, é evidente a falta que lhe fazem.
Vossa Excelência, quando voltavas para casa, uma lágrima por aquela criança nascida na cadeia, chegou derramar?
Pela mãe abusivamente presa, em algum momento, chegou a ver na barriga dela a mesma barriga que é a sua? Em algum momento dessa tua vida, conseguiu pensar que aquela mulher lhe é igual em tudo? Que o fruto de vosso ventre nascerá como nasceu o dela? Que amamentará seu filho como ela amamentou o dela? Que mecanismo mental foi esse que quebrou uma identificação que haveria de ser imediata?
Onde, enfim, Vossa Excelência deixou a humanidade que deve legar a seu filho?
Com respeito,
Roberto Tardelli, Advogado e Procurador de Justiça Aposentado.









