Foto: Ricardo Stuckert

Durante um encontro na manhã de hoje, 30, com associações de mulheres das Zonas Norte e Oeste de São Paulo, na Vila Brasilândia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a segurança alimentar das camadas mais humildes da população será uma das suas principais prioridades caso volte a governar o Brasil. A fome foi uma das reclamações mais frequentes das mulheres que falaram durante o evento.

“A fome e o desespero que muitas vezes recaem nas nossas casas só são sentidos por quem vive ali. A gente não tem coragem de dizer que está com fome, a gente não gosta de dizer que é pobre. A gente não nasce para ser pobre, a gente nasce pra ter oportunidade. Todo mundo quer ter uma casa, todo mundo quer trabalhar, todo mundo quer comer carne no almoço e na janta, comer um café reforçado. se vestir bem, ter um sapato de qualidade. A gente não sonha em ser pobre e não briga para ser pobre, a gente briga para melhorar de vida”, destacou. “Qual é o pecado de querer ter uma casa boa?”

Para o ex-presidente, a situação de quem passa fome no Brasil precisa ser analisada com cuidado e carinho por parte de quem governa o país, já que é responsabilidade do Estado criar as condições para que todos possam se alimentar e se desenvolver.

“A gente queria discutir um tema que está muito em voga. Vocês sabem que quando nós  estávamos no governo, nós conseguimos acabar com a fome neste país. Vocês estão lembrados que quando eu tomei posse em 1º de janeiro de 2003, eu disse no meu discurso que, se quando terminasse meu mandato, eu tivesse conseguido levar o café da manhã, o almoço e a janta para todas as casas dos brasileiros, eu teria realizado a obra da minha vida”, disse Lula.

Inflação alta

Segundo Lula, a má situação vivida pela maior parte do povo brasileiro hoje está diretamente ligada à péssima gestão do atual governo, especialmente na parte econômica, onde os preços dos alimentos, serviços e outros itens de necessidade não param de subir. E o principal responsável por isso é o próprio governo.

“O que a gente está passando neste país não é porque somos um país pobre. É porque falta vergonha na cara de quem governa este país”, declarou. “A inflação está alta e metade dela é de preços controlados pelo governo: luz elétrica, gasolina, óleo diesel, gás de cozinha. Quando aumenta a gasolina, vai aumentar o seu feijão. Quando aumenta o óleo diesel, vai aumentar o pão. O gás custa 10% de um salário mínimo”.

Ao lado do ex-presidente, dois carrinhos de supermercado, um cheio e outro quase vazio, mostravam a diferença da quantidade de produtos da cesta básica que podiam ser comprados com a mesma nota de 100 reais em 2010, último ano de seu mandato, e em 2022. Para ele, melhorar a vida do povo brasileiro é um ponto fundamental para que a economia possa sair do atoleiro atual.

“Não existe outra razão para eu me colocar como candidato a presidente da República. Fui considerado o presidente mais importante, o presidente que mais fez escolas técnicas, universidades, não precisaria voltar. Mas eu tenho um compromisso. E o meu compromisso não é com banqueiro, não é com empresariado, não é com fazendeiro. O meu compromisso é com o povo pobre deste país, que tem que ser respeitado”, afirmou Lula