Com a disseminação da variante ômicron do novo coronavírus, o mês de janeiro chegou ao fim com mais de 4,4 mil novos casos de covid-19 em Vitória da Conquista. Um levantamento mostrou que esse número é superior ao mesmo período do ano passado, quando a vacinação ainda não havia começado e a média móvel de infecções estava em crescimento. Só nessa última segunda-feira, 31, mais 356 casos da doença foram confirmados.

Diante do agravamento do quadro epidemiológico, a Prefeitura Municipal decidiu prorrogar o início das atividades letivas nas escolas da rede pública e privada e em instituições de ensino superior. Além disso, a gestão municipal começou a realizar mutirões de testagem para conter a disseminação do vírus. A primeira medida foi anunciada na noite de ontem, 31, através da publicação do decreto nº 21.669.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Smed), a abertura do ano letivo se dará de forma escalonada, em mais de um dia. As aulas nas escolas municipais, por exemplo, começariam em 14 de fevereiro e agora vão começar entre 21 e 24 do mesmo mês. O calendário para a rede municipal é diferente do que foi definido para os estabelecimentos de ensino particular e universidades.

O adiamento das aulas presenciais não agradou uma parcela significativa da população, gerando revolta e indignação em redes sociais, como o Instagram. Na publicação oficial da Prefeitura com o anúncio, há mais 1,3 mil comentários acerca do assunto, sendo a maioria contrários à decisão. “Não consigo entender a lógica dos bares abertos e festas com lotação máxima e as aulas suspensas assim. E a educação? Sem prioridade como sempre”, disse uma internauta.

O que dizem especialistas

Ainda que haja um consenso entre pediatras e profissionais da Educação de que as crianças já foram muito prejudicadas com quase dois anos sem atividades presenciais, especialistas ouvidos pelo Jornal Correio defendem o adiamento da volta às aulas. O principal motivo para isso, segundo eles, é que a imunização infantil contra a covid-19 ainda não avançou, pois, mesmo as crianças que já receberam alguma dose da vacina, não tiveram tempo hábil para completar o esquema vacinal.

Na Bahia, a campanha voltada para esse público só começou no último dia 15 de dezembro. Em todo o estado, pouco mais 3% da população de 5 a 11 anos está com a primeira dose. “As aulas poderiam começar de forma online e, acompanhando o crescimento da curva, se tornarem presenciais quando tiver declínio. Seria a coisa mais correta”, disse o médico Eduardo Jorge, doutor em Saúde Materno-Infantil e membro do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a melhor alternativa seria retomar as aulas presenciais apenas com o público que está totalmente vacinado – a partir dos 12 anos -, sendo exigido o comprovante de imunização. “Acredito que um retorno em março seria mais seguro para as crianças que não estão vacinadas e suas famílias”, afirmou em entrevista ao Correio.

Testagem em massa

Caso o comportamento da variante ômicron no Brasil seja o mesmo que nos países onde ela chegou primeiro, Eduardo e Ethel acreditam que, nas próximas duas semanas, ainda haverá um aumento considerável no contágio na Bahia e em todo o país. A testagem em massa é uma das estratégias que os especialistas destacam para conter a disseminação da covid-19.

Em Vitória da Conquista, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizará dois mutirões noturnos de testagem nesta semana, das 18h às 20h: um nesta terça-feira, 1º, e outro na próxima quinta, 3. Para participar da ação, que será realizada na Farmácia da Família II, no Centro, é preciso fazer agendamento prévio pelo Call Center ou pelas unidades de saúde.

Teste de covid-19 realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em Vitória da Conquista. Foto: Secom/PMVC.

“Esses mutirões representam um esforço da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para ampliar a testagem e reduzir a fila de espera, dado a falta de testes que o município e o país sofreram. Mas, uma vez regularizado o estoque, temos buscado garantir essa ampliação, garantir que as pessoas que necessitam do teste possam ser testadas”, explicou o farmacêutico e coordenador das testagens no município, Pablo Maciel.