Bolsonaro participa de ato político no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução, TV Globo

Bolsonaro participa de ato político no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução, TV Globo

Mais de um mês após sofrer um atentado à faca no interior de Minas Gerais, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, participou nesta quinta-feira (11), no Rio de Janeiro, de seu primeiro ato de campanha, com aliados e militantes de seu partido.

Ao discursar no evento, ele admitiu que pode deixar de comparecer em debates na TV por questão “estratégica”. Bolsonaro discursou por cerca de 25 minutos no evento político, apesar de os médicos que o atendem terem atestado nesta quarta (10) que ele não está liberado para fazer campanha.

Foi justamente esse o argumento que o presidenciável usou para cancelar a participação em debate agendado para esta quinta na TV Bandeirantes com o candidato do PT, Fernando Haddad. No entanto, a assessoria de imprensa do candidato do PSL confirmou que ele não participará do debate.

O capitão da reserva do Exército sofreu um atentado à faca em 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Ele teve que ser submetido a duas cirurgias após o ataque. Por esse motivo, abandonou a campanha de rua na reta final do primeiro turno e não participou mais de debates de TV.

“Existe a possibilidade [de não ir a debates], sim, [por questão] estratégica”, admitiu Bolsonaro durante o discurso aos simpatizantes de sua campanha.

Em outro momento da fala, ele respondeu ao adversário do PT, Fernando Haddad, que, em entrevista a uma rádio da Bahia, questionou nesta quinta-feira o que Bolsonaro fez ao longo de 28 anos de atuação como deputado federal.

“Eu estou vendo o Haddad me fazendo agora [uma pergunta]: ‘Quero que você diga o que fez em 28 anos no parlamento?’. Vou responder para ele: ‘Não roubei ninguém Haddad”, declarou o presidenciável do PSL.

Ministério

Em meio ao discurso, o presidenciável do PSL reafirmou que o economista Paulo Guedes e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) farão parte de seu ministério, caso ele vença a corrida pelo Palácio do Planalto.

Bolsonaro disse, mais uma vez, que Guedes comandará um superministério da economia, que vai fundir Fazenda e Planejamento.

Já o deputado gaúcho, que se tornou um dos principais conselheiros políticos de Bolsonaro nos últimos meses, ficará à frente da Casa Civil, anunciou novamente o presidenciável. Tanto Lorenzoni quanto Guedes estavam no ato de campanha desta quinta no Rio.

Bolsa Família

Jair Bolsonaro também elogiou o seu candidato a vice, general Hamilton Mourão, que chegou foi repreendido pelo presidenciável em meio à campanha por ter criticado o 13º terceiro salário e o abono salarial. O candidato do PSL afirmou no evento que o vice propôs estender o 13º salário aos beneficiários do Bolsa Família.

“O vice falou que a estrutura remuneratória [que prevê 13º salário] é uma jabuticaba. Em nenhum momento, ele falou que ia acabar. Até, ontem, [Mourão] deu uma ideia. Ele procurou Paulo Guedes e falou em estender o 13º terceiro para quem ganha Bolsa Família. De imediato, falei: ‘O recurso virá da roubalheira da fraude que existe no Bolsa Família. Sem criar nova despesa”, afirmou Bolsonaro.

No mês passado, o candidato a vice na chapa de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, críticou o 13º salário e o abono de férias durante uma palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS). Na ocasião, Mourão disse que os dois direitos trabalhistas – que ele classificou de “jabuticabas brasileiras” – são “uma mochila nas costas de todo empresário”, referindo-se a um peso para a iniciativa privada.

Diante da repercussão negativa da declaração de Mourão, Bolsonaro veio a público, durante o período em que estava internado em um hospital após ser vítima de um ataque, para desautorizar as falas do colega de chapa.

Na semana passada, entretanto, o vice de Bolsonaro voltou a criticar o benefício dos trabalhadores, ressaltando que tem empresa que fecha por não conseguir pagar o 13º e que o próprio governo enfrenta dificuldades, pois já chegou no limite e não pode mais emitir títulos sem entrar na chamada regra de ouro.

De acordo com Mourão, se as pessoas recebessem o salário “condignamente”, poderiam economizar e teriam mais no final do ano.

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