Aparentemente perto do fim, a pandemia da Covid-19 poupou-nos a vergonha de ver milhões de brasileiros se esbaldarem nas ruas até o fim da próxima semana, enquanto o mundo, estarrecido e impotente, assiste à primeira guerra de conquista na Europa desde que Adolf Hitler invadiu a Polônia em 1939.

De outra vergonha, porém, o vírus não nos poupou. Na manhã em que os russos invadiram a Ucrânia por terra, mar e ar, o presidente Jair Bolsonaro acordou mais preocupado em saber como fora o jogo da véspera entre o Palmeiras e o Athletico-PR, o primeiro pela decisão da Recopa Sul-Americana.

“Não vi o jogo do Palmeiras, eu dormi. Alguém sabe quanto foi?”, perguntou a um grupo de devotos que o aguardavam no cercadinho dos jardins do Palácio da Alvorada. Foi 2 a 2. Nas redes sociais, ele prestou solidariedade aos familiares, amigos e fãs da cantora Paulinha Abelha, da banda Calcinha Preta, que morreu.

Em seguida, viajou a São Paulo para atos da campanha à reeleição, entre eles mais uma motociata paga com dinheiro público. Durante 10 horas, ocupado em pedir votos e em criticar o PT, não disse uma só palavra sobre a guerra. Melhor que tivesse ficado calado, porque, quando falou, produziu um novo desastre.

Guerra Rússia-Ucrânia afeta Brasil e plano eleitoral de Bolsonaro
Conselheiro evangélico de Sergio Moro: “Bolsonaro sucumbiu ao pecado”
Bolsonaro critica Mourão por fala sobre Ucrânia: “Competência é minha”
Bolsonaro se reúne com chanceler e assessores para discutir Ucrânia

O vice-presidente Hamilton Mourão havia dito sobre a invasão: “Se o Ocidente simplesmente permitir que a Ucrânia caia, a Moldávia será a próxima, depois os Estados Bálticos. Assim como a Alemanha de Hitler fez no final da década de 1930”. Na sua live das quintas-feiras, Bolsonaro correu a desautorizar Mourão: