As pessoas estão se arriscando nos sangradouros das barragens de Ceraíma, em Guanambi, e de Luiz Vieira, em Rio de Contas. Moradores das cidades estão muito contentes com as cheias dos reservatórios e alguns estão exagerando na comemoração ao tomar banho nas cascatas formadas pelos sangramentos.

Em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, a barragem alcançou sua cota máxima neste sábado (8) e começou a verter água. Um homem precisou entrou no sangradouro e não conseguiu sair sozinho com o aumento repentino da vazão. Ele precisou ser resgatado por uma corda usada por populares que o puxaram para as margens do canal de vertimento.

A Barragem de Luiz Vieira está com 99,4 milhões de metros cúbicos, marca atingida pela última vez em 2007, há quase 15 anos. Neste intervalo de tempo, grandes secas assolaram a região e a barragem chegou a armazenar apenas cerca de 12% de sua capacidade em meados de 2019, deixando muitos produtores rurais sem água para produzir alimentos, principalmente frutas.

Antes do início do período chuvoso, no final de outubro, o nível da barragem de Rio de Contas era de cerca de 60,3%. Os volumes expressivos de dezembro e do início de janeiro foram suficientes que o reservatório chegasse ao seu limite de armazenamento bem antes do fim do período chuvoso, que deve se estender até meados de abril.

Já em Guanambi, desde o meio da semana, muitos curiosos foram até a barragem para acompanhar o vertimento. O muro, o portão e as placas de entrada proibida vêm sendo desconsideradas pelos que visitam o local. Na madrugada deste domingo (9), o nível do lago enfim chegou a sua cota máxima e a água começou a escorrer lentamente pelo sangradouro.

Nas primeiras horas da manhã, já com a vazão aumentando, algumas pessoas também se arriscaram entrando dentro do sangradouro para tomar banho. Apesar do risco, todos conseguiram sair do local sem ferimentos. Ainda pela manhã, uma fila de carros se formou na estrada que liga Guanambi à barragem. Muitas pessoas foram ver de perto o acontecimento registrado anteriormente há quase 30 anos.

Representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Carnaíba (Codevasf) pediram às autoridades locais que auxiliem no sentido de inibir a entrada de pessoas na área de segurança da barragem.

São 51,09 milhões de metros cúbicos de água armazenada, usada tanto para irrigação quanto para o abastecimento humano. No início do período chuvoso, em novembro, eram armazenados cerca de 32 milhões de metros cúbicos, ou seja, a recarga foi superior a 19 milhões de metros cúbicos no período de dois meses.

O volume de chuvas em Guanambi desde outubro é 716 mm, medido no Centro da cidade, no pluviômetro da Agência Sertão. O volume é maior do que os acumulados dos períodos chuvosos de 2017-2018 e 2018-2019 e quase igual a média dos últimos quatro anos, de 725,8 mm.

Se chover dentro da média dos últimos quatro anos nos próximos três meses, o acumulado de chuvas deve passar de 1.000 mm na temporada chuvosa, algo só alcançado em 1992 nos últimos 32 anos, quando grandes enchentes assolaram a cidade.