Solicitação foi enviada ao MPF após pregação do pastor na Igreja Batista Lagoinha, em Orlando, que faz parte da série Censura Não
Por Patricia Scott
Após uma pregação em que o pastor André Valadão fala contra a homossexualidade na Igreja Batista Lagoinha, em Orlando (EUA), o senador Fabiano Contarato (PT-ES) protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF). O parlamentar pede a prisão do líder religioso e o pagamento de R$ 1 milhão em indenização por danos morais coletivos.
“O representado praticou, de forma reiterada, crime de racismo. Caso o MPF não entenda pela prisão, o senador pede que sejam fixadas medidas cautelares”, afirmou Contarato, conforme informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O senador afirma também que a multa de R$ 1 milhão seria destinada ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) também apresentou duas ações contra Valadão por homotransfobia, na segunda-feira (3), sob o argumento de incitação ao crime. Os processos foram enviados ao MPMG (Ministério Público de Minas Gerais).
Na denúncia, Hilton pede que Valadão seja instado a “suspender a circulação nas redes sociais das manifestações por ele realizadas, em vista do evidente caráter criminoso de seu conteúdo”.
Segundo a representação da parlamentar, ele já havia feito “incitações ao ódio” no início de junho, quando realizou um culto na Flórida com o tema “Deus Odeia o Orgulho”. O caso levou a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal, dentro do qual a nova denúncia foi feita.
Responsabilidade criminal e civil
O deputado distrital Fábio Felix (Psol) é mais um político que acionou a justiça contra André Valadão. No documento enviado à Procuradoria da República, ele afirma que “é nítida a intenção de caracterizar a população LGBTQIA+ como potenciais criminosos que se associam para promover a exploração sexual e abuso de crianças, com a finalidade de criar pânicos e mobilizar a população que se identifica com o segmento religioso de que o representado reivindica ser parte”.
No documento, Félix pede ao Ministério Público que instaure “procedimento para apurar a responsabilidade penal de André Valadão pela prática do crime de homofobia e transfobia e a responsabilidade civil de reparar o dano coletivo dela decorrente”. Ele também quer que a entidade que promoveu o evento seja responsabilizada. Além disso, o distrital requer que o vídeo da pregação seja retirado das redes.
Alvo de acusações
Desde o mês passado, André Valadão tem sido alvo de acusações de homofobia e transfobia nas redes sociais. Isto porque o líder religioso, no início de junho, pregou na Igreja Batista Lagoinha, em Orlando, na Flórida (EUA), a mensagem “Deus Odeia o Orgulho”.
Agora, no último domingo (3), o pastor pregou uma nova mensagem, na mesma igreja, que faz parte da série “Censura Não”. “Hoje você vê nas paradas homens e mulheres nuas com seus órgãos genitais completamente expostos dançando na frente de crianças, aí você horroriza. Mas essa porta foi aberta quando nós tratamos normal aquilo que a Bíblia já condena”.
Ao prosseguir com a pregação, ele afirmou: “Então agora, é hora de tomar as cordas de volta e dizer “não, pode parar, reseta”. Aí Deus fala: “Não posso mais. Já meti esse arco-íris aí [símbolo da promessa de Deus de que não voltaria a destruir a humanidade após o dilúvio]. Se eu pudesse, eu matava tudo e começava tudo de novo. Mas já prometi para mim mesmo que não posso, agora está com vocês”.










