Durante a visita dos ministros da Saúde e Cidadania ao Martagão, o prefeito Bruno Reis atendeu a um pedido feito pelo presidente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (mantenedora do Hospital), Carlos Emanuel Melo. O chefe do Executivo municipal se comprometeu a assinar, nas próximas semanas, um convênio com o Martagão para viabilizar um recurso do Fundo Municipal de Saúde para ser utilizado para o início do Programa de Transplante Hepático da Instituição.

O recurso, de R$ 1,5 milhão, é oriundo de duas emendas parlamentares destinadas ao Martagão pelo atual ministro da Cidadania, João Roma, quando exercia o mandato de deputado federal. Durante a visita, o ministro relembrou o início de sua participação no projeto. “Eu perguntei a eles (ao Hospital) se havia algum projeto específico no Martagão e me foi apresentado o projeto o Programa de Transplante Hepático. Com ele, pelo menos 100 crianças por ano deixarão de morrer por não encontrar vaga na fila do transplante”, afirmou.

O presidente da Liga Álvaro Bahia, Carlos Emanuel Melo, ressaltou que o Martagão será o único hospital do estado a fazer esse tipo de transplante pelo SUS, em crianças. “Esse montante de R$ 1,5 milhão irá ajudar a iniciar o Programa de Transplante Hepático. Com esse valor, será possível realizar, pelo menos, 20 transplantes. Mas se realizarmos esses 20 ao longo de um ano e meio, é tempo suficiente para ganharmos volume cirúrgico para diminuir os custos e perpetuar o programa”, destacou.

Beneficiados – A dona de casa Maria da Paixão Santos é mãe de pequeno Railan Santos. Com apenas seis anos, ele teve que fazer um transplante hepático. Por não haver o serviço disponível na Bahia pelo SUS para crianças, ela e o marido, Raimundo Silva, tiveram que ir para São Paulo.

No entanto, Railan apresentou uma rejeição após o transplante e uma segunda intervenção está sendo analisada pelos médicos. Para a mãe, caso seja necessário novo procedimento, seria muito importante que ele pudesse fazer a cirurgia sem se afastar de casa.

“A gente teve que ir para São Paulo. Eu deixei meus outros seis filhos aqui. Era uma saudade enorme. Ligava todos os dias. Meu marido teve que pedir demissão para nos acompanhar porque ele foi o doador. Foi um processo muito difícil. Ficamos lá mais de oito meses, longe de casa”, contou.

A esperança da dona de casa e de inúmeras outras mães, cujos filhos estão na fila de espera, é que o Programa de Transplante Hepático do Martagão seja logo iniciado. “Para mim e imagino que para muitas outras mães seria uma solução que evitaria o sofrimento e as dificuldades de ficar tão longe de casa para que nossos filhos possam ter acesso ao tratamento”, acrescentou.