Um modo específico de falar o alfabeto. No lugar de pronunciar a letra “éle”, se diz “lê”, “eme” é “mê”, “éne” é “nê”. É nesse abecedário sertanejo que o documentário “Sertão como se fala” mergulha ao percorrer 9.500 quilômetros por sete estados do Nordeste: Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Alagoas. O filme será exibido nesta sexta-feira (24), às 22h30, na TVE, e investiga o que isso quer dizer do cotidiano de um povo.

Entrevistando sertanejos, entre eles educadores, professores, alunos, estudiosos e artistas, o filme revela o ABC do sertão como um forte traço identitário sertanejo em processo de extinção, que ao longo dos anos ganhou também uma conotação pejorativa e, pouco a pouco, a partir de modelos de uniformização da língua, foi perdendo espaço para o alfabeto formal da língua portuguesa. O filme também é um documentário sobre um outro sertão, onde é possível encontrar homens e mulheres em busca das suas heranças culturais e interessados em propagar valores e expressões do povo sertanejo.

Selecionado para o Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, em 2016, e para a Mostra de Cinema: Cultura, Arte e Poder, do Verão Arte Contemporânea, em Belo Horizonte, em 2017, o documentário foi realizado de maneira independente, por meio de um financiamento coletivo no site Catarse e contou com quase 400 colaboradores de todo o Brasil.

“Sertão como se fala” será exibido também em horário alternativo no sábado (25), às 20h.

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