Ministro da Saúde se mostra surpreso com decreto de Bolsonaro que considera academias, salões de beleza e barbearias atividades essenciais
Durante entrevista, ministro Nelson Teich chega a perguntar se o decreto saiu hoje | Foto: Reprodução/TV Brasil Nitidamente constrangido, o ministro Nelson Teich não sabia bem o que responder quando perguntado sobre o decreto presidencial que incluiu na tarde de hoje nas atividades consideradas essenciais durante a pandemia de Covid-19 no Brasil as barbearias, academias e salões de beleza. O Decreto número 10.344, de 11 de maio de 2020, também ampliou a liberação de funcionamento da construção civil e atividades industriais. Sem saber muito o que dizer, o oncologista que assumiu o cargo há 24 dias, balançava a cabeça enquanto tentava responder a pergunta se o Ministério da Saúde foi consultado e concordava com a ampliação concedida no decreto a salões de beleza, barbearias e academias. “Eu acho hoje o seguinte: se você criar um fluxo que impeça que as pessoas se contaminem, se você criar condições e pré-requisitos para que você não exponha pessoas a risco de contaminação, você pode trabalhar retorno de alguma coisa.” A tentativa de dar uma explicação para um decreto que Teich aparentemente não conhecia continua, claro, com alguma incompreensão da necessidade do decreto: “Agora, tratar isso como não essen… como essencial é um passo inicial, que foi uma decisão do presidente. Ele decidiu isso aí”. “Isso aí saiu hoje?”
Surpreso, ministro Nelson Teich olha para o lado e faz gesto de incompreensão com as mãos para o secretário executivo, general Eduardo Pazuello, que balança a cabeça como se também não soubesse do decreto | Foto: Reprodução/TV Brasil Em seguida, o ministro da Saúde olha para o lado e pergunta “isso aí saiu hoje?”. O repórter responde: “Ele [Bolsonaro] acabou de falar no [Palácio da] Alvorada”. Teich balança a cabeça, em negação ao que acabara de ouvir, e pergunta “decisão de?”. E começa a repetir as atividades que os jornalistas citam: “Manicure, academia, barbearia”. Teich olha para o lado esquerdo, meio sem acreditar no que tinha escutado, balança a cabeça novamente e diz que “isso não… não passou…”. “Não é atribuição nossa. Isso aí é uma atribuição do presidente.” E fecha o semblante antes de fazer um gesto de incompreensão com as mãos ao novo secretário executivo do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello, que faz uma negativa com a cabeça, sem qualquer declaração sobre o assunto. “É o Ministério da Economia que decide isso?”, pergunta Teich a Pazuello. O secretário executivo responde com “isso”. E o ministro tenta esclarecer a situação: “Só uma coisa. A decisão de atividades essenciais é uma coisa definida pelo… pelo Ministério da Economia. E o que eu realmente acredito é que qualquer que envolva a definição como essencial ou não passa pela tua capacidade de fazer isso de uma forma que proteja as pessoas”. Não passou pela SaúdeMas enfatiza que “só para deixar claro, essa é uma decisão do Ministério da Economia”. “Não é nossa”, Teich tentou destacar o fato de que não participou da definição de academias, salões de beleza e barbearias como atividades essenciais que constam no decreto presidencial de hoje. Antes de começar a responder uma pergunta de um repórter, que questionou se o Ministério da Saúde não deveria participar das discussões que decidem quais atividades devem ser consideradas essenciais, o general Pazuello fala algo para Teich que não dá para ouvir totalmente. Mas é como se orientasse o que o ministro da Saúde deveria responder. Só então o oncologista começa a falar. “A decisão de atividade essencial hoje é do Ministério da Economia. Onde o Ministério da Saúde pode e deve ajudar é ajudando a desenhar os fluxos de como isso deve se… se essa decisão é tomada, como isso deveria acontecer, entendeu?. Mas a decisão de ser essencial ou não é mais uma decisão da Economia mesmo. Se isso for o caso, a gente participa ajudando a desenhar uma forma de fazer que proteja as pessoas.” Resposta tuteladaAo completar a pergunta, se é importante o Ministério da Saúde participar da decisão antes de as novas atividades essenciais serem definidas, o general se antecipa a Teich e diz: “Não. Não”. Contrariando a orientação do secretário executivo, o titular da pasta confessa: “Honestamente, tenho que pensar melhor nessa pergunta”. Jornal Opção Faz uma pausa para pensar e continua. “Neste momento, a resposta seria… não porque é uma atribuição do Ministério da Economia e eu vejo a Saúde ajudando sempre a partir do instante em que ela ajuda a definir formas de fazer que possam proteger as pessoas”, segue o protocolo Teich. “Acho que a minha função aqui é ajudar a proteger as pessoas. Mesmo que exista uma decisão do Ministério da Economia sobre o que é essencial ou não, a gente tem que participar ajudando com que essa decisão seja feita de uma forma segura para a sociedade. Essa é a forma como eu vejo.” Parecia ter concluído a resposta, mas seguiu: “A pergunta que eu teria que conversar melhor, até com o pessoal da Economia, mas essa é a minha posição agora”. Existe um diálogo?O repórter insiste e questiona se o Ministério da Saúde não participar da decisão antes de o decreto ser publicado não pode ser tarde demais se depois for necessário voltar atrás. Teich afirma que “qualquer coisa que é decidida pode ser revista”. “Existe hoje um diálogo que permite que a gente se posicione se for necessário”, diz o ministro, mesmo sabendo que não foi o caso. Ao responder a pergunta seguinte, sobre uma possível discordância em relação a uma nova proposta que será anunciada na quarta-feira, 13, o ministro da Saúde parece fazer uma espécie de desabafo. Pensa durante 14 segundos antes de falar e: “Hoje eu estou assumindo que a gente vai chegar num consenso. Se isso não acontecer, aí eu paro para ver como é que o Ministério vai caminhar”. Antes de responder o último questionamento na entrevista, mais uma vez a resposta é antecipada pelo secretário executivo, que não usa o microfone, mas se dirige novamente a Teich, sobre informações do sistema virem de Estados e municípios. Em seguida, na internet, analistas já falavam em um possível início de fritura do novo ministro menos de um mês à frente da pasta |










