Por Nathália Castro, Guilherme Santos, Maria Morganti e Natália Oliveira, RJ1


Mulheres denunciam agressões brutais dos companheirosA jornalista Ana Luiza Dias – que foi agredida, torturada e mantida em cárcere privado pelo namorado por três dias – contou que teve de descer nove andares de escada e pedir ajuda a uma pessoa do prédio onde estava em Copacabana para conseguir escapar das agressões

“Eu desci nove andares de escada, não sei como. A gente às vezes dá um start na nossa vida que a gente não pode perder tempo. Me deu aquele ‘é agora ou vou morrer'”, afirmou.

Exames constataram que Ana Luiza sofreu um traumatismo craniano e fratura na mandíbula. A mulher ficou internada até esta quarta-feira (4).

O agressor, segundo denúncia feita à polícia, é o namorado da vítima, Fred Henrique Lima Moreira, que foi preso nesta quinta-feira (5) e deve responder por tentativa de feminicídio, estupro, cárcere privado e tortura (veja mais no vídeo abaixo)Ana Luiza disse que o homem tinha ciúmes e inventava histórias.

Essa não é a primeira passagem de Fred Henrique pela polícia. Segundo os investigadores, o homem tem ficha criminal por violência domésticatráfico de drogasporte ilegal de arma de fogo e ameaça.

No apartamento onde ele estava, policiais da 12ª DP (Copacabana) encontraram um bastão retrátil, um soco inglês e uma réplica de pistola. O suspeito permaneceu calado durante depoimento, segundo a polícia.

“Foram apreendidos, no imóvel, os instrumentos do crime, ou seja, um cassetete, um soco inglês, e também existia na sua residência uma réplica de arma de fogo que era usada como forma intimidativa para a vítima”, disse a delegada responsável pelo caso, Natacha Oliveira.

Polícia prende homem em Copacabana por agredir torturar a namorada
Polícia prende homem em Copacabana por agredir torturar a namorada

Delegada cita ‘tortura psicológica’

Na porta da delegacia, a vítima lembrou-se do que a levou a denunciar o namorado

“Eu ia morrer. Poderia ter infecionado minha mandíbula. A fratura poderia ter pego a veia. Se eu continuasse lá, iria morrer. A mulher deve ser respeitada, amada, cuidada”, afirmou Ana Luiza.

"Se eu continuasse lá, iria morrer", diz Ana Luiza, vítima de agressão

“Se eu continuasse lá, iria morrer”, diz Ana Luiza, vítima de agressão

A delegada descreveu como o caso chegou à polícia:

“Na sexta-feira [29 de abril], a Ana compareceu à delegacia com muitos sinais evidentes de lesões corporais, principalmente na região da face. Ela informou que, durante esses três dias, o Fred a manteve em cárcere privado e a espancou várias vezes. Além da agressão física, ela também foi submetida a tortura psicológica”.

A vítima afirmou: “Foi ciúme, misturado com loucura. Ele cria histórias na cabeça dele. Falou que tinha clonado meu celular, inventou um motivo e partiu para cima de mim – está aqui o resultado. Estou com uma mandíbula de titânio, estou torta”.

"Se continuasse lá, iria morrer", afirmou Ana Luiza.  — Foto: Reprodução/TV Globo

“Se continuasse lá, iria morrer”, afirmou Ana Luiza. — Foto: Reprodução/TV Globo