Não é verdade que todas as cédulas de votação nos EUA tenham uma marca d’água e que, por causa disso, uma fraude eleitoral tenha sido identificada, como dizem posts que circulam no Facebook em português (veja aqui) pelo menos desde quinta-feira (5). A elaboração e a distribuição de cédulas é de responsabilidade dos estados. Cada um deles tem seu modelo, e nem todos usam marca d’água.

Até o fim da tarde desta sexta-feira (6), publicações com esta alegação falsa acumulavam pelo menos 7.300 compartilhamentos no Facebook. Elas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Uma marca de água secreta foi inserida em todos os cartões de eleitor mas os democratas não sabiam disso e ilegalmente introduziram cartões de eleitor falsos.

É falso que todas as cédulas de votação nos EUA tenham marcas d’água, e que, por isso, uma suposta fraude cometida por eleitores do Partido Democrata tenha sido identificada, como sustentam posts que circulam no Facebook em português. A peça de desinformação reproduz uma alegação falsa feita em conteúdos disseminados primeiramente por americanos adeptos da teoria da conspiração QAnon, apurou o site de checagem Politifact.

O sistema eleitoral americano é bastante descentralizado, como lembra o site da NCSL (National Conference of State Legislatures), uma fundação que representa os legislativos estaduais. Assim, cada estado tem liberdade quase total para definir as regras de suas eleições, o que inclui até mesmo o tipo de cédula usada pelos eleitores.

A maioria dos estados, inclusive, usa tanto o voto eletrônico como o de papel, segundo levantamento do site Lifewire. E nem todos usam marcas d’água em suas cédulas — a Califórnia é um dos estados que usa, como mostra o site do governo local.

Fora a questão da marca d’água, não há nenhum indício até o momento de que eleitores democratas tenham usado cédulas falsas na eleição presidencial.

Apesar da falta de provas sobre qualquer tipo de fraude eleitoral nos EUA até esta sexta-feira (6), conteúdos falsos alegando que houve irregularidades estão sendo disseminados no Brasil nos últimos dias, nas redes sociais e no WhatsApp. Na narrativa desinformativa, tais fraudes teriam como objetivo impedir a reeleição de Donald Trump.

O próprio Trump, por sinal, endossou diversas alegações falsas neste sentido no pronunciamento que fez na noite de quinta-feira (5), como mostrou reportagem do BuzzFeed, no momento em que a apuração dos votos começou a mostrar que as chances de vitória de Biden eram mais concretas. A fala do presidente americano foi mais uma página de uma narrativa que já incluía mais de 200 declarações falsas ou distorcidas sobre o processo eleitoral americano, segundo levantamento do jornal Washington Post.

Enquanto o resultado definitivo da eleição americana não sai, Trump tem tentado paralisar a contagem de cédulas e pedido a recontagem dos votos na medida em que os resultados da apuração o colocam atrás de Biden. Na manhã desta sexta, Biden ultrapassou Trump na contagem dos votos da Pensilvânia e ficou mais perto de vencer a eleição presidencial americana.

Referências:

1. Politifact
2. NCSL
3. Lifewire
4. Governo da Califórnia
5. Aos Fatos (12 e 3)
6. BuzzFeed
7. UOL